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Não é só a IA — China está rapidamente ganhando vantagem sobre os EUA na biotecnologia
Publicado 05/06/2025 • 11:46 | Atualizado há 9 meses
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Publicado 05/06/2025 • 11:46 | Atualizado há 9 meses
KEY POINTS
Family offices vem focando em biotecnologia
Unsplash
Apesar de toda a atenção dada à competição entre EUA e China em inteligência artificial, novos estudos apontam para o rápido crescimento da China em biotecnologia, especialmente no desenvolvimento de medicamentos e agricultura.
Dos cinco setores tecnológicos críticos, “a China tem a oportunidade mais imediata de ultrapassar os Estados Unidos em biotecnologia”, afirmou o Centro de Ciência e Assuntos Internacionais Harvard Belfer na quinta-feira (5), ao divulgar o “Índice de Tecnologias Críticas e Emergentes”, abrangendo IA, biotecnologia, semicondutores, espaço e quântica.
Embora os EUA ainda sejam líderes em todos os cinco setores, “a estreita diferença entre EUA e China [em biotecnologia] sugere que desenvolvimentos futuros podem mudar rapidamente o equilíbrio de poder global”, afirmou o relatório.
A avaliação ecoa preocupações crescentes em Washington. De fato, a Comissão de Segurança Nacional dos EUA sobre Biotecnologia Emergente adotou um tom mais urgente em um relatório de abril, citando dois anos de pesquisa.
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“Haverá um momento ChatGPT para a biotecnologia e, se a China chegar lá primeiro, não importa o quão rápido corramos, nunca iremos alcançá-la”, disse a comissão bipartidária do Congresso no relatório, referindo-se ao chatbot transformador lançado pela OpenAI, sediada nos EUA.
“Nossa janela de ação está se fechando. Precisamos de uma estratégia de duas vias: fazer os Estados Unidos inovarem mais rápido e desacelerar a China”, afirmou a comissão. A comissão recomenda que o governo americano invista pelo menos US$ 15 bilhões nos próximos cinco anos para apoiar o setor de biotecnologia nacional.
A indústria de biotecnologia chinesa evoluiu a tal ponto que gigantes farmacêuticas americanas e europeias gastaram bilhões nos últimos meses para adquirir medicamentos desenvolvidos na China que poderiam tratar o câncer se comercializados com aprovação regulatória. Em março, a gigante farmacêutica britânica AstraZeneca anunciou que investirá US$ 2,5 bilhões em um centro de pesquisa e desenvolvimento em Pequim.
O Harvard Belfer Center destacou que os pontos fortes da China em biotecnologia decorrem de seu “domínio na produção e fabricação de produtos farmacêuticos”, além de possuir mais talentos humanos do que os EUA.
A China também possui um “regime regulatório mais flexível e a capacidade de impulsionar as coisas mais rapidamente”, disse Cynthia Y. Tong, uma das autoras do relatório de Harvard, à CNBC em entrevista na quinta-feira (5). Ela observou que os EUA tendem a ter um processo de aprovação mais longo, bem como um período de pesquisa e desenvolvimento mais longo.
E, assim como a China está desenvolvendo seu setor de biotecnologia, relatórios do centro de biotecnologia americano de Cambridge e Boston revelam demissões e laboratórios vazios.
A China há muito utiliza planos plurianuais e políticas estatais preferenciais para incentivar o desenvolvimento de tecnologias-chave. A biotecnologia não é exceção, tendo conquistado apoio de alto nível em 2007.
“Atualmente, o governo dos EUA não possui uma estratégia de biotecnologia coesa e intencional, enquanto a China está ganhando terreno graças às suas iniciativas estatais agressivas e cuidadosamente coordenadas”, afirmou a comissão de segurança dos EUA.
A preocupação é que, assim como as restrições chinesas às terras raras começam a atingir as montadoras, o domínio chinês na biotecnologia possa se tornar mais uma forma de alavancagem para Pequim sobre os EUA e outros países.
“A probabilidade de haver cooperação [entre] os EUA e a China em qualquer assunto é muito baixa, e de certa forma, menos provável em biotecnologia e IA”, devido ao relatório do Congresso, disse Eric Rosenbach, diretor do programa de defesa, tecnologias emergentes e estratégia do Belfer Center de Harvard. Ele foi chefe de gabinete do Departamento de Defesa dos EUA de 2015 a 2017.
Ele espera mais pressão dos EUA sobre a China.
Resta saber o que isso significaria na prática para as empresas — embora alguns digam que o futuro do desenvolvimento biotecnológico é inerentemente global.
A Insilico Medicine, uma startup que utiliza IA para reduzir custos de descoberta de medicamentos, conta com uma equipe global espalhada pela China, América do Norte e Oriente Médio, de acordo com seu fundador e CEO, Alex Zhavoronkov. Na terça-feira (3), a empresa anunciou em um artigo na Nature Medicine que foi a primeira a ver testes clínicos bem-sucedidos com um medicamento descoberto por IA.
Embora o trabalho de IA da Insilico normalmente aconteça no Canadá e em Abu Dhabi, os testes e experimentos químicos são realizados na China, disse Zhavoronkov, acrescentando que o chefe de desenvolvimento clínico está em Boston. Ele se recusou a comentar sobre um cronograma de comercialização em vista das conversas com órgãos reguladores.
Outros dados mostram que a China ultrapassou os EUA no número de ensaios clínicos realizados, teve um crescimento significativo de patentes e ostenta a maior atividade de desenvolvimento em ciências da vida do mundo.
Yang Fan, sócio da Capital O, sediada na China e que já trabalhou na indústria farmacêutica, afirmou esperar que as melhores empresas de biotecnologia do futuro naveguem pelas regulamentações de diferentes países e utilizem recursos em todo o mundo, ou até mesmo se beneficiem de oportunidades de arbitragem, considerando os diferentes requisitos e custos de entrada em diferentes mercados.
“O mercado chinês é como um grande supermercado para tudo o que pode ser comoditizado, seja IA ou biotecnologia”, disse ele, acrescentando que as novas startups na China precisam ser “muito boas” para se destacarem. À medida que a IA reduz os custos da inovação, Fan prevê que, na biotecnologia, “o verdadeiro momento DeepSeek provavelmente acontecerá em cinco anos”.
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Este conteúdo foi fornecido pela CNBC Internacional e a responsabilidade exclusiva pela tradução para o português é do Times Brasil.
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