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EUA ampliarão pressão econômica sobre Irã no G20 em meio a tensões comerciais

Publicado 27/08/2026 • 20:20 | Atualizado há 1 hora

KEY POINTS

  • Scott Bessent deve reforçar no G20 a importância do cumprimento das sanções contra Teerã e ampliar os esforços de isolamento econômico.
  • A estratégia de Washington pode aumentar as tensões com Pequim, principal compradora de petróleo iraniano, antes da esperada reunião entre Trump e Xi Jinping em setembro.
  • A reunião em Asheville ocorrerá em meio a disputas comerciais, aumento das preocupações com a dívida dos EUA e impactos econômicos da guerra no Oriente Médio, elevando o risco de fragmentação do grupo.

O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, pretende intensificar os esforços para pressionar economicamente o Irã durante a reunião do G20 na próxima semana. O encontro ocorrerá em meio às tensões comerciais e à guerra no Oriente Médio, segundo um funcionário americano ouvido na quinta-feira.

Ministros das Finanças e presidentes de bancos centrais das maiores economias do mundo deverão se reunir na próxima segunda e terça-feira, na cidade montanhosa de Asheville, na Carolina do Norte.

A reunião será a primeira de uma série de encontros ministeriais importantes previstos para este ano e ajudará a preparar a cúpula de líderes do G20, que o presidente Donald Trump sediará em dezembro, na Flórida.

Em Asheville, autoridades americanas deverão reforçar aos integrantes do grupo a importância de cumprir as sanções impostas ao Irã, enquanto aumenta a pressão sobre Teerã em meio ao conflito no Oriente Médio, informou um funcionário do Departamento do Tesouro a jornalistas. Segundo a fonte, Bessent fará apelos diretamente a seus homólogos durante reuniões bilaterais. O funcionário, porém, não informou quais autoridades participarão desses encontros nem se a China estará entre elas.

O G20 reúne 19 países, além da União Europeia e da União Africana. O grupo foi criado após a crise financeira asiática de 1997-1998 com o objetivo de promover a estabilidade econômica e financeira global. Neste ano, entretanto, a África do Sul foi excluída do G20 durante a presidência americana, enquanto Washington convidou a Polônia para participar.

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As autoridades dos Estados Unidos também deverão abordar questões como o excesso de capacidade industrial, medidas para estimular um crescimento econômico mais forte e a formação de cadeias de suprimentos confiáveis para recursos essenciais, incluindo energia.

Embora a agenda do G20 tenha se expandido ao longo dos anos para temas como mudanças climáticas e saúde global, analistas esperam que Washington defenda neste ano uma estratégia mais concentrada nos temas econômicos tradicionais.

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A expectativa é de um retorno ao foco em dívida, comércio, estabilidade financeira e regulamentação bancária, afirmou Josh Lipsky, presidente de economia internacional do think tank Atlantic Council, à AFP. O encontro acontecerá, contudo, em um momento de pressão sobre a liderança global dos Estados Unidos.

As preocupações com o nível de endividamento americano aumentaram, enquanto as tarifas abrangentes impostas por Trump contra concorrentes e antigos aliados, como o Canadá, vêm provocando tensão nas relações internacionais.

Os países também enfrentam os impactos econômicos dos ataques conjuntos dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, iniciados em fevereiro. O conflito mergulhou o Oriente Médio em uma guerra e provocou aumento nos custos de energia.

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Bessent já apresentou planos para ampliar o isolamento econômico do Irã, incluindo o aumento das ameaças de sanções secundárias e alertas sobre consequências severas para países que não participarem da campanha americana. A estratégia, porém, provavelmente colocará Washington diante da China, principal compradora do petróleo iraniano. O cenário se torna ainda mais delicado diante da expectativa de uma cúpula entre Trump e o líder chinês Xi Jinping em setembro.

Ao comentar o ambiente do encontro, Lipsky afirmou que a guerra comercial entre Estados Unidos e Canadá, somada aos alertas de Bessent sobre possíveis sanções contra outros integrantes do G20, aumenta a percepção de que o grupo pode se fragmentar.

“Acho que esse é realmente o desafio desta reunião”, disse ele.

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