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Em Israel, como a guerra, segurança e aritmética de coalizão moldam a eleição de amanhã (27)

Publicado 26/10/2026 • 08:09 | Atualizado há 15 minutos

KEY POINTS

  • Israel vota na terça-feira (27) na primeira eleição desde os ataques do Hamas e desde o início da guerra contra o Irã
  • Pesquisas deixam os blocos de Netanyahu e de Eisenkot abaixo das 61 cadeiras e tornam decisivos os partidos menores
  • Guerra, recrutamento de ultraortodoxos e gasto militar de cerca de 8% do Produto Interno Bruto pautam o voto dos israelenses
Israel

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu

Guerra, segurança e a conta das coalizões no Parlamento definem a eleição de Israel na terça-feira (27), a primeira desde os ataques do Hamas, em 7 de outubro de 2023, e desde o início da guerra de Estados Unidos e Israel contra o Irã, em fevereiro.

A análise da repórter Chloe Taylor, da CNBC, reúne avaliações de especialistas ouvidos pela emissora sobre os fatores que pesam na votação.

Os ataques do Hamas mataram cerca de 1.200 pessoas e resultaram no sequestro de mais de 250. O Ministério da Saúde palestino afirma que a campanha militar israelense em Gaza, desde então, matou mais de 74.500 pessoas.

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Israel elege Parlamento por voto proporcional

Os israelenses votam em partidos, e não diretamente em um primeiro-ministro. As 120 cadeiras do Knesset, o Parlamento do país, são distribuídas por representação proporcional, e cada partido precisa de pelo menos 3,25% dos votos nacionais para entrar.

Maiorias absolutas são raras, e por isso os partidos costumam formar coalizões. O presidente pede a um parlamentar, em geral o líder com mais chances de reunir 61 cadeiras, que forme o governo. Se as tentativas fracassam, uma nova eleição pode ser convocada.

Pesquisas sem maioria para os dois blocos

O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, líder do partido de direita Likud, voltou ao poder no fim de 2022 com uma coalizão que incluía legendas de extrema direita e ultraortodoxas. A aliança passou a enfrentar tensões por causa do cessar-fogo em Gaza e do recrutamento de ultraortodoxos.

Pesquisas recentes colocam o bloco de Netanyahu e o principal bloco de oposição, liderado pelo ex-chefe militar Gadi Eisenkot, de centro, abaixo das 61 cadeiras necessárias para governar. Partidos menores podem, assim, decidir o resultado.

Os partidos árabes também disputam vagas, mas a maior parte das principais legendas judaicas descartou alianças com eles. Mais de 20% da população de Israel é árabe, e esses partidos raramente integraram coalizões de governo.

Guerra e segurança dominam campanha em Israel

Na avaliação de László Csicsmann, especialista em Oriente Médio da Universidade Corvinus de Budapeste, na Hungria, a votação é na prática um referendo sobre Netanyahu, e os ataques do Hamas mudaram a sociedade israelense.

“Israel está em guerra desde 7 de outubro de 2023, e a chamada ‘guerra em sete frentes’ lançada por Netanyahu desgastou, sem dúvida, a sociedade israelense”, disse Csicsmann à CNBC. “O lado que conseguir convencer melhor os eleitores de que pode proteger a população tende a vencer. Outros temas da campanha incluem o serviço militar obrigatório, particularmente sensível para os partidos judaicos religiosos e para as comunidades haredi.”

O serviço militar é obrigatório para a maioria dos judeus, drusos e circassianos israelenses com mais de 18 anos, e a maioria dos demais árabes israelenses é isenta. O recrutamento de ultraortodoxos permanece alvo de disputa jurídica e política.

Custo econômico do conflito pesa na disputa

Csicsmann afirma que os temas econômicos também dominam a campanha. Israel gasta cerca de 8% do Produto Interno Bruto com despesas militares, observa o especialista.

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“Além disso, quase toda família tem um soldado ou reservista convocado que deixou o emprego por meses”, disse à CNBC.

Confiança no governo e programas dos partidos

Daniel Schatz, cientista político e ex-pesquisador visitante em Harvard, Stanford e Georgetown, afirma que defesa e segurança estão na dianteira da disputa.

“Para Israel, o que está em jogo inclui restaurar a confiança no governo e decidir de que forma o poder militar se traduz em segurança duradoura”, disse à CNBC por e-mail. “Para os vizinhos e parceiros internacionais, a pergunta é se o próximo governo conseguirá converter conquistas no campo de batalha em arranjos políticos viáveis.”

Schatz afirma que apoiadores de Netanyahu enxergam um líder experiente que enfrenta ameaças graves, enquanto críticos apontam falhas de preparo, de prestação de contas e de rumo.

Em setembro, trechos de um livro publicados pelo jornal israelense Haaretz afirmaram que Netanyahu havia sido avisado, cerca de uma semana antes dos ataques de 7 de outubro, de que o Hamas planejava uma grande ofensiva. Netanyahu classificou a acusação de “mentira absoluta” e, segundo relatos, entrou com ação por difamação contra o jornal.

Schatz ressalta que a insatisfação com Netanyahu não deve ser confundida com apoio à esquerda. “Alguns eleitores querem uma liderança diferente justamente porque acreditam que ela entregaria segurança de forma mais eficaz.”

O Likud concorre com um programa que promete “segurança sem concessões”, defende economia e mercados financeiros livres e busca fortalecer a posição de Israel de potência regional e tecnológica.

O partido Yashar, de Eisenkot, diz querer um país “democrático, poderoso, progressista e seguro”. A legenda também foca a segurança nacional e propõe integrar comunidades ultraortodoxas e árabes ao serviço militar obrigatório.

Política de Israel para Irã e Palestina

Farzan Sabet, analista sênior do Eurasia Group, afirmou à CNBC que os principais blocos em disputa são “bastante linha-dura em segurança” e teriam políticas comparáveis em áreas-chave, a exemplo do confronto com o Irã e com o Hezbollah, no Líbano.

Um governo formado sobretudo por partidos do bloco anti-Netanyahu, segundo ele, “provavelmente preferiria rever a estratégia israelense em relação a Teerã” antes de qualquer grande escalada. Estados Unidos e Israel teriam elaborado planos para novos ataques ao Irã após as eleições legislativas de meio de mandato americanas, em 3 de novembro, e o chefe do Exército iraniano disse estar pronto para a “guerra assimétrica”.

Sabet acrescentou que esse bloco poderia ser “mais conciliatório em algumas questões”, a exemplo da ação militar em Gaza, sobretudo se isso melhorar os laços com Washington e a posição internacional de Israel sem deixar de atender às necessidades básicas de segurança.

Esse governo também tomaria menos medidas na Cisjordânia, coibiria a violência de colonos contra palestinos e evitaria a anexação de terras palestinas. A Cisjordânia é um território palestino a oeste do rio Jordão, onde assentamentos israelenses se expandem há décadas. Nos últimos anos, a violência e o deslocamento forçado de palestinos por colonos provocaram condenação de parlamentares nos Estados Unidos e em outros países.

Schatz avalia que uma mudança de primeiro-ministro e de coalizão dificilmente produziria uma guinada drástica na posição de Israel sobre Estado palestino, Irã e outras questões de política externa.

Sabet resume o quadro eleitoral. “Embora a oposição a Netanyahu tenha vantagem nas últimas pesquisas israelenses, será uma disputa apertada, com vários resultados possíveis.”

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Este conteúdo foi fornecido pela CNBC Internacional e a responsabilidade exclusiva pela tradução para o português é do Times Brasil.

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