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Justiça dos EUA rejeita ação de Trump contra The Wall Street Journal por suposta carta a Epstein

Publicado 31/10/2026 • 19:15 | Atualizado há 23 minutos

KEY POINTS

  • Um juiz federal em Miami rejeitou no sábado, com prejuízo de mérito, o processo de difamação movido pelo presidente Donald Trump contra o magnata da mídia Rupert Murdoch e o The Wall Street Journal.
  • O processo alegava que o jornal difamou Trump com uma matéria dizendo que o presidente havia enviado uma carta “obscena” de aniversário de 50 anos ao notório criminoso sexual Jeffrey Epstein.
  • Um porta-voz da equipe jurídica de Trump disse à CNBC no sábado que o presidente planeja recorrer da decisão.
Donald Trump em coletiva nesta quinta (5).

Trump pediu investigação ao DoJ sobre Epstein

Reprodução CNBC Americana.

Um juiz federal dos Estados Unidos rejeitou, neste sábado (31), a ação por difamação movida pelo presidente Donald Trump contra o magnata da comunicação Rupert Murdoch e o jornal The Wall Street Journal. O processo foi motivado por uma reportagem publicada pelo veículo sobre uma suposta carta de aniversário de 50 anos enviada por Trump ao criminoso sexual Jeffrey Epstein.

O juiz distrital Darrin Gayles, de Miami, concluiu que Trump novamente não conseguiu apresentar argumentos plausíveis para demonstrar que o jornal e os demais réus agiram com dolo real ao publicar a reportagem, em julho de 2025.

“Agarrando-se a qualquer pretexto, a queixa emendada tenta fabricar falhas na investigação”, escreveu Gayles na decisão de 20 páginas, que encerrou o processo com resolução de mérito.

O magistrado afirmou que o jornal realizou uma “investigação criteriosa e detalhada” antes da publicação. Também rejeitou a alegação de Trump de que o veículo não deveria ter divulgado a reportagem depois que ele negou ser o autor da carta. Apesar da decisão, Gayles não determinou se Trump realmente escreveu o documento mencionado na publicação.

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A sentença foi proferida aproximadamente seis meses depois de o tribunal ter rejeitado inicialmente a ação, na qual o presidente reivindicava US$ 10 bilhões (cerca de R$ 53 bilhões) em indenizações de Murdoch e do jornal, do qual o empresário é proprietário.

Com a extinção do processo com resolução de mérito, Trump não poderá apresentar uma nova versão da ação na primeira instância. No entanto, um porta-voz de sua equipe jurídica informou à CNBC, neste sábado, que o presidente pretende recorrer da decisão.

“O presidente Trump continuará a insistir em seu poderoso processo contra o Wall Street Journal e todos os outros réus. O presidente continuará a responsabilizar aqueles que enganam o povo americano com notícias falsas e difamações por seus atos”, declarou o representante em comunicado.

Até o momento, porta-vozes do jornal e representantes legais de Murdoch não haviam respondido aos pedidos de manifestação. Assim como na primeira decisão que rejeitou a ação, o juiz Gayles ressaltou que Trump, que nega categoricamente ter enviado a carta ao então amigo Epstein em 2003, não conseguiu demonstrar que os réus publicaram a reportagem com dolo real.

“Assim como em sua primeira tentativa, ele falhou”, escreveu o magistrado na decisão deste sábado. “Agarrando-se a qualquer pretexto, a queixa emendada tenta fabricar falhas na investigação.”

Pela jurisprudência dos Estados Unidos, pessoas públicas, como Trump, precisam demonstrar que o acusado agiu com dolo real (actual malice) para conseguir uma condenação por difamação. Isso significa comprovar que a informação foi publicada sabendo-se que era falsa ou com desconsideração temerária pela verdade.

A nova versão da ação apresentada por Trump incluía detalhes e alegações adicionais. Entre eles, a afirmação de que Murdoch teria dito ao presidente “Eu resolvo isso” durante uma conversa telefônica sobre a reportagem que mencionava a carta de aniversário atribuída a Trump. O episódio já havia sido divulgado anteriormente pela Newsweek.

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Gayles rejeitou todos os argumentos apresentados na petição revisada. Entre as alegações estavam a de que o Wall Street Journal não teria investigado adequadamente a autenticidade da carta, deixado de incluir informações relevantes e publicado o material mesmo depois de Trump e seus representantes contestarem sua veracidade.

O juiz também considerou improcedente o argumento relacionado à negativa do presidente. Segundo ele, aceitar essa justificativa permitiria que figuras públicas impedissem a divulgação de reportagens desfavoráveis simplesmente contestando seu conteúdo, o que representaria uma violação da Primeira Emenda da Constituição americana, que protege as liberdades de expressão e de imprensa.

A decisão representa mais um revés judicial para Trump em disputas envolvendo veículos de comunicação. Em 22 de outubro, outro juiz federal determinou que o presidente prestasse depoimento até 11 de dezembro no processo de difamação de US$ 10 bilhões (cerca de R$ 53 bilhões) que move contra a BBC.

Entenda a reportagem sobre a carta de Jeffrey Epstein

A controvérsia teve início em 17 de julho de 2025, quando o Wall Street Journal publicou uma reportagem afirmando que uma carta assinada por Trump fazia parte de um álbum preparado para presentear Jeffrey Epstein em seu aniversário de 50 anos.

Segundo o jornal, o documento teria sido enviado a pedido de Ghislaine Maxwell, amiga próxima de Epstein. Cerca de duas décadas depois, Maxwell foi condenada por recrutar meninas menores de idade para serem abusadas sexualmente por Epstein. Na descrição publicada pelo veículo, a carta apresentava diversas linhas de texto datilografado dentro do contorno de uma mulher nua, aparentemente desenhado à mão com um marcador grosso.

“Um par de pequenos arcos representa os seios da mulher, e a assinatura do futuro presidente é um ‘Donald’ rabiscado abaixo da cintura, imitando pelos pubianos”, escreveram os jornalistas Khadeeja Safdar e Joe Palazzolo na reportagem.

O texto atribuído a Trump terminava com a seguinte mensagem: “Feliz aniversário — e que cada dia seja um novo segredo maravilhoso”.

O presidente negou repetidamente ter escrito o documento e contestou sua autenticidade. “Não sou eu. Isso é uma farsa”, declarou Trump na ocasião. Em outra manifestação, também rejeitou a possibilidade de ter produzido o desenho descrito pelo jornal.

“Nunca pintei um quadro na minha vida. Não desenho mulheres”, afirmou.

Apesar das negativas do presidente, a reportagem deu origem à disputa judicial contra Murdoch e o Wall Street Journal, que agora foi encerrada na primeira instância. Trump, entretanto, pretende recorrer da decisão.

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