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Equipe de Trump corre para elaborar plano de tomada da Groenlândia: entenda o que está em jogo

Publicado 08/01/2026 • 08:46 | Atualizado há 20 horas

KEY POINTS

  • O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, afirmou que pretende se reunir com autoridades da Dinamarca na próxima semana para discutir a Groenlândia.
  • A iniciativa ocorre em meio à crescente preocupação em toda a Europa com as renovadas ameaças do presidente Donald Trump de tornar a maior ilha do mundo parte dos Estados Unidos.
  • A CNBC analisa alguns dos principais pontos em jogo antes do encontro.

Kristian Tuxen Ladegaard Berg/NurPhoto

Um mapa mostrando a Groenlândia, Islândia, Ilhas Faroe e Dinamarca é visto dentro da Representação da Groenlândia em Nordatlantens Brygge, em Copenhague, Dinamarca, em 22 de dezembro de 2025.

O governo Trump se prepara para uma reunião de alto risco com autoridades da Dinamarca na próxima semana, com o objetivo de discutir como os Estados Unidos poderiam adquirir a maior ilha do mundo.

A Casa Branca tem falado com frequência sobre assumir o controle da Groenlândia após uma operação militar realizada no fim de semana para depor o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, o que acendeu um alerta na Europa sobre as ambições territoriais de Washington.

O presidente Donald Trump, que há muito tempo demonstra interesse em tornar a Groenlândia parte dos Estados Unidos, afirmou que a ilha, rica em minerais e pouco povoada, é fundamental para a segurança nacional e insistiu que está “muito sério” em tentar adquiri-la.

Desde então, a primeira-ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen, pediu que Trump “pare com as ameaças”, enquanto o líder da Groenlândia classificou a ideia de controle dos EUA sobre o território como uma “fantasia”.

Leia também: ‘Atirar primeiro e perguntar depois’: Dinamarca diz que soldados estão autorizados a reagir contra EUA na Groenlândia

O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, disse na quarta-feira que pretende se reunir com autoridades de alto escalão do governo na próxima semana para discutir a situação. O encontro ocorre após um pedido do ministro das Relações Exteriores da Dinamarca, Lokke Rasmussen, e de sua contraparte groenlandesa, Vivian Motzfeldt.

A CNBC analisa quatro questões centrais antes da reunião.

Ação militar ou compra da ilha

Ao falar na quarta-feira, Rubio foi questionado por um repórter se retiraria a possibilidade de uso das Forças Armadas dos EUA para assumir o controle da Groenlândia.

“Não estou aqui para falar sobre a Dinamarca ou sobre intervenção militar”, disse Rubio, antes de reiterar seus planos de se reunir com autoridades dinamarquesas na próxima semana. “Teremos conversas com eles então, mas não vou acrescentar mais coisas a isso hoje.”

Leia também: Secretário dos EUA diz que vai se reunir com a Dinamarca na próxima semana para discutir Groenlândia

Os comentários vieram no momento em que a Casa Branca confirmou que Trump e sua equipe de segurança nacional estão discutindo “ativamente” uma possível oferta para comprar a Groenlândia — e que, embora a diplomacia sempre tenha sido a primeira opção, todas as alternativas, incluindo o uso da força militar, continuam sobre a mesa.

Trump já havia tentado comprar a Groenlândia em 2019, durante seu primeiro mandato como presidente dos Estados Unidos, mas foi informado de que a ilha não estava à venda. A possibilidade de uma ação militar dos EUA na Groenlândia, por sua vez, provocou uma reação firme da primeira-ministra dinamarquesa.

“Acredito que o presidente dos Estados Unidos deve ser levado a sério quando diz que quer a Groenlândia”, afirmou Frederiksen à emissora dinamarquesa TV2 na segunda-feira, segundo tradução da CNBC.

“Mas também quero deixar claro que, se os Estados Unidos optarem por atacar militarmente outro país da Otan, então tudo para. Isso inclui a própria Otan e, portanto, a segurança que vem sendo garantida desde o fim da Segunda Guerra Mundial”, acrescentou.

Parlamentares republicanos e democratas de alto escalão também se posicionaram contra a ideia de usar força militar para assumir o controle da Groenlândia.

A resposta da Europa

Líderes europeus, que até então vinham evitando a chamada “diplomacia do megafone” em defesa da Groenlândia, mudaram de postura no início da semana.

“O Reino da Dinamarca — incluindo a Groenlândia — faz parte da Otan”, afirmou uma carta conjunta publicada por vários líderes europeus na terça-feira.

“A Groenlândia pertence ao seu povo. Cabe à Dinamarca e à Groenlândia, e somente a eles, decidir sobre questões que dizem respeito à Dinamarca e à Groenlândia”, acrescentaram.

Rasmus Sinding Søndergaard, pesquisador sênior do departamento de política externa e diplomacia do Instituto Dinamarquês de Estudos Internacionais, disse que o engajamento diplomático deve ser o foco principal dos formuladores de políticas europeus quando se reunirem com Rubio na próxima semana.

Outras alternativas para os parlamentares europeus incluem novas declarações políticas firmes, pressão sobre autoridades dos EUA que não querem ver qualquer ação militar na Groenlândia e, possivelmente, ameaças de retaliação econômica, afirmou Søndergaard.

Ele reconheceu, no entanto, que provavelmente há limitações para a Europa em um cenário extremo, no qual os Estados Unidos tentem tomar a Groenlândia à força, citando outras preocupações de segurança enfrentadas pelos países europeus, como a invasão em larga escala da Ucrânia pela Rússia.

“A Groenlândia é um território que não é facilmente defendido militarmente. Há muito pouca infraestrutura e, obviamente, trata-se de uma ilha muito grande, então essa ideia de algum tipo de defesa militar não é exatamente o que estamos analisando aqui”, disse Søndergaard à CNBC, no programa “Europe Early Edition”, na quinta-feira.

Independência

Pesquisas de opinião já mostraram que os groenlandeses se opõem de forma esmagadora ao controle dos Estados Unidos, enquanto uma ampla maioria apoia a independência em relação à Dinamarca.

Tony Sage, CEO da Critical Metals, empresa que desenvolve um dos maiores ativos de terras raras do mundo no sul da Groenlândia, afirmou que um aspecto da situação que parece ter sido negligenciado é o fato de que a maioria dos groenlandeses é favorável à independência.

“Acredito — tendo bastante experiência pessoal na Groenlândia nos últimos dois anos — e nosso parceiro, que está lá há 20 anos, conhece muito bem as pessoas. Elas são muito firmes e querem a independência”, disse Sage à CNBC, no programa “The China Connection”, na quinta-feira.

“Então, acredito que eles optarão pela independência quando anunciarem seu referendo, e é aí que a Dinamarca e os Estados Unidos realmente terão de encarar a situação”, continuou. “Quem será o maior beneficiário dessa independência, se de fato eles levarem adiante o referendo?”

A Groenlândia, um território dinamarquês autônomo com cerca de 57 mil habitantes, obteve maior autonomia sobre seus assuntos em 2009, por meio de uma lei de autogoverno, embora a Dinamarca continue responsável pela política externa e pela defesa da ilha.

A legislação também concedeu à ilha o direito de realizar um referendo sobre independência. A maioria dos partidos políticos groenlandeses apoia a independência, embora haja divergências sobre a velocidade para alcançá-la.

Segurança no Ártico

Ao voltar a mirar a vasta e pouco povoada ilha do Ártico, Trump sugeriu que Rússia e China representam um desafio à segurança dos Estados Unidos na Groenlândia.

“É extremamente estratégico”, disse Trump a repórteres a bordo do Air Force One no domingo. “Neste momento, a Groenlândia está coberta por navios russos e chineses por toda parte. Precisamos da Groenlândia do ponto de vista da segurança nacional.”

Analistas, no entanto, têm questionado a afirmação de Trump de que a Groenlândia precisa ser adquirida por razões de segurança nacional, enquanto líderes europeus afirmam que a segurança no Ártico é um objetivo que deve ser alcançado de forma coletiva.

Marion Messmer, diretora do Programa de Segurança Internacional do think tank britânico Chatham House, reconheceu que é verdade que tanto a Rússia quanto a China aumentaram suas atividades militares no Ártico nos últimos anos — e que, caso Moscou lançasse mísseis contra os Estados Unidos, eles provavelmente sobrevoariam a Groenlândia.

“No entanto, o que não está claro é por que Washington precisaria de controle total sobre a Groenlândia para se defender”, afirmou Messmer em uma análise escrita publicada na terça-feira.

Ela citou o fato de que os Estados Unidos já mantêm presença na Base Espacial de Pituffik, além de um acordo de defesa com a Dinamarca, em vigor há décadas, que permite a Washington continuar utilizando a instalação.

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