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Presidente da COP31 defende fim dos combustíveis fósseis e vê guerra no Oriente Médio como alerta energético

Publicado 08/06/2026 • 19:10 | Atualizado há 7 minutos

KEY POINTS

  • Chris Bowen afirma que escalada entre Irã e Israel reforça riscos da dependência global de combustíveis fósseis.
  • Responsável pelas negociações da COP31 quer romper impasse que marcou as últimas conferências climáticas sobre a transição energética.
  • Ministro australiano diz que países precisam acelerar acordos para reduzir o uso de petróleo, gás e carvão, apesar das divergências internacionais.

A crise provocada pelos confrontos entre Irã e Israel reforça a necessidade de acelerar a transição energética global, segundo Chris Bowen, responsável pelas negociações da COP31. Em entrevista à AFP nesta segunda-feira (8), o ministro australiano afirmou que a instabilidade no Oriente Médio evidencia a vulnerabilidade das economias que continuam dependentes dos combustíveis fósseis.

Para Bowen, a insegurança sobre o abastecimento global de energia causada pelo conflito demonstra que a solução para os desafios imediatos e de longo prazo passa pelo mesmo caminho: reduzir a dependência de fontes fósseis. “Temos que abandonar os combustíveis fósseis”, afirmou.

O ministro, que também ocupa a pasta de Clima e Energia da Austrália, será responsável por conduzir as negociações da COP31, marcada para novembro, com a missão de destravar discussões que permaneceram estagnadas nas últimas conferências climáticas.

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Pressão por avanços

Bowen assume as negociações em um cenário marcado por novas tensões geopolíticas, volatilidade nos mercados de energia e cobranças crescentes por metas mais ambiciosas de redução do uso de combustíveis fósseis.

Além dos efeitos da guerra no Oriente Médio, o negociador enfrenta a pressão de uma coalizão de países que defende uma eliminação mais rápida das fontes fósseis, apontadas como o principal fator do aquecimento global provocado pela atividade humana.

Embora a organização da próxima conferência climática seja responsabilidade da Turquia, Bowen lidera as negociações preparatórias após um acordo firmado entre Canberra e Ancara, que disputaram a realização do evento.

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Nos próximos meses, sua principal tarefa será buscar consenso entre quase 200 países, em meio à disputa por segurança energética e à perda de espaço das pautas climáticas em diversas agendas nacionais.

Construção de consenso

As reuniões climáticas realizadas em Bonn, na Alemanha, servem como etapa preparatória para a COP31 e reúnem negociadores de governos para discutir aspectos técnicos e reduzir divergências antes das decisões finais.

“Estamos falando com as partes sobre o que querem ver e tentaremos direcionar isso para um resultado muito sólido”, afirmou Bowen.

O ministro participou das últimas quatro conferências climáticas da ONU como integrante do governo do primeiro-ministro australiano Anthony Albanese.

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A preocupação de diversos países é evitar a repetição do resultado obtido na última conferência, realizada em Belém do Pará, cujo acordo final não trouxe menções explícitas à eliminação dos combustíveis fósseis.

Nesta segunda-feira, a Aliança dos Pequenos Estados Insulares, grupo formado por países altamente vulneráveis às mudanças climáticas, afirmou que o debate não pode continuar ignorando o papel dos combustíveis fósseis no aquecimento global.

Resistência e desafios

A dificuldade para avançar no tema levou cerca de 60 países a participarem, em abril, de uma reunião paralela realizada em Santa Marta, na Colômbia, dedicada exclusivamente à aceleração da transição energética.

Bowen classificou o encontro como “uma contribuição positiva”, mas evitou prever quando as propostas discutidas poderão ser incorporadas ao texto final da COP31.

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“O consenso chega em novembro com trabalho duro. Não aceitei este trabalho porque pensei que seria fácil. Aceitei este trabalho porque é difícil”, declarou.

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O ministro também reconheceu que muitos países permanecem dependentes dos combustíveis fósseis, incluindo a própria Austrália, um dos principais exportadores mundiais de carvão e gás.

Segundo ele, o modelo de decisões por consenso adotado nas conferências climáticas segue sendo alvo de críticas, mas continuará sendo a base das negociações. “É o que temos. E isso não vai mudar”, afirmou.

Responsabilidade compartilhada

Apesar do papel da Austrália como exportadora de combustíveis fósseis, Bowen argumentou que a transição energética exige esforços conjuntos de produtores e consumidores.

“Não é só tarefa dos importadores. Não é só tarefa dos exportadores. Para isso serve uma COP: para reunir todas as partes”, disse.

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A visão é compartilhada por Simon Bradshaw, responsável pela COP31 no Greenpeace Austrália Pacífico, que avalia que a Austrália pode transformar sua posição no mercado energético em influência para liderar o debate sobre a transição.

“Historicamente, a Austrália é, sem dúvida, um vilão climático, mas também pode usar sua condição de grande produtora de combustíveis fósseis para liderar a conversa sobre a transição para longe dos combustíveis fósseis”, afirmou.

Para Bowen, o principal objetivo da conferência é transmitir uma mensagem clara ao mercado e aos governos. “As COPs enviam um sinal ao restante do mundo de que o tema está sendo levado a sério. Temos que dar um sinal muito positivo. Estou convencido de que podemos fazê-lo”, concluiu.

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