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“Grande estupidez”: Londres e Maurício reagem a ataque de Trump sobre entrega das ilhas Chagos

Publicado 20/01/2026 • 17:01 | Atualizado há 29 minutos

AFP

KEY POINTS

  • "De forma impressionante, nosso 'brilhante' aliado da Otan, o Reino Unido, planeja atualmente ceder a ilha de Diego Garcia, local de uma base militar americana vital, a Maurício, e fazê-lo sem nenhuma razão", escreveu Trump.
  • A crítica surge no momento em que o presidente americano ameaça reacender uma guerra comercial com a Europa, devido à oposição europeia à sua intenção de tomar posse da Groenlândia.
  • "Não podemos voltar atrás", e o Parlamento britânico, onde o texto está sendo analisado, "não pode anular sua assinatura", reagiu também o secretário de Estado para relações intergovernamentais, Darren Jones, à rádio Times.

As Ilhas Maurício e o Reino Unido defenderam nesta terça-feira (20) seu acordo sobre a restituição do arquipélago de Chagos — sede de uma base militar americana —, depois que Donald Trump o qualificou como uma “grande estupidez”, em um novo ataque verbal contra um de seus aliados mais próximos.

A crítica surge no momento em que o presidente americano ameaça reacender uma guerra comercial com a Europa, devido à oposição europeia à sua intenção de tomar posse da Groenlândia.

“O fato de o Reino Unido abandonar uma terra extremamente importante é um ato de GRANDE ESTUPIDEZ, e se soma a uma longa lista de razões de segurança nacional pelas quais a Groenlândia deve ser adquirida”, afirmou Donald Trump em sua rede, Truth Social.

“De forma impressionante, nosso ‘brilhante’ aliado da Otan, o Reino Unido, planeja atualmente ceder a ilha de Diego Garcia, local de uma base militar americana vital, a Maurício, e fazê-lo SEM NENHUMA RAZÃO”, escreveu Trump.

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A base de Diego Garcia teve uma importância estratégica considerável para o Reino Unido e os Estados Unidos durante a Guerra Fria e desempenhou um papel fundamental nas duas guerras lideradas pelos EUA no Iraque (1990-1991, 2003-2011) e nos bombardeios americanos no Afeganistão em 2001. Recentemente, a base foi utilizada para lançar ataques de bombardeiros B-2 contra os rebeldes houthis do Iêmen, aliados do Irã contra Israel na guerra em Gaza.

Londres defendeu imediatamente sua decisão. Um porta-voz de Downing Street afirmou, em declaração enviada à AFP, que o acordo “garante o funcionamento da base conjunta americano-britânica de Diego Garcia por gerações, graças a disposições sólidas que visam preservar suas capacidades únicas e impedir qualquer intrusão de nossos adversários”.

“Esperamos, portanto, que o Reino Unido prossiga com o processo legislativo já iniciado”, ressaltou em comunicado o ministro da Justiça de Maurício, Gavin Glover.

“Não podemos voltar atrás”

“Não podemos voltar atrás”, e o Parlamento britânico, onde o texto está sendo analisado, “não pode anular sua assinatura”, reagiu também o secretário de Estado para relações intergovernamentais, Darren Jones, à rádio Times.

De acordo com o texto de maio de 2025, o Reino Unido restitui as Chagos a Maurício, mas mantém um arrendamento de 99 anos sobre a ilha principal, Diego Garcia, a fim de manter a base militar em operação nesta região estratégica.

O secretário de Estado americano, Marco Rubio, havia saudado na época, no X (antigo Twitter), um acordo que “assegura uma exploração a longo prazo, estável e eficaz” da base, “essencial para a segurança regional e mundial”.

No entanto, em uma reviravolta espetacular, Donald Trump parece questionar esse apoio, apesar do apelo ao diálogo com os Estados Unidos lançado pelo primeiro-ministro Keir Starmer sobre o tema da Groenlândia. O líder trabalhista britânico sempre se esforçou para preservar as relações com o republicano, embora o presidente americano e seu governo critiquem regularmente sua política migratória ou denunciem supostas violações à liberdade de expressão no Reino Unido.

“Não há dúvida de que a China e a Rússia notaram este ato de total fraqueza”, estimou o presidente americano na Truth Social. Traçando um paralelo entre o arquipélago de Chagos e a Groenlândia, Trump acrescentou: “a Dinamarca e seus aliados europeus devem FAZER O QUE É CERTO”.

No Reino Unido, onde o acordo sobre as Chagos foi duramente criticado pela oposição, alguns celebraram as declarações de Trump. “Graças a Deus, Trump se opõe ao abandono das ilhas Chagos”, reagiu o líder do partido anti-imigração Nigel Farage no X.

“O presidente Trump disse o que repetimos desde sempre: a capitulação sobre as Chagos por 35 bilhões de libras proposta pelo Labour (Partido Trabalhista) é um mau negócio para o Reino Unido e para nossa segurança nacional”, afirmou também a porta-voz do Partido Conservador para questões diplomáticas, Priti Patel.

“Profunda injustiça”

Londres manteve o controle das ilhas Chagos quando Maurício obteve sua independência do Reino Unido em 1968. Cerca de 2.000 habitantes do arquipélago foram expulsos nos anos seguintes, especialmente de Diego Garcia, para a instalação da base militar.

Em 2019, a Assembleia Geral da ONU pediu que o Reino Unido devolvesse o arquipélago a Maurício em seis meses, após uma decisão no mesmo sentido da Corte Internacional de Justiça.

“Por mais de sessenta anos, esta situação permanece como uma fonte de profunda injustiça. A soberania da República de Maurício sobre o arquipélago de Chagos já é reconhecida sem ambiguidade pelo direito internacional e não deveria mais ser objeto de debate”, enfatizou Glover.

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