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Equador anuncia tarifa de 30% à Colômbia por falta de cooperação em segurança
Publicado 22/01/2026 • 09:00 | Atualizado há 9 meses
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Publicado 22/01/2026 • 09:00 | Atualizado há 9 meses
KEY POINTS
Carlos Silva/Presidência da República.
Foto de arquivo - 17/01/2026. O presidente do Equador, Daniel Noboa, durante a sessão do Gabinete Ministerial, com a participação de ministros e secretários de Estado, no Palácio do Governo.
O presidente do Equador, Daniel Noboa, anunciou nesta quarta-feira (21) a imposição de uma tarifa de 30% sobre as importações provenientes da Colômbia. A medida, segundo ele, é uma resposta à falta de apoio do país vizinho no combate à violência associada ao narcotráfico na região de fronteira.
Equador e Colômbia compartilham cerca de 600 quilômetros de fronteira, que se estendem do litoral do Pacífico até a floresta amazônica. A área é marcada pela atuação de guerrilhas colombianas e organizações criminosas envolvidas no tráfico de drogas e armas, além do garimpo ilegal.
“Nossos militares continuam enfrentando grupos criminosos ligados ao narcotráfico na fronteira sem qualquer cooperação”, escreveu Noboa na rede social X, onde acompanha a agenda do Fórum Econômico Mundial, em Davos.
Leia também: Estados Unidos fecham acordos para reduzir tarifas com Equador, El Salvador e Guatemala
A tarifa entrará em vigor no próximo mês e, de acordo com o presidente equatoriano, representa uma resposta à “falta de reciprocidade e de ações firmes” do governo do presidente colombiano Gustavo Petro no enfrentamento ao crime organizado.
Noboa, que declarou guerra ao narcotráfico em 2024, afirmou que a medida será mantida “até que exista um compromisso real para enfrentarmos juntos o narcotráfico e o garimpo ilegal na fronteira”.
Leia também: Presidente colombiano propõe criação da “Grande Colômbia” inspirada na União Europeia
Até o momento, a Colômbia não informou se adotará medidas de retaliação. Em publicação no X, o ministro da Defesa colombiano, Pedro Sánchez, afirmou que “Colômbia e Equador mantêm uma cooperação estreita e histórica no combate ao narcotráfico, cujos resultados são fortalecidos pela articulação permanente”.
Apesar disso, Noboa disse ao jornal colombiano El Tiempo, em Davos, que os dois países “não estão na mesma página” no combate ao narcotráfico.
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Siga o Times | CNBCSegundo Noboa, o Equador registra um déficit comercial com a Colômbia superior a US$ 1 bilhão por ano (R$ 5,3 bilhões). Entre os principais produtos exportados pelos colombianos ao país estão energia elétrica, medicamentos, veículos, cosméticos e plásticos, de acordo com a Associação Nacional de Comércio Exterior da Colômbia (Analdex).
A Colômbia é o principal parceiro comercial do Equador na Comunidade Andina, bloco que também reúne Bolívia e Peru. Em 2024, as exportações equatorianas para a Colômbia somaram cerca de US$ 850 milhões (R$ 4,53 bilhões), enquanto as importações alcançaram US$ 2,11 bilhões (R$ 11,25 bilhões), segundo dados do Banco Central do Equador.
No poder desde novembro de 2023, Noboa declarou guerra a mais de 20 grupos criminosos. A disputa sangrenta entre essas organizações transformou o Equador no país mais violento da região, com uma taxa de 52 homicídios por 100 mil habitantes em 2025 — o equivalente a um assassinato por hora, segundo o Observatório Equatoriano de Crime Organizado.
Localizado entre a Colômbia e o Peru, os maiores produtores mundiais de cocaína, o Equador é rota de cerca de 70% da droga destinada aos mercados dos Estados Unidos, Europa e Oceania.
O ministro do Interior do Equador, John Reimberg, afirmou que as autoridades colombianas “não estão adotando as medidas corretas para impedir o cultivo, o processamento e o envio” de drogas para o território equatoriano.
“Sabemos que foi dada ordem às autoridades militares da Colômbia para recuarem da fronteira em aproximadamente 50 quilômetros”, disse o ministro, em Quito.
No mês passado, o governo equatoriano manteve abertos apenas um posto de fronteira com a Colômbia, em Rumichaca, e outro com o Peru, em Huaquillas, alegando “razões de segurança nacional”.
Com rios extensos e áreas de selva, as fronteiras do Equador são consideradas altamente permeáveis, com inúmeras passagens ilegais utilizadas para o contrabando.
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