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Fundo de ações brasileiras cai 27% nesta segunda e dólar futuro vai a R$ 5,55 em Chicago após vitória de Lula; há temores de circuit breaker

Publicado 26/10/2026 • 07:21 | Atualizado há 19 minutos

KEY POINTS

  • Fundo iShares MSCI Brazil recuava 27% às 6h50 desta segunda-feira (26) após a vitória de Lula
  • Dólar futuro chega a R$ 5,55 em Chicago, 11,2% acima do fechamento de R$ 4,99 na sexta-feira (23)
  • Maioria dos gestores ouvidos espera queda do Ibovespa acima de 5% e alta de mais de 100 pontos-base nos juros
dólar

O fundo iShares MSCI Brazil, que reúne ações brasileiras negociadas nos Estados Unidos, recuava 27% às 6h50 desta segunda-feira (26), enquanto o dólar futuro chegou a R$ 5,55 em Chicago, após a vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno da eleição presidencial.

Lula obteve 51,8% dos votos, contra 48,2% de Flávio Bolsonaro. Às 21h38 de domingo, o contrato futuro do real com vencimento em novembro, o mais ativo, recuava 11,29%, e o iShares MSCI Brazil, 18,31%. Entre as ações listadas nos Estados Unidos, a Petrobras caía 12,92%, o Itaú Unibanco 12,72%, o Bradesco 12,29%, a Vale 3,95% e a Ambev 0,61%.

Cabe ressalvar que a cotação de R$ 5,55 não representa o dólar comercial brasileiro. Os números são do mercado futuro negociado em Chicago, onde investidores podem se posicionar antes da abertura dos negócios no Brasil.

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Dólar futuro supera fechamento de sexta-feira

Na sexta-feira (23), o dólar fechou a R$ 4,99. O contrato negociado em Chicago na noite de domingo ficou R$ 0,56 acima desse nível, o que equivale a alta de 11,2%.

Antes da apuração, a moeda americana havia caído abaixo de R$ 5, e a Bolsa de Valores de São Paulo superado a marca histórica de 200 mil pontos. Desde a confirmação das candidaturas de Lula e Flávio Bolsonaro, em agosto, a Bolsa acumulava alta de 15,3%, e o dólar recuava cerca de 2%, em meio a apostas dos investidores na mudança de governo.

Desde o primeiro turno, realizado no dia 4, o real havia se valorizado mais de 4% ante o dólar, o Ibovespa subira 7% e os juros dos títulos de 10 anos tinham recuado mais de 125 pontos-base. Na semana passada, mercados de previsão indicavam 77% de probabilidade de vitória de Flávio Bolsonaro.

Fundo de ações brasileiras recua 27%

O iShares MSCI Brazil é o principal fundo de índice com ações brasileiras negociado no exterior. Na sexta-feira, encerrou o dia em alta de 1,77%.

Perto das 21h10 de domingo, a queda era de 19,63%. Às 6h50 desta segunda-feira, chegou a 27%.

Receio de circuit breaker na Bolsa

Analistas indicam que a reação deve se estender ao pregão desta segunda-feira, com pressão de alta sobre o dólar e os juros futuros e de queda sobre o Ibovespa, índice de referência do mercado acionário brasileiro.

Há temor de acionamento do circuit breaker, mecanismo que paralisa as negociações por 30 minutos quando o Ibovespa cai mais de 10%. A última vez foi em março de 2020, quando o mercado repercutia os efeitos econômicos da pandemia.

Para os investidores, a continuidade do atual governo aumenta o temor de falta de ajustes nas contas públicas. A expectativa de menor controle fiscal tende a elevar o prêmio de risco exigido para financiar o governo e a pressionar a curva de juros, o que pode encarecer o crédito às empresas e reduzir as perspectivas de lucro.

Gestores ouvidos pelo Citibank projetam queda da Bolsa

Levantamento da equipe do Citibank com 73 gestores de fundos de ações e multimercado mostra que 80% dos entrevistados esperam, com a vitória de Lula, queda superior a 5% do Ibovespa. Outros 7% preveem recuo entre 1% e 5%, e 3% projetam valorização de 1% a 5%.

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No câmbio, 63% dos gestores estimam que a moeda brasileira caia mais de 5%, 28% veem recuo entre 2% e 5%, e 6% esperam valorização superior a 5% do real.

Nos juros futuros, 67% dos gestores calculam alta superior a 100 pontos-base na taxa do contrato de DI com vencimento em janeiro de 2029, atualmente em 12,645%.

Gavekal Research recomenda compra na queda

Rohan Daswani, analista da Gavekal Research, incentiva gestores de fundos a comprar na queda. Na avaliação dele, os gastos de Lula serão limitados por um Congresso conservador, e o país tem juros reais altos e ampla exposição a commodities.

Suno Research projeta dólar a R$ 5,40 em 2027

Gustavo Sung, economista-chefe da Suno Research, afirma que “a vitória do presidente Lula não era o nosso cenário base”.

“Trabalhávamos com um leve favoritismo de Flávio Bolsonaro, e o mercado via a possibilidade de mudança de governo e de uma agenda mais liberal. Essa expectativa se traduziu na melhora da Bolsa, principalmente após o resultado do primeiro turno”, diz Sung.

Para esta semana, o economista prevê correção. “Isso deve gerar uma volatilidade bastante grande no câmbio e na curva de juros futura, com possível estresse no mercado de títulos públicos. A segunda-feira pode ser bastante volátil, porque haverá uma correção de rota e de ânimo do mercado.”

Adiante, a Suno Research vê o câmbio “em torno de R$ 5,40 de forma sustentada em 2027”. Sung acrescenta que o crescimento seria um pouco maior, mas “a inflação brasileira deve ficar mais persistente em 2027”, e que a autoridade monetária terá menos flexibilidade para cortar juros.

Faixa de R$ 5,30 a R$ 5,60 para o dólar

Em análise elaborada antes do resultado, Paula Sauer, professora da FIA Business School, projetou o dólar entre R$ 5,30 e R$ 5,60 em caso de vitória de Lula, faixa que inclui os R$ 5,55 de Chicago. Para uma vitória de Flávio Bolsonaro, a estimativa era de R$ 4,85 a R$ 5,00.

“A intensidade dependerá da margem da vitória, das primeiras sinalizações econômicas e do comportamento do dólar no exterior”, afirma Paula.

A professora observa que o mercado “reage aos fatos, mas também às histórias que conta sobre o futuro”, e que “essas histórias podem mudar muito rapidamente”.

Agenda fiscal define reação no médio prazo

Sobre os juros, Paula avalia que o primeiro sinal de política econômica procurado pelo mercado será a credibilidade do compromisso fiscal. “Os investidores vão observar quem comandará a equipe econômica, como o governo pretende controlar as despesas, qual será a trajetória da dívida e se haverá capacidade política para aprovar as medidas anunciadas.”

Sung diz que “um ajuste fiscal deve ocorrer, mas de forma muito mais moderada”, como indicam falas de Geraldo Alckmin e do ministro Dario Durigan. Na visão do economista, o ajuste seria menor do que o previsto em um governo de Flávio Bolsonaro.

Ele lembra que, “após a eleição de 2022, houve um certo pessimismo com o retorno de Lula”, mas que “2023 foi positivo para a Bolsa após a aprovação do novo arcabouço fiscal, um dos primeiros projetos de regras fiscais apresentados pelo PT”. Por isso, afirma, é preciso acompanhar “como o governo vai se organizar para 2027”.

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