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Juros nos EUA podem subir após payroll forte, avalia CEO da API Capital

Publicado 04/09/2026 • 22:26 | Atualizado há 35 minutos

KEY POINTS

  • Payroll acima das projeções reforçou apostas em alta dos juros nos Estados Unidos, enquanto o mercado aguarda novos dados de inflação antes do Fed.
  • No Brasil, Guilherme Barbosa atribui parte importante da alta semanal da bolsa ao fluxo estrangeiro e diz que o País ainda é visto como um “trade”.
  • Crise entre ministros do STF ainda não entrou nos preços dos ativos, segundo o CEO, que vê o mercado acompanhando o embate político a distância.

O payroll mais forte que o esperado aumentou a possibilidade de uma alta dos juros nos Estados Unidos, embora o próximo dado de inflação ainda possa alterar as apostas antes da decisão do Federal Reserve (Fed), afirmou Guilherme Barbosa, CEO da API Capital.

Em entrevista nesta sexta-feira (4) ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC, Barbosa também atribuiu ao capital estrangeiro parte relevante da valorização da bolsa brasileira ao longo da semana e avaliou que a atual crise entre ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), até o momento, não tem sido incorporada aos preços dos ativos.

Payroll muda apostas para os juros americanos

O mercado americano voltou a recalibrar as expectativas para o Fed depois que o relatório de empregos mostrou a criação de 167 mil vagas, diante de uma projeção de 55 mil.

Segundo Barbosa, não foi apenas o número cheio que chamou atenção. A composição do payroll mostrou avanço das contratações, inclusive nas escolas municipais, mesmo quando considerado o efeito sazonal relacionado à retomada das aulas nos Estados Unidos.

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“Houve uma geração de vagas positiva, principalmente na questão das escolas”, explicou. Para ele, o fortalecimento do emprego pode alimentar pressões sobre os preços ao ampliar a renda disponível. “Teve um leve aumento também na quantidade de horas trabalhadas. Então isso, de novo, faz pressão na massa salarial.”

Nesse cenário, o CEO da API Capital considera que cresceu a possibilidade de aperto monetário. “Mais dinheiro em circulação tende a ser um movimento inflacionário. E aí o movimento inflacionário, o remédio para ele é subir juros”, afirmou.

Barbosa lembrou ainda das sinalizações recentes dadas por integrantes do Fed sobre o compromisso com a meta de inflação. “Se eles forem, de fato, fazer o que estão verbalizando, combater a inflação, há uma grande chance de subir os juros.”

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Inflação ainda pode virar o jogo

Apesar do fortalecimento das apostas em juros maiores, Barbosa considera que o próximo indicador de inflação dos Estados Unidos ainda terá peso suficiente para mudar novamente as expectativas do mercado.

“Eu acho que sim. E a gente precisa olhar o dado da inflação com bastante detalhe na composição”, respondeu ao ser questionado sobre a capacidade do indicador de alterar as apostas antes da decisão do Fed.

Entre os fatores que podem pressionar os preços, o executivo mencionou commodities agrícolas, derivados de petróleo e os efeitos da guerra entre Rússia e Ucrânia. Segundo ele, o conflito continua afetando mercados relevantes mesmo com as atenções internacionais mais concentradas em outras regiões.

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“A gente tem falado muito só de Ormuz, Ormuz, Ormuz, mas o conflito na região da Ucrânia e Rússia segue e ele segue batendo também na inflação”, destacou.

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Barbosa acrescentou que a economia americana enfrenta simultaneamente outros vetores de pressão, como investimentos elevados em inteligência artificial e expansão da massa salarial. “Cada dado de inflação faz muito preço, porque é um choque que só se combate com juros”, pontuou.

Estrangeiro ajudou a puxar bolsa brasileira

No mercado doméstico, Barbosa destacou a relação entre a valorização das ações e o comportamento do dólar ao analisar a semana. A bolsa acumulou alta de 5,40%, seu melhor desempenho semanal desde janeiro, apesar da estabilidade observada nos dois últimos pregões.

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Como os números consolidados sobre investidores estrangeiros só serão divulgados posteriormente, o executivo disse ter buscado sinais nos movimentos dos próprios ativos.

“Os dias em que a bolsa subiu foram os dias em que o dólar caiu”, afirmou. “Isso tende a dar um indicativo de que foi muito fluxo estrangeiro fazendo preço.”

Barbosa chamou atenção especialmente para a quarta-feira, responsável, segundo ele, por metade da valorização semanal da bolsa. Naquele dia, uma pesquisa eleitoral apontou redução da vantagem do atual presidente em relação à oposição.

Ainda assim, o CEO rejeitou atribuir o movimento positivo da bolsa diretamente ao cenário político brasileiro. Para ele, a explicação passa principalmente pela maneira como investidores internacionais posicionam recursos em mercados emergentes.

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“O percentual de alocação de emergentes, o percentual de alocação de Brasil na carteira dele é muito pequeno. Então, ele mexe com muita rapidez”, explicou.

Na leitura de Barbosa, “o que fez esse movimento positivo na bolsa foi o estrangeiro. Nada com relação ao que a gente está vendo no nosso cenário político.”

Crise no STF ainda não faz preço, diz Barbosa

Questionado sobre o embate institucional no Supremo Tribunal Federal, Barbosa afirmou que investidores ainda acompanham o episódio a distância por considerá-lo, neste momento, predominantemente político.

“O mercado tende a acompanhar um pouco mais de longe esse tipo de problema, principalmente porque é algo político e que não deve gerar preço para os principais indicadores, geração de emprego, geração de demanda, geração de oferta”, disse.

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Segundo o executivo, ainda não há uma leitura clara, positiva ou negativa, do impacto da crise sobre os ativos. “Na minha leitura, o mercado não tem acompanhado, não tem colocado nem uma visão positiva, nem uma visão negativa para isso que está acontecendo por enquanto.”

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