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G20 não chega a acordo sobre excesso de produção industrial

Publicado 01/10/2026 • 18:30 | Atualizado há 34 minutos

KEY POINTS

  • Ministros do Comércio do G20 encerraram encontro sem consenso sobre medidas contra o excesso de capacidade industrial e o trabalho forçado nas cadeias produtivas.
  • Representante dos EUA afirmou que quase todos os países reconhecem o problema da superprodução, mas o grupo diverge sobre como enfrentá-lo.
  • Países concordaram em rejeitar o uso de alimentos como instrumento de pressão comercial, em meio a críticas europeias à Rússia pela guerra na Ucrânia.

USTR / Governo dos Estados Unidos

Reunião de ministros do Comércio do G20 em Milwaukee, nos Estados Unidos, durante encontro que discutiu temas como excesso de capacidade industrial e barreiras comerciais

Os ministros do Comércio do G20 não conseguiram chegar a um consenso sobre como enfrentar o excesso de capacidade industrial, afirmou nesta quinta-feira (1º) Jamieson Greer, principal representante comercial dos Estados Unidos. A acusação de superprodução é frequentemente dirigida à China, que rejeita as críticas.

O impasse ocorreu durante o segundo dia de reunião dos ministros do Comércio das principais economias do grupo, em Milwaukee, no Meio-Oeste dos Estados Unidos. Os EUA exercem neste ano a presidência rotativa do G20.

As divergências impediram um acordo tanto sobre o excesso de capacidade, apontado como responsável por pressionar os preços para baixo de maneira considerada injusta, quanto sobre a eliminação do trabalho forçado nas cadeias de suprimentos, segundo Greer.

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“Quase todos os países concordaram que essa é uma questão que exige ação”, disse Greer em entrevista coletiva, ao falar sobre o excesso de capacidade. Ele não respondeu se a falta de consenso ocorreu devido à oposição da China.

“E quase todos os países concordaram que nosso atual sistema de medidas ou respostas comerciais é inadequado para resolver esse problema”, acrescentou. Para Greer, essa situação justificaria ações unilaterais dos Estados Unidos.

EUA investigam 16 economias

Os Estados Unidos mantêm investigações sobre excesso de capacidade envolvendo 16 economias, entre elas China, União Europeia, Japão e Índia. Greer alertou que países que produzem em excesso correm o risco de “criar uma economia que repousa sobre um castelo de cartas”.

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O presidente Donald Trump também impôs recentemente tarifas a 60 parceiros comerciais por supostas preocupações relacionadas ao trabalho forçado, outro tema sobre o qual o G20 não conseguiu alcançar um entendimento.

G20 chega a consenso sobre alimentos

Apesar das divergências, os países do G20 concordaram em rejeitar “o uso de alimentos como arma por meio de ações comerciais coercitivas”, segundo Greer.

O tema elevou a temperatura das discussões durante o encontro de dois dias, depois que representantes europeus criticaram a Rússia por ataques que afetam as exportações de grãos da Ucrânia.

Moscou e Kyiv estão em guerra desde a invasão russa da Ucrânia, em 2022. Ataques russos e ucranianos contra portos do Mar Negro vêm destruindo e paralisando a capacidade de exportação agrícola em ritmo mais rápido do que os fluxos comerciais conseguem se recuperar.

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O ministro delegado da França para o Comércio Exterior, Nicolas Forissier, disse à AFP nesta quinta-feira que representantes europeus, incluindo ele próprio e integrantes das delegações alemã e britânica no G20, criticaram a Rússia pela situação.

“Temos que dizer o que pensamos, especialmente sobre o uso dos alimentos como arma”, afirmou.

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Segundo Forissier, as declarações de líderes europeus contra “a agressão da Rússia na Ucrânia” e seus efeitos sobre as exportações de alimentos representam apenas “a verdade”.

Isso não significa, segundo o ministro francês, que o clima das discussões do G20 tenha sido ruim. “Pelo contrário, acho que as discussões são bastante construtivas”, disse.

“Há um consenso sobre o fato de que não é aceitável usar alimentos e a agricultura como arma”, acrescentou.

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A Rússia é representada no encontro desta semana pelo ministro do Desenvolvimento Econômico, Maxim Reshetnikov. Na quarta-feira, ele criticou os líderes europeus por se expressarem por meio de slogans políticos, segundo a emissora estatal Russia Today.

Países ampliam negociações comerciais

Paralelamente às discussões do G20, ministros de várias economias do grupo estão aproveitando o encontro para ampliar negociações comerciais para além dos Estados Unidos, anfitriões da reunião.

O Canadá, por exemplo, busca acordos comerciais bilaterais com Índia, Turquia e Arábia Saudita, além de um entendimento com a União Europeia sobre comércio digital, afirmou nesta quinta-feira a jornalistas o ministro canadense do Comércio Internacional, Maninder Sidhu.

Segundo Sidhu, Canadá e Índia esperam concluir as negociações “nos próximos meses”.

O ministro canadense também se reuniu com Greer à margem do encontro do G20 e disse à AFP que os dois lados discutiram, entre outros assuntos, uma maior cooperação entre Canadá e Estados Unidos.

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Os países também buscam cooperação com Washington para reduzir tarifas comerciais.

Uma autoridade mexicana afirmou nesta quinta-feira que o México está fazendo “progressos constantes” em direção a um acordo tarifário com os Estados Unidos.

“Esperamos ter algumas reduções em aço, automóveis e alumínio”, disse a autoridade, sob condição de anonimato.

Questionada sobre a possibilidade de um acordo antes das importantes eleições de meio de mandato dos Estados Unidos, a autoridade afirmou que o México não pretende apressar as negociações.

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