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Fraude imigratória nos EUA pode levar brasileiros a mais de 10 anos de prisão, diz advogada
Publicado 24/04/2026 • 15:40 | Atualizado há 3 semanas
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Publicado 24/04/2026 • 15:40 | Atualizado há 3 semanas
KEY POINTS
A atuação de brasileiros presos nos Estados Unidos por suspeita de integrar um esquema de fraude ligado à empresa Legacy Imigra pode resultar em penas severas de prisão, incluindo acusações por crime organizado. A avaliação é de Larissa Salvador, advogada de imigração nos EUA, ao comentar a operação conduzida pelas autoridades do Condado de Orange.
Segundo a investigação, o grupo teria movimentado mais de US$ 20 milhões (R$ 100,6 milhões) por meio de manipulação de processos migratórios e extorsão de clientes. Para Larissa, a gravidade do caso amplia a exposição criminal dos envolvidos.
“Eles não somente vão ter que arcar com as consequências de terem dado entrada em vários casos fraudulentos de imigração, quanto também com acusações de terem agido como uma organização criminosa. Provavelmente vão ter uma pena bem pesada aqui nos Estados Unidos”, afirmou nesta sexta-feira (24), em entrevista ao Real Time, jornal do Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC.
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A especialista destaca que a punição pode variar conforme o grau de participação de cada acusado, mas diz que o principal responsável pelo esquema pode enfrentar longa condenação.
“Para a pessoa principal, que seria o Wagner, provavelmente não vai ser nada menos do que dez anos, no mínimo. Para as outras pessoas, vai depender do nível de envolvimento”, explicou.
De acordo com Larissa Salvador, a empresa se apresentava como especialista em imigração e prometia soluções para regularização migratória, mesmo sem base legal para muitos pedidos apresentados às autoridades americanas.
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“Eles estavam se passando por pessoas que tinham o know-how de fazer casos imigratórios. Esse foi o começo do problema”, ressaltou.
Segundo a advogada, clientes eram induzidos a ingressar com pedidos frágeis ou inconsistentes, como solicitações de asilo e outros vistos sem respaldo jurídico. Em alguns casos, documentos eram retidos até novos pagamentos.
“Quando recebiam a documentação, seguravam os papéis até a pessoa pagar o restante do que eles cobraram”, relatou.
Ela também afirmou que havia oferta de suposto financiamento dos processos, mascarado por cobranças vinculadas a uma loja de móveis. “A pessoa recebia um boleto como se estivesse pagando por um colchão financiado, sendo que estava literalmente pagando por um processo imigratório”, pontuou.
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Larissa alerta que muitos clientes da empresa podem agora enfrentar consequências migratórias graves, especialmente aqueles que tiveram pedidos protocolados sem fundamento legal. “Para essas pessoas que simplesmente protocolaram casos que não tinham base, elas praticamente assinaram a própria ordem de deportação”, frisou.
Segundo ela, além do risco de rejeição dos pedidos por juízes de imigração, aprovações anteriores ligadas ao esquema também podem ser revistas pelas autoridades americanas. “Todos os casos da Legacy que tiveram aprovação também podem ser investigados e talvez revogados”, destacou.
Apesar disso, parte das vítimas pode buscar proteção legal caso consiga comprovar extorsão ou outros crimes sofridos durante o processo. “Algumas pessoas que foram vítimas de extorsão talvez sejam candidatas ao visto U, destinado a vítimas de crimes qualificados que colaboram com as autoridades”, lembrou.
A advogada afirma que o endurecimento das políticas migratórias recentes aumentou a vulnerabilidade de estrangeiros em situação irregular, o que ajudou a alimentar o esquema. “Todo mundo está desesperado. Todo mundo busca uma forma de legalização, uma carteira de trabalho, uma carteira para dirigir”, disse.
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Ela relata que muitos imigrantes buscavam apenas tranquilidade para trabalhar e circular sem medo de abordagem policial. “Essas pessoas estavam buscando uma forma de conseguir dormir à noite, ter paz, não se preocupar se iam voltar para casa ou não”, apontou.
Larissa recomenda que brasileiros procurem exclusivamente profissionais devidamente habilitados para atuar em imigração nos EUA e desconfiem de promessas fáceis.
“Por favor, procure um advogado licenciado. A única pessoa que pode te dar conselho jurídico aqui é um advogado, ninguém mais”, concluiu.
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Segundo ela, qualquer profissional que se apresente como advogado deve informar o chamado Bar Number, registro equivalente ao número da OAB, utilizado para comprovar licença profissional nos Estados Unidos.
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