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EXCLUSIVO CNBC: JPMorgan vê mercado de trabalho dos EUA estável e sem pressão relevante sobre salários
Publicado 04/09/2026 • 21:31 | Atualizado há 2 horas
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Publicado 04/09/2026 • 21:31 | Atualizado há 2 horas
KEY POINTS
A criação de empregos nos Estados Unidos em agosto não representa, na avaliação de David Kelly, estrategista-chefe global da JPMorgan Asset Management, uma mudança estrutural no mercado de trabalho do país. Para o executivo, o crescimento dos salários continua fraco, enquanto a economia avança em um ritmo próximo de 2%.
Em entrevista exclusiva à CNBC, Kelly afirmou que as oscilações mensais da folha de pagamentos podem ser expressivas, principalmente durante o verão, quando os ajustes sazonais ficam mais difíceis de interpretar.
“Durante o verão é bastante difícil fazer o ajuste sazonal”, disse. Segundo ele, setores como lazer, hospitalidade e educação apresentam movimentos sazonais relevantes nessa época do ano, o que pode distorcer a leitura de um único mês.
Para Kelly, uma análise mais ampla mostra um mercado de trabalho mais estável. Considerando os últimos três meses, a criação média estaria em torno de 70 mil vagas por mês.
O cenário, segundo ele, é compatível com uma economia crescendo aproximadamente 2%.
“É como jogar boliche com protetores nas canaletas. Não importa o quanto tentemos direcionar para um lado ou para o outro, a bola segue direto pelo centro”.
Esse ritmo de expansão é suficiente para sustentar o desempenho de empresas de tecnologia e o mercado acionário, mas não para provocar uma aceleração relevante dos salários.
A taxa de desemprego está em 4,1%, nível que, segundo Kelly, é melhor do que o observado em cerca de 85% dos últimos 50 anos. Apesar disso, a percepção dos trabalhadores não acompanha os indicadores tradicionais de um mercado de trabalho restrito.
David citou pesquisas do Conference Board sobre a percepção de disponibilidade de empregos. Os dados mostram que a avaliação dos trabalhadores está próxima do meio da faixa histórica e melhor do que em aproximadamente 60% do período analisado.
A diferença entre os indicadores e a percepção dos trabalhadores é relevante porque, mesmo diante de uma taxa de desemprego relativamente baixa, os trabalhadores não demonstram confiança suficiente para exigir aumentos salariais.
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Siga o Times | CNBCO dado mais recente de remuneração reforça essa leitura. Na comparação anual, o crescimento dos salários foi o menor desde maio de 2021.
“Podemos ter um mercado apertado, mas não gera inflação”, afirmou.
Kelly também descartou, no curto prazo, a possibilidade de uma aceleração das contratações capaz de alterar esse cenário. Ele vê crescimento relevante no setor de tecnologia, mas não identifica uma expansão ampla da demanda do consumidor que leve as empresas de outros segmentos a aumentar significativamente suas equipes.
A dinâmica salarial também é importante para determinar a trajetória da inflação. Este seria o quarto mês consecutivo em que o crescimento dos salários fica abaixo da inflação medida pelo CPI na comparação anual.
O cenário, segundo Kelly, dá ao Federal Reserve mais espaço para aguardar antes de alterar sua política monetária.
Ao mesmo tempo, ele reconheceu que empresas de diferentes setores enfrentam pressão de custos. Um dos principais pontos de preocupação está nos gastos com saúde, devem registrar o maior aumento em cerca de 20 anos para empresas pequenas e grandes.
Kelly, porém, argumenta que esse tipo de pressão não deveria ser enfrentado com uma política monetária destinada a reduzir a demanda.
“O que você não faz é cortar a demanda. Você não eleva os juros para tentar frear a demanda na economia”, disse.
Para ele, parte importante da inflação atual tem origem em fatores externos à política monetária. Entre eles estão os custos de saúde, os preços de bens afetados pelas tarifas e a energia, em um contexto de guerra envolvendo o Irã.
“Temos razões para tudo isso. Nada disso vem do Federal Reserve. Nada disso tem a ver com política monetária e com o que está acontecendo na economia real”, afirmou.
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