Siga o Times Brasil - Licenciado Exclusivo CNBC no
França dá sinais de crise semelhante à do euro, mas os riscos são diferentes desta vez
Publicado 23/10/2026 • 14:50 | Atualizado há 24 minutos
OpenAI negocia captação de US$ 30 bilhões e prepara abertura de capital em 2027
Elon Musk investe cerca de US$ 1 bilhão na Skydance
Barclays planeja cortar 5 mil empregos com avanço da inteligência artificial
CEO da Nvidia diz que demanda por neoclouds está “nas alturas”, mas falta capital
Anthropic anuncia prévia do Claude Duet, agente pessoal de IA para competir com Muse e Dots
Publicado 23/10/2026 • 14:50 | Atualizado há 24 minutos
KEY POINTS
O agravamento dos problemas econômicos e políticos da França tem levado investidores a questionar se a crise da dívida do país pode se espalhar para o restante da zona do euro.
Os mercados financeiros já emitem sinais de alerta sobre a segunda maior economia da região. O euro continua pressionado e acumula desvalorização de quase 5% frente ao dólar desde o início do ano.
O rendimento dos títulos públicos franceses de dez anos, referência para o custo de financiamento do governo, ultrapassou 5% nesta semana pela primeira vez desde 2002 e continuou subindo.
A diferença entre os juros dos títulos franceses e alemães de dez anos, um importante indicador de risco acompanhado pelos investidores, superou 170 pontos-base na quinta-feira (22), algo que não acontecia desde a crise da dívida da zona do euro, no início da década de 2010. O custo dos contratos de proteção contra um eventual calote do governo francês também atingiu o maior nível desde aquele período.
A principal preocupação é a fragmentação financeira, situação em que países que compartilham a mesma moeda passam a enfrentar custos de financiamento muito diferentes. Isso aumenta a tensão nos mercados e pode provocar uma escalada das despesas com a dívida dos países mais afetados.
A crise da dívida soberana da zona do euro, no início da década de 2010, mostrou como os problemas financeiros de um país podem se espalhar rapidamente entre economias que dividem uma moeda e um banco central, mas mantêm políticas fiscais próprias.
A crise começou na Grécia e se estendeu a países como Portugal, Irlanda, Itália e Espanha.
Na época, os governos tiveram de socorrer bancos em dificuldades, que possuíam grandes volumes de títulos públicos. Isso criou um círculo vicioso: os problemas dos bancos pressionavam as contas dos governos, enquanto o aumento do risco soberano prejudicava ainda mais as instituições financeiras.
A situação só começou a melhorar após a adoção de programas de resgate associados a medidas rigorosas de austeridade. Em 2012, o então presidente do Banco Central Europeu (BCE), Mario Draghi, prometeu fazer “o que fosse necessário” para preservar o euro.
Agora, economistas alertam para a formação de um novo círculo vicioso, não apenas na França, mas também em grandes economias como Estados Unidos e Reino Unido. A preocupação dos investidores com o aumento das dívidas públicas eleva os juros exigidos para financiar os governos, ampliando os custos de pagamento e agravando o próprio endividamento.
Em artigo publicado em 8 de outubro, o economista Paul Krugman, vencedor do Prêmio Nobel de Economia, alertou que a diminuição da procura por títulos públicos pode aumentar o risco de um governo ficar sem recursos para pagar os juros e o principal de sua dívida.
“O receio de um calote provoca ainda mais fuga de capitais, o que aumenta o temor de inadimplência e eleva as taxas de juros”, escreveu.
A França apresenta um dos maiores déficits públicos em relação ao Produto Interno Bruto (PIB) entre os 21 países da zona do euro, além de uma dívida crescente.
A economia francesa também perdeu força, levando o governo a reduzir sua previsão de crescimento para apenas 0,5% em 2026.
As dificuldades fiscais se somam à instabilidade política e aos protestos sociais, que aumentam as dúvidas sobre a capacidade do governo de implementar medidas para estabilizar as contas públicas.
“Estamos profundamente mergulhados em uma crise francesa”, afirmou Carsten Brzeski, diretor global de pesquisa macroeconômica e economista-chefe para a zona do euro do ING, em resposta por e-mail.
“Não há risco de um problema imediato de liquidez para o governo francês, mas a falta de confiança do mercado de títulos e a continuidade da crise deveriam finalmente gerar um forte senso de urgência em Paris”, acrescentou.
John Stopford, diretor de investimentos em estratégias de renda de múltiplos ativos da Ninety One, afirmou que a França deixou de ser vista como um mercado central, ou próximo do núcleo mais seguro da Europa, e passou a ser considerada cada vez mais próxima dos países periféricos pelos investidores em renda fixa.
Ele classificou essa mudança como “bizarra”, considerando a importância histórica da França para a União Europeia e seu peso econômico no continente.
“Nós, como investidores, optamos por enquanto por evitar praticamente todos os países europeus que não fazem parte do núcleo central. A situação muda muito rapidamente e há incerteza demais para justificar uma exposição”, afirmou durante uma teleconferência.
Siga o Times | CNBC no Google e receba as principais notícias do Brasil e do Mundo.
Siga o Times | CNBCApesar dos sinais de tensão nos mercados, os analistas ouvidos pela CNBC concordam, em linhas gerais, que as reformas adotadas desde a última crise reduziram o risco de contágio para outros países.
Segundo Stopford, a diferença entre os juros dos títulos franceses e alemães provavelmente precisaria ultrapassar a faixa dos 200 pontos-base para que o mercado passasse a considerar a situação uma crise propriamente dita. Ainda assim, ele reconheceu que o cenário francês é preocupante.
“Os diferenciais de juros da França estão agora acima dos níveis registrados no auge da crise dos países periféricos no início da década de 2010, mas continuam muito abaixo dos extremos observados na Espanha, Itália, Grécia e Irlanda naquela época”, explicou à CNBC.
Por isso, segundo ele, o mercado parece considerar que a situação ainda precisaria piorar antes que as instituições europeias começassem a agir para conter os danos.
Estrategistas da BlackRock também destacaram que o cenário atual é “substancialmente diferente” daquele que antecedeu a crise da dívida da zona do euro, entre 2011 e 2012.
Segundo eles, a região está mais preparada para enfrentar turbulências financeiras, embora novas oscilações e efeitos sobre outros mercados continuem possíveis.
“A venda de títulos franceses mostra como a disputa por capital está transformando os mercados de renda fixa em meio a um reajuste global das taxas de juros”, escreveram os analistas.
“O aumento do endividamento público e dos investimentos relacionados à inteligência artificial está elevando os custos de financiamento e levando os investidores a examinar com mais rigor os tomadores de recursos cujas condições financeiras estão se deteriorando”, acrescentaram.
George Lagarias, economista-chefe da Forvis Mazars, avalia que a França já enfrenta uma crise da dívida. Ele citou o endividamento público de 119% do PIB ao fim do segundo trimestre de 2026, próximo dos 128% registrados pela Grécia no fim de 2009.
Segundo Lagarias, um eventual contágio seria percebido pelo aumento da diferença entre os juros franceses e alemães, seguido pela elevação dos preços dos contratos de proteção contra calote, conhecidos como credit default swaps (CDS).
Caso a crise se espalhasse, países como Itália e Espanha também enfrentariam custos de financiamento mais elevados e poderiam ser obrigados a reduzir gastos públicos, aumentando o risco de reações políticas internas.
“Os países periféricos da Europa ficariam sob enorme pressão, mesmo que suas contas públicas estejam em condições muito melhores do que há alguns anos”, afirmou à CNBC.
Apesar das preocupações, Lagarias destacou que diferenças estruturais importantes reduzem o risco de uma crise generalizada como a do início da década de 2010. Ele estimou essa probabilidade entre 10% e 20%.
“A Grécia tinha um déficit comercial muito elevado. A França também registra déficit comercial, mas os números são bem menos preocupantes”, afirmou por e-mail.
O economista também ressaltou que o Instituto Nacional de Estatística e Estudos Econômicos da França (Insee) não deve apresentar informações falsas sobre o déficit público, ao contrário do que ocorreu na Grécia.
Em 2009, o governo grego revisou drasticamente sua estimativa de déficit orçamentário, de 3,7% do PIB, na primavera europeia, para 12,5% em outubro. A mudança comprometeu a confiança na credibilidade das contas públicas do país e ajudou a acelerar a crise.
“Os níveis da dívida francesa são preocupantes, mas conhecidos. Os mercados conseguem lidar com riscos conhecidos. O que eles detestam são surpresas”, afirmou Lagarias.
“O que derrubou a Grécia foi a revelação repentina de um déficit cinco vezes maior do que a estimativa oficial. Foi isso que desencadeou a crise”, acrescentou.
Alex Everett, diretor de investimentos em gestão de juros da Aberdeen Investments, também considera que a situação atual deve ser tratada principalmente como um risco específico da França, e não como uma ameaça sistêmica à zona do euro.
“Em comparação com o início da década de 2010, a zona do euro tem bancos mais sólidos, maior integração e diversos instrumentos criados para limitar o risco de fragmentação da dívida soberana”, afirmou.
“Espero que qualquer efeito de contágio seja de curta duração”, concluiu.
🔷 Canal 562 ClaroTV+ | Canal 562 Sky | Canal 592 Vivo | Canal 187 Oi | Operadoras regionais
🔷 TV SINAL ABERTO: parabólicas canal 562
🔷 ONLINE: www.timesbrasil.com.br | YouTube
🔷 FAST Channels: Samsung TV Plus, LG Channels, TCL Channels, Pluto TV, Roku, Zapping | Novos Streamings
Este conteúdo foi fornecido pela CNBC Internacional e a responsabilidade exclusiva pela tradução para o português é do Times Brasil.
Maiores Audiências
1
GERP: Flávio tem 53 pontos e Lula, 47; distância aumenta a cinco dias das eleições
2
Lula promete tarifa zero a cinco dias do 2º turno, mas não detalha como bancar custo bilionário
3
PESQUISA QUE ACERTOU PRIMEIRO TURNO: Flávio tem 53% e Lula 47% dos votos válidos, diz Gerp
4
DECISÃO 2026: “Lula, para virar presidente, vai ter que crescer no Sudeste”, diz diretor do Paraná Pesquisas Murilo Hidalgo
5
Na guerra da quebra de sigilo, campanha de Flávio Bolsonaro escala Deltan Dallagnol para analisar documentos entregues por Lula