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Preço do querosene sobe e pressiona setor aéreo; impacto nas passagens ainda é parcial
Publicado 07/08/2026 • 14:20 | Atualizado há 1 hora
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Publicado 07/08/2026 • 14:20 | Atualizado há 1 hora
KEY POINTS
O preço do querosene de aviação acumula uma alta expressiva e já pressiona os custos das companhias aéreas. O aumento ainda não foi repassado aos consumidores, porém, diante das incertezas no mercado internacional de petróleo e dos conflitos no Oriente Médio, este cenário pode mudar. De acordo com a avaliação de Guilherme Dietze, presidente do Conselho de Turismo da FecomercioSP, ainda não houve o repasse integral por conta de alguns fatores, entre eles, o endividado do brasileiro e a economia mais fraca, que poderiam levar o consumidor a buscar outras alternativas.
“As empresas não conseguem repassar todo o custo porque o passageiro pode optar por outros meios de transporte. Se a passagem fica muito cara, ele viaja de ônibus ou aluga um carro. Há alternativas que limitam esse aumento dos preços”, explica.
Dietze explica que o setor aereo, embora com dificuldades, teve um 2025 muito positivo, com recorde de turistas, considerando voos nacionais e internacionais, que resultou em recordes de faturamento para o turismo e para as companhias aéreas. Porém, a alta do querosene e a dificuldade de repassar os custos impactará nos resultados do segundo trimestre, “mas nada que represente um prejuízo expressivo para o turismo ou para as companhias aéreas”, segundo Dietze.
Leia também: Reajuste do querosene de aviação causa impacto no setor aéreo
No entanto, o especialista pondera que isso faz parte do ciclo do setor. “Em momentos mais favoráveis, as empresas conseguem ampliar seus resultados. Em períodos de maior pressão, precisam absorver parte dos custos para manter a operação.”
Além disso, Guilherme afirma que o preço do petróleo pouco acima de US$ 80 por barril, abaixo do pico registrado durante a escalada do conflito entre Irã e Israel, e o câmbio, torno de R$ 5,10, trouxeram um pequeno alívio. No entanto, ele avalia que isso não significa que as passagens não possam subir: “O preço é dinâmico. Em alguns dias há aumento, em outros surgem promoções. Na média, porém, os preços permanecem relativamente equilibrados justamente pela limitação da capacidade de pagamento do consumidor brasileiro.”
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Siga o Times | CNBCSegundo a visão do especialista, se o real continuar se valorizando e o dólar ficar abaixo de R$ 5, isso ajuda tanto no preço do combustível quanto nos demais custos dolarizados. “Cerca de dois terços dos custos das companhias aéreas estão atrelados ao dólar. Quanto menor a cotação, menor a pressão sobre as empresas e maiores as chances de esse alívio chegar ao consumidor.”
Para os próximos meses, Dietze afirma que o ritmo de crescimento do número de passageiros perdeu força ao longo do segundo trimestre. Enquanto no início do ano o avanço variava entre 6% e quase 10% na comparação anual, em maio e junho a alta ficou em torno de 1,5%, o que pode indicar um esfriamento da demanda, embora ainda seja cedo para confirmar uma tendência.
A expectativa da Fecomércio-SP é de que o Brasil encerre o ano com cerca de 130 milhões de passageiros transportados entre voos domésticos e internacionais. Ainda assim, o número corresponde a aproximadamente 20 milhões de passageiros únicos, patamar considerado baixo quando comparado a mercados mais maduros.
Leia também: Com passagens pressionadas, governo admite retração no setor aéreo e busca socorro emergencial
Para Dietze, eventuais aumentos nas tarifas aéreas tendem a alterar o comportamento do consumidor, mas não necessariamente reduzir a atividade turística. Diante de passagens mais caras, muitos viajantes substituem destinos mais distantes por opções próximas ou trocam o avião por viagens de carro, redistribuindo o fluxo turístico pelo país.
O executivo destaca que o fortalecimento da promoção turística pelos estados e a diversidade de destinos nacionais ajudam a sustentar esse movimento. Segundo ele, o turismo brasileiro continua registrando recordes, embora atualmente o crescimento seja mais impulsionado pelo aumento do gasto dos viajantes do que pelo volume de passageiros.
“O nosso objetivo é que o turismo seja cada vez mais democrático. Queremos que mais brasileiros possam viajar, não apenas as famílias de maior renda. Para isso, é importante que os juros caiam, permitindo que mais pessoas tenham acesso ao crédito e possam planejar suas viagens.”
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