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Petróleo em alta: até onde os preços podem subir e o que isso muda para o investidor
Publicado 27/04/2026 • 13:57 | Atualizado há 2 semanas
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Publicado 27/04/2026 • 13:57 | Atualizado há 2 semanas
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Foto: Freepik
muda para o investidor
Após o retorno da tensão no Oriente Médio, o petróleo voltou a ser um dos principais assuntos durante a guerra entre Estados Unidos, Irã e Israel. O impasse entre os países resultou no fechamento do Estreito de Ormuz, em fevereiro. Apesar do breve cessar-fogo entre os países, que resultou na reabertura, as forças iranianas bloquearam novamente a passagem marítima.
Esse movimento reflete diretamente no preço do barril de petróleo. O WTI chegou a subir 3,72%, sendo negociado a US$ 94,69 o barril. Já o Brent subiu cerca de 3,1% e foi comercializado por US$ 107,7.
Leia também: Gigante do petróleo prevê reabertura total de Ormuz só no 2º semestre de 2026
A principal razão para a valorização recente está no risco geopolítico. A ausência de um acordo entre Estados Unidos e Irã mantém os investidores em alerta, elevando o chamado “prêmio de risco” nos preços da commodity.
Além disso, o mercado teme que o conflito possa afetar rotas estratégicas de transporte, como o próprio Estreito de Ormuz, ou até mesmo reduzir a oferta global. Esse tipo de incerteza costuma pressionar os preços para cima.
A escalada dos conflitos no Oriente Médio e a constante subida no preço do petróleo também geram questionamentos entre os países do exterior quanto a um novo ciclo estrutural da alta do material. Com isso, Hugo Queiroz, sócio da L4 Capital, explicou mais sobre o tema:
Segundo o especialista, “esse novo nível de preços do petróleo, do gás e de outras commodities energéticas tende a se manter. Na minha avaliação, o barril deve oscilar entre US$ 80 e US$ 100 daqui para frente. Alguns fatores sustentam essa visão, especialmente pelo lado da demanda, que deve crescer acima do previsto.”
Ainda na visão do especialista, “isso ocorre porque a agenda ESG não entregou os resultados esperados, mesmo após investimentos de bilhões em alternativas.”
Mesmo com o fracasso do primeiro cessar-fogo entre os países envolvidos, a expectativa dos demais países internacionais é que ainda exista uma nova rodada de conversa a fim de finalizar a guerra. Entretanto, o encerramento dos conflitos não é uma garantia de normalidade nos preços do petróleo.
De acordo com Hugo Queiroz, “mesmo em um cenário de cessar-fogo, não devemos ver o petróleo voltando aos níveis anteriores, próximos de US$ 60. Há alguns fatores importantes que sustentam essa visão. Um deles é a Venezuela, que hoje não tem capacidade de aumentar rapidamente sua produção. Para isso, seriam necessários investimentos de bilhões de dólares em expansão e recuperação da infraestrutura.”
Apesar de não estar envolvido diretamente no conflito, as negociações e preços do petróleo também são observados de perto pelo governo brasileiro. Mesmo sendo um produtor do material, a quantidade fabricada ainda não é suficiente para a demanda nacional.
Segundo o especialista, “o Brasil se beneficia da alta do petróleo do ponto de vista comercial, especialmente nas exportações. No entanto, vimos o governo tentar atuar com um imposto adicional sobre essas vendas externas para ampliar a oferta interna e reduzir o preço dos derivados.”
Entretanto, ele ainda explica que “o problema é que o país não tem capacidade suficiente de refino. Ou seja, mesmo com maior oferta de petróleo, isso não necessariamente se traduz em redução nos custos dos combustíveis.”
A escalada dos conflitos no Oriente Médio não afeta apenas os preços de commodities essenciais, como o petróleo. No setor econômico, possíveis interrupções em rotas estratégicas também podem comprometer a operação de empresas e impactar investidores do setor.
Com isso, Hugo Queiroz explicou que “antes de tudo, o investidor precisa entender as necessidades do próprio portfólio. Se a ideia for buscar proteção, setores defensivos domésticos, como o de utilities, podem ser uma alternativa interessante, já que contam com proteção contra a inflação e tendem a sofrer menos com a desaceleração da economia real, mantendo fundamentos mais estáveis.”
Em períodos de instabilidade geopolítica que impactam as economias globais, as decisões financeiras dos investidores tendem a se tornar mais arriscadas. Isso porque a alta das commodities e a intensificação de conflitos em regiões sensíveis podem transformar o cenário em uma verdadeira aposta, com maior imprevisibilidade.
Desta forma, Hugo Queiroz explicou que “o maior erro do investidor é vender posição por conta de movimentos de curto prazo. Outro ponto é acreditar que qualquer empresa de óleo e gás se beneficia automaticamente desse cenário. O que temos visto é que a Petrobras, por exemplo, enfrenta dificuldades para segurar preços, o que acaba consumindo caixa. Esses são os principais pontos de atenção para evitar decisões equivocadas.”
Leia também: Washington amplia cerco ao Irã, bloqueia criptomoedas e mira rede global de petróleo
Com isso, a instabilidade no Oriente Médio tende a seguir pressionando os preços do petróleo no mercado global. Vale lembrar que, assim como o Brasil, diversos países que não estão diretamente envolvidos no conflito também sofrem os efeitos.
No caso do petróleo, trata-se de um material essencial para toda a cadeia de consumo, que vai dos combustíveis à geração de energia.
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