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Morte de ativista de ultradireita incendeia embate político na França

Publicado 16/02/2026 • 23:20 | Atualizado há 2 horas

AFP

KEY POINTS

  • A morte de Quentin Deranque em Lyon gerou uma investigação por homicídio doloso e acirrou o embate violento entre a extrema direita e a esquerda radical.
  • O governo de centro-direita atribui uma "responsabilidade moral" ao partido França Insubmissa pelo clima de violência que antecede as eleições municipais.
  • O incidente impulsiona o debate sucessório para 2027, com Jordan Bardella liderando as preferências populares diante da inelegibilidade de Marine Le Pen.
Quentin Deranque, de 23 anos, morreu no fim de semana após uma agressão na quinta-feira à margem de um protesto da extrema direita contra um evento da eurodeputada de esquerda Rima Hassan em uma universidade de Lyon, no sudeste do país.

Reprodução / Linkdin

O governo francês acusou, nesta segunda-feira (16), a esquerda radical de incentivar um “clima de violência” a um mês das eleições municipais, dias depois da morte de um ativista de extrema direita que a Justiça investiga como “homicídio doloso”.

Quentin Deranque, de 23 anos, morreu no fim de semana após uma agressão na quinta-feira à margem de um protesto da extrema direita contra um evento da eurodeputada de esquerda Rima Hassan em uma universidade de Lyon, no sudeste do país.

A Justiça abriu uma investigação por “homicídio doloso”, indicou em coletiva de imprensa o promotor de Lyon, Thierry Dran, que detalhou que ainda não houve detenções e que as investigações continuam para identificar os autores.

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Sua morte reativou o confronto entre a extrema direita e a esquerda radical em um cenário de crescente polarização antes das eleições municipais de março e da presidencial de 2027. A porta-voz do governo francês de centro-direita, Maud Bregeon, apontou a “responsabilidade moral” do partido de esquerda radical França Insubmissa (LFI), ao qual acusou de ter “incentivado um clima de violência durante anos”.

A extrema direita atribuiu o ataque mortal a ativistas do movimento antifascista Jeune Garde (Jovem Guarda), cofundado por um deputado da LFI antes de ser eleito e que foi dissolvido em junho do ano passado. O grupo negou no domingo qualquer vínculo com os “eventos trágicos”.

“Traumatismo cranioencefálico grave”

Segundo uma fonte próxima à investigação, a agressão ocorreu na quinta-feira à tarde em meio a “um confronto entre grupos de extrema esquerda e de extrema direita”. Deranque foi derrubado e agredido por “ao menos seis indivíduos” encapuzados, em paralelo a uma aparição da eurodeputada de esquerda Rima Hassan, indicou o representante do Ministério Público.

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Quando foi atendido pelos serviços de emergência, o jovem “apresentava essencialmente lesões na cabeça”, entre elas “um traumatismo cranioencefálico grave”, acrescentou Dran durante a coletiva.

Um suposto vídeo do ataque divulgado pelo canal TF1 mostra cerca de dez pessoas agredindo três jovens no chão. Dois deles conseguem escapar. Uma testemunha disse à AFP que “eles se agrediam com barras de metal”.

O veterano líder da LFI e três vezes candidato à presidência, Jean-Luc Mélenchon, rejeitou qualquer responsabilidade no caso, que acendeu o debate para as eleições municipais do próximo mês.

Essas eleições também são consideradas um teste para a presidencial de 2027, que elegerá o sucessor de Emmanuel Macron, impedido de se candidatar após dois mandatos consecutivos. As pesquisas de opinião apontam como favorita a legenda de extrema direita Reagrupamento Nacional (RN), que, com Marine Le Pen como candidata, passou ao segundo turno nas duas eleições presidenciais vencidas por Macron.

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No entanto, a líder de extrema direita está atualmente inelegível por uma condenação por desvio de recursos públicos e, após recorrer, aguarda agora a sentença em segunda instância, prevista para julho. Caso a inelegibilidade seja mantida, seu protegido, Jordan Bardella, poderá ser o candidato à presidência pelo RN.

Segundo uma pesquisa divulgada no domingo, esse jovem e popular político, de 30 anos, seria o candidato preferido pelos franceses, à frente de Le Pen e do ex-primeiro-ministro de centro-direita Édouard Philippe.

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