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Governo Trump mantém plano de muro na fronteira do Texas apesar de bloqueio judicial

Publicado 23/10/2026 • 15:59 | Atualizado há 14 minutos

KEY POINTS

  • A construção de barreiras na fronteira com o México enfrenta resistência de comunidades locais e organizações ambientais, além de uma suspensão judicial na região de Big Bend.
  • Rodney Scott sustenta que o governo está avançando no cronograma e espera terminar o muro principal em dezembro do próximo ano.
  • O comissário também destacou a redução de algumas operações migratórias em cidades americanas e o aumento da preocupação com drones utilizados por cartéis.

AFP

O governo de Donald Trump pretende dar continuidade à construção de estruturas de segurança na fronteira com o México, incluindo na região de Big Bend, no Texas. Apesar da suspensão judicial das obras na área, o chefe da Alfândega e Proteção de Fronteiras dos Estados Unidos (CBP), Rodney Scott, voltou a defender a iniciativa e afirmou que o controle da entrada no país é uma prioridade que não pode ser negociada.

Em entrevista à Associated Press (AP), Scott justificou o investimento de US$ 46 bilhões (R$ 232 bilhões) como parte da estratégia de proteção da fronteira. O plano, no entanto, enfrenta críticas de moradores, empresários, proprietários de terras e ambientalistas, que questionam os custos e temem impactos ambientais em uma região com um histórico de poucas passagens de migrantes.

O projeto prevê a instalação de barreiras metálicas de até nove metros, obstáculos contra veículos, estradas de acesso e equipamentos de monitoramento ao longo de cerca de 3.200 quilômetros da divisa entre os dois países. De acordo com Scott, as equipes avançam aproximadamente 19 quilômetros por semana. A expectativa é concluir o muro principal em dezembro de 2027 e finalizar o conjunto das obras até o encerramento do segundo mandato de Trump.

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A expansão, porém, enfrenta um entrave na Justiça. Neste mês, um magistrado suspendeu os trabalhos em Big Bend, incluindo áreas do parque nacional, por considerar que havia risco de prejuízos graves e irreversíveis aos responsáveis pela ação judicial. O governo contestou a decisão e levou o caso à Suprema Corte.

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A controvérsia se intensificou depois que máquinas foram vistas realizando escavações no parque, em agosto. Na ocasião, Scott interrompeu as atividades para conversar com a comunidade local. Embora tenha evitado apresentar detalhes enquanto o processo continua, ele afirmou que não pretende instalar grandes muros de aço dentro do parque. Para o comissário, entretanto, a geografia natural da região não elimina os riscos de entrada ilegal e pode deixar pontos vulneráveis à atuação de organizações criminosas.

Scott também falou sobre a participação da CBP nas operações migratórias realizadas longe da fronteira. A agência foi alvo de críticas após Alex Pretti, cidadão americano, morrer baleado por agentes federais durante uma ação em Minneapolis. O caso provocou mudanças na atuação do governo, que reduziu operações ostensivas em cidades.

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Segundo o comissário, a CBP segue colaborando com o Serviço de Imigração e Controle de Alfândegas (ICE), mas diminuiu o número de agentes empregados no interior do país após a ampliação do efetivo do próprio ICE. Scott não comentou a investigação conduzida pelo FBI sobre a morte de Pretti.

Outro tema levantado pelo chefe da agência foi o uso de drones por cartéis mexicanos. Durante uma visita à fronteira canadense, ele afirmou que esses equipamentos vêm sendo utilizados para transportar mercadorias ilegais e acompanhar a movimentação das forças americanas. Como resposta, o Departamento de Segurança Interna estabeleceu limitações temporárias para voos de drones não autorizados em uma faixa de aproximadamente 1,6 quilômetro ao norte da fronteira com o México.

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