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Multilateralismo não avança na velocidade exigida pela crise climática, diz especialista do Observatório do Clima
Publicado 31/07/2026 • 13:55 | Atualizado há 3 meses
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Publicado 31/07/2026 • 13:55 | Atualizado há 3 meses
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Os acordos internacionais sobre o clima ajudaram a impulsionar a transição energética, mas ainda não conseguiram reduzir as emissões na velocidade necessária para evitar os piores efeitos do aquecimento global. A avaliação é de Cláudio Angelo, coordenador de política internacional do Observatório do Clima, em entrevista ao Real Time, do Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC, nesta sexta-feira (31).
Segundo Angelo, o sistema multilateral, formado pelas negociações e compromissos firmados entre os países nas conferências do clima, já provocou mudanças na economia real, com o avanço das energias renováveis, dos veículos elétricos e de tecnologias mais baratas. O ritmo da transformação, porém, ainda é insuficiente diante da possibilidade de o planeta ultrapassar, nos próximos anos, o limite de aquecimento de 1,5°C estabelecido pelo Acordo de Paris.
“Parece claro, neste momento, que o multilateralismo, tal qual existe hoje, não vai dar conta do problema. Já não deu”, afirmou.
Ele avaliou que o planeta pode superar esse patamar nos próximos três ou quatro anos e permanecer acima dele por algumas décadas. Nesse cenário, será necessário reduzir as emissões mais rapidamente e ampliar os investimentos em adaptação para tentar fazer com que o aquecimento volte a ficar abaixo de 1,5°C ainda neste século.
Angelo afirmou que a transição energética já está em curso, apesar das dificuldades enfrentadas nas negociações internacionais. Ele citou a China como o primeiro grande “eletroestado” do planeta, devido à aposta do país em tecnologias renováveis e na eletrificação da economia.
O coordenador do Observatório do Clima também mencionou a expansão dos veículos elétricos e o avanço da energia solar, que classificou como a forma mais barata de geração de energia no mundo.
Segundo ele, essas transformações mostram que as discussões internacionais das últimas décadas produziram efeitos concretos.
“De certa forma, a gente pode dizer que já houve um sucesso dessas negociações internacionais porque elas mexeram no ponteiro da economia real”, disse.
O problema, na avaliação de Angelo, é a desconexão entre a velocidade dessa transformação e o ritmo das decisões multilaterais. Ele também criticou a posição dos Estados Unidos, que, segundo afirmou, abandonaram os esforços internacionais e passaram a defender um modelo econômico baseado em combustíveis fósseis.
Leia também: Presidente da COP31 defende fim dos combustíveis fósseis
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Siga o Times | CNBCAngelo afirmou que o financiamento climático ainda é insuficiente, sobretudo para os países mais vulneráveis, que precisam de recursos públicos a fundo perdido para enfrentar eventos climáticos extremos e adaptar suas economias.
Segundo ele, os países industrializados, principais responsáveis pelas emissões acumuladas, ainda resistem a ampliar os recursos destinados à agenda climática.
Apesar disso, o especialista avaliou que o dinheiro necessário para financiar a transição existe, mas está mal distribuído. “O dinheiro existe, mas está aplicado em lugares errados. A gente precisa reorganizar a maneira como esse dinheiro circula”, afirmou.
Entre as alternativas citadas estão mudanças no sistema tributário internacional, a tributação de bilionários e a redução dos subsídios aos combustíveis fósseis.
Angelo também mencionou o mapa do caminho para mobilizar US$ 1,3 trilhões por ano em financiamento climático, apresentado pela presidência brasileira da COP30, como uma tentativa de organizar essas fontes de recursos.
Na avaliação de Angelo, a maior parte da população mundial já reconhece a gravidade da crise climática. O principal obstáculo, segundo ele, é o poder político e econômico das indústrias de combustíveis fósseis e dos setores ligados ao desmatamento.
“A população e os eleitores sentem o problema, sabem o que está acontecendo, mas isso não chega à tomada de decisão nos níveis mais altos”, disse.
Para o coordenador do Observatório do Clima, a dificuldade revela uma crise de representatividade: a percepção social do agravamento da crise não se converte, na mesma proporção, em decisões políticas.
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