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EXCLUSIVO CNBC: ex-presidente do Fed alerta que guerra e petróleo podem exigir novas altas de juros

Publicado 14/09/2026 • 19:39 | Atualizado há 26 minutos

KEY POINTS

  • William Dudley, ex-presidente do Fed de Nova York, considera provável uma alta de 0,25 ponto percentual nesta semana.
  • Dudley afirma que a persistência da inflação e dos preços de energia pode exigir novas elevações dos juros.
  • O ex-presidente avalia que o Fed enfrenta limitações para combater uma inflação pressionada por fatores externos, como a guerra e o petróleo.

O Federal Reserve deve elevar os juros dos Estados Unidos nesta semana, segundo William Dudley, ex-presidente do Federal Reserve de Nova York. Para o executivo, a combinação de inflação acima do esperado e alta dos preços de energia, em meio às tensões entre Estados Unidos e Irã, aumenta a pressão por um aperto monetário.

A reunião de política monetária do Fed começa nesta terça-feira e terá duração de dois dias. Segundo o mercado, a probabilidade de uma alta de 0,25 ponto percentual chegou a 88,5%.

Dudley avalia que a expectativa elevada do mercado torna mais provável uma decisão de aumento. Segundo ele, uma manutenção dos juros poderia prejudicar a credibilidade do banco central, especialmente após declarações recentes de Kevin Warsh, presidente do Fed, em defesa do combate à inflação e da independência da instituição.

“Seria surpreendente se ele não tomasse nenhuma atitude. E isso prejudicaria sua credibilidade, pois seria só conversa sem nenhuma ação”, afirmou Dudley em entrevista exclusiva à CNBC.

O ex-presidente do Fed de Nova York também considera que o movimento pode não ficar restrito a uma única alta. A continuidade da guerra entre Estados Unidos e Irã e a persistência dos preços de energia são fatores que, na avaliação dele, aumentam a possibilidade de novas elevações.

Dudley destacou ainda que, historicamente, aumentos isolados dos juros são incomuns. Segundo ele, a última vez que o Fed fez apenas uma elevação em um ciclo nos últimos 34 anos foi em 1997, quando o movimento acabou sendo revertido no ano seguinte em razão da crise asiática.

Para o executivo, uma alta de 0,25 ponto percentual, sozinha, teria impacto limitado sobre a economia. O principal efeito estaria na sinalização da política monetária e na tentativa de evitar que as expectativas de inflação se desancorem.

“O Fed está falhando no quesito inflação de seu mandato. Ele está realmente cumprindo seu mandato de pleno emprego e os riscos no lado da inflação estão, na verdade, aumentando”.

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A dificuldade está no fato de que parte da pressão inflacionária atual vem de fatores sobre os quais a política monetária tem pouco controle. A alta do petróleo relacionada ao conflito no Oriente Médio é um exemplo.

Dudley reconheceu que os juros são uma ferramenta limitada para lidar com esse tipo de choque. “O Fed possui uma ferramenta bastante rudimentar e absolutamente não tem como reabrir o estreito de Ormuz”, disse.

Ainda assim, segundo ele, a autoridade monetária precisa reagir quando a inflação permanece acima da meta por um período prolongado.

Caso contrário, existe o risco de que as expectativas de inflação se afastem da meta de 2%, dificultando o trabalho do banco central.

O ex-presidente do Fed de Nova York também avaliou o início do mandato de Kevin Warsh. Para Dudley, as primeiras coletivas de imprensa do atual presidente da instituição foram difíceis porque ele não explicava de forma suficiente sua visão sobre a economia.

A avaliação, porém, mudou após os comentários de Warsh em Jackson Hole. Dudley considera que o presidente do Fed passou a explicar melhor sua visão sobre inflação e sobre os desafios enfrentados pela economia americana.

Agora, segundo ele, Warsh precisa transformar essa comunicação em decisões concretas.

“Agora ele só precisa dar seguimento a isso com ações”, afirmou Dudley.

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