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Pílulas de GLP-1 para emagrecer podem levar empresas a reduzir a cobertura médica
Publicado 26/06/2026 • 14:15 | Atualizado há 1 hora
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As novas versões em comprimido dos medicamentos GLP-1 devem impulsionar ainda mais a demanda por esses populares tratamentos para perda de peso. No entanto, a novidade também pode representar uma má notícia para funcionários que esperam que seus planos de saúde corporativos arquem com os custos.
A Novo Nordisk, fabricante do Wegovy, lançou seu comprimido para emagrecimento no início de janeiro, enquanto a Eli Lilly começou a distribuir o Foundayo em abril. Embora muitos analistas esperassem que as versões orais fossem financeiramente mais atraentes, elas custam praticamente o mesmo que as injetáveis para as empresas que oferecem cobertura por meio do seguro-saúde.
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Essa realidade, somada ao fato de que mais pessoas tendem a preferir uma pílula a uma injeção, tem deixado os empregadores cautelosos. Uma pesquisa do Business Group on Health mostrou que 87% das empresas acreditam que a disponibilidade dos medicamentos orais aumentará a demanda por GLP-1, enquanto apenas 9% esperam uma redução nos preços.
Segundo a consultoria Mercer, quase metade das grandes empresas oferecia cobertura para medicamentos GLP-1 aprovados para perda de peso em 2025. No entanto, os custos vêm se tornando proibitivos. Em uma pesquisa recente da NFP, 51% dos empregadores apontaram os GLP-1 como o principal fator por trás da alta dos gastos com medicamentos prescritos.
“Os empregadores afirmam que o aumento dos custos farmacêuticos é insustentável”, disse Nick Conway, presidente da divisão Rx Solutions da NFP.
Os medicamentos contra a obesidade, cujos preços de tabela variam entre US$ 1 mil e US$ 1.350 por mês antes da cobertura do seguro, representam uma barreira significativa para pacientes que poderiam se beneficiar da perda de peso e da redução de problemas de saúde associados.
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Embora as empresas normalmente não paguem o preço cheio, estimativas do Institute for Clinical and Economic Review indicam que o custo líquido ainda fica entre US$ 569 e US$ 664 mensais por funcionário, mesmo após descontos.
Tudo isso ajuda a explicar por que a chegada dos comprimidos revolucionários pode não resultar em uma ampliação da cobertura corporativa que beneficie os trabalhadores.
Não há dúvidas de que os funcionários desejam acesso mais barato aos medicamentos para emagrecimento. O levantamento da NFP mostrou que 29% dos trabalhadores estariam dispostos a trocar de emprego para obter cobertura para GLP-1.
“São opções extremamente importantes que os funcionários procuram no ambiente de trabalho”, afirmou Conway.
Os empregadores reconhecem essa demanda, mas enfrentam custos crescentes e sabem que muitos dos benefícios aparecem apenas no longo prazo. Embora desejem que seus funcionários sejam o mais saudáveis possível, nem sempre estão dispostos ou conseguem absorver despesas tão elevadas, disse Raymond Brown, líder de farmácia clínica da Mercer na América do Norte.
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Muitas empresas temem arcar com altos custos iniciais apenas para ver os usuários abandonarem o tratamento posteriormente, anulando os benefícios futuros, explicou Ben Barner, especialista da corretora de seguros Brown & Brown.
Quando interrompem o uso desses medicamentos, os pacientes frequentemente recuperam o peso perdido. Por isso, empregadores hesitam em investir grandes quantias sem garantias de que os funcionários permanecerão no tratamento e colherão os ganhos de saúde a longo prazo.
Independentemente de serem comprimidos ou injeções, a preocupação com a adesão contínua permanece. E, como as versões orais não oferecem vantagens significativas de preço, elas não tornam a equação econômica mais favorável para as empresas, acrescentou Barner.
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Apesar da forte demanda dos funcionários, muitas companhias estudam maneiras de limitar ou até eliminar a cobertura.
Uma pesquisa recente da Mercer mostrou que os empregadores reduziram a cobertura para medicamentos GLP-1 voltados à perda de peso em 2026 e avaliam novos cortes para 2027. Entre empresas com 500 funcionários ou mais, 6% encerraram a cobertura em 2026, enquanto 5% planejam ou consideram fazer o mesmo em 2027.
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Siga o Times | CNBCOutra pesquisa, do Business Group on Health, indicou que 10% das empresas que atualmente cobrem esses medicamentos para controle de peso consideram improvável manter o benefício em 2027 devido aos custos.
Muitas organizações também estão endurecendo os critérios de elegibilidade. Se antes bastava um índice de massa corporal (IMC) igual ou superior a 30 — ou 27 acompanhado de uma condição médica relacionada ao peso —, algumas passaram a exigir IMC acima de 35, segundo Eileen Pincay, especialista da consultoria Segal.
Outras restringem a cobertura apenas a pacientes diabéticos ou adotam exigências mais rígidas relacionadas a mudanças de comportamento e acompanhamento médico.
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Embora tenham preços semelhantes aos das versões injetáveis, estudos clínicos indicam que os comprimidos apresentam menor eficácia na perda de peso.
Por isso, algumas empresas podem optar por não incluí-los em suas listas de medicamentos cobertos, afirmou Jeff Levin-Scherz, líder de saúde populacional da WTW.
Segundo ele, isso dependerá das políticas adotadas pelos gestores de benefícios farmacêuticos (PBMs), incluindo possíveis penalidades ou perda de descontos para empresas que não ofereçam as versões orais.
“Ainda é cedo. Não sabemos exatamente o que vai acontecer”, disse.
Enquanto isso, alguns empregadores buscam alternativas mais baratas. Uma delas é o reembolso por meio de contas específicas para despesas médicas. Outra consiste em oferecer acesso aos medicamentos por programas independentes de gestão de peso, fora dos modelos tradicionais de benefícios farmacêuticos.
A Eli Lilly, por exemplo, mantém parcerias com mais de 15 administradoras independentes, incluindo 9amHealth, GoodRx e Goodpath, para fornecer opções personalizadas de cobertura para obesidade. A Novo Nordisk possui um programa semelhante.
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Há ainda empresas que subsidiam parcialmente os custos de programas diretos ao consumidor oferecidos pelos fabricantes.
Atualmente, os comprimidos de Wegovy e Foundayo podem ser adquiridos diretamente por consumidores por preços a partir de US$ 149 por mês nas menores dosagens. Já as versões injetáveis têm preços iniciais de US$ 299 mensais para o Zepbound e US$ 199 para o Wegovy, embora o custo real aumente conforme a progressão das doses.
Um dos principais fatores por trás dos preços elevados é a limitada concorrência: apenas duas grandes farmacêuticas dominam esse mercado atualmente. Especialistas acreditam que a entrada de novos concorrentes nos próximos anos deverá pressionar os preços para baixo.
Além disso, o governo federal dos Estados Unidos anunciou iniciativas para reduzir os custos dos GLP-1. A partir de 1º de julho, esses medicamentos estarão disponíveis pelo Medicare por valores a partir de US$ 50.
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“Os preços líquidos desses medicamentos já caíram e acredito que continuarão sob pressão, especialmente à medida que novos produtos forem aprovados”, afirmou Levin-Scherz.
Por enquanto, porém, a realidade permanece a mesma: consumidores continuam pagando caro, e empregadores seguem cautelosos quanto à ampliação da cobertura.
“Eventualmente os preços vão cair. Só não será agora”, concluiu Pincay.
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Este conteúdo foi fornecido pela CNBC Internacional e a responsabilidade exclusiva pela tradução para o português é do Times Brasil.
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