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Netanyahu quer preservar unidade da coalizão governista a poucos meses da eleição

Publicado 10/07/2026 • 13:21 | Atualizado há 49 minutos

KEY POINTS

  • Benjamin Netanyahu intensifica esforços para aprovar projetos estratégicos para manter o apoio de sua coalizão governista.
  • Oposição acusa governo de utilizar os últimos dias da atual legislatura para atender interesses políticos e enfraquecer instituições independentes.
  • Estratégia de Netanyahu é cumprir compromissos assumidos com seus aliados e preservar a unidade da coalizão em um momento de incerteza política.

o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu

A poucos dias da dissolução do Parlamento israelense e com as eleições legislativas previstas para ocorrer até o fim de outubro, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu intensifica esforços para aprovar uma série de projetos considerados estratégicos para manter o apoio de sua coalizão governista.

A iniciativa tem provocado forte reação da oposição, que acusa o governo de utilizar os últimos dias da atual legislatura para atender interesses políticos e enfraquecer instituições independentes.

Sete propostas tramitam atualmente no Knesset, o Parlamento de Israel, e representam prioridades para diferentes partidos que sustentam o governo.

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A estratégia de Netanyahu é cumprir compromissos assumidos com seus aliados e preservar a unidade da coalizão em um momento de incerteza política. Pesquisas de opinião indicam que o premiê poderá enfrentar dificuldades para conquistar um novo mandato.

No poder há quase duas décadas em diferentes períodos, Netanyahu enfrenta desgaste provocado por críticas à condução do governo, especialmente após o ataque realizado pelo Hamas em 7 de outubro de 2023, episódio que desencadeou a guerra na Faixa de Gaza.

O líder da oposição, Yair Lapid, afirmou que o governo está concentrado em garantir sua sobrevivência política, enquanto, segundo ele, a oposição busca defender os interesses da população israelense.

Entre as propostas mais controversas está o projeto que amplia a isenção do serviço militar obrigatório para estudantes dedicados integralmente aos estudos religiosos. A medida atende a uma antiga reivindicação dos partidos ultraortodoxos, aliados fundamentais de Netanyahu, que em diversas ocasiões ameaçaram retirar apoio ao governo caso o benefício não fosse mantido.

O texto, aprovado em primeira leitura no mês passado, estabelece que o Estado reconheça o estudo prolongado da Torá como uma forma de serviço relevante à sociedade israelense e ao povo judeu.

A proposta provocou manifestações de milhares de pessoas nas ruas e reacendeu o debate sobre igualdade nas obrigações militares em um país onde o serviço é obrigatório para grande parte da população.

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O ex-chefe das Forças Armadas Gadi Eisenkot, que desponta como um dos principais adversários de Netanyahu na disputa eleitoral, criticou duramente a pauta legislativa. Segundo ele, o governo tenta aprovar medidas que dificilmente avançariam caso houvesse uma mudança de poder após as eleições.

Em troca do apoio ao projeto sobre o serviço militar, parlamentares dos partidos ultraortodoxos devem votar favoravelmente a propostas defendidas pelo Likud, legenda de Netanyahu. Entre elas está uma ampla reforma do setor de comunicação, que altera o modelo de regulação da televisão, do rádio e das plataformas de streaming.

Os defensores da proposta afirmam que a mudança amplia a concorrência no mercado. Já os críticos sustentam que a iniciativa pode aumentar a influência política do governo sobre os meios de comunicação, reduzir a autonomia das organizações jornalísticas e favorecer veículos considerados próximos ao Executivo.

Outra matéria em discussão modifica o papel da procuradora-geral de Israel, que também exerce a função de principal assessora jurídica do governo. O projeto apresentado pelo Likud prevê que os pareceres da autoridade deixem de ter caráter vinculante para o Executivo.

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A oposição interpreta a medida como uma tentativa de limitar a atuação de um importante mecanismo de fiscalização do governo e de ampliar a influência política sobre investigações e processos judiciais.

Também integra a pauta um projeto que revoga mudanças aprovadas pela administração anterior no sistema de certificação kosher. A reforma vigente havia encerrado o monopólio das autoridades religiosas sobre a emissão dos certificados, abrindo espaço para concorrência e reduzindo custos para restaurantes.

Agora, partidos religiosos defendem a restauração do modelo anterior, argumentando que ele preserva os padrões tradicionais de supervisão religiosa, enquanto críticos afirmam que a mudança beneficia interesses institucionais em detrimento dos consumidores.

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Embora outras propostas ainda estejam sendo analisadas pelas comissões parlamentares, divergências entre integrantes da própria base governista podem dificultar a aprovação de toda a agenda antes do encerramento da sessão legislativa.

O Knesset deverá ser dissolvido automaticamente em 15 de julho, encerrando os trabalhos do Parlamento antes da campanha eleitoral. A legislação, no entanto, permite a prorrogação da sessão por até 12 dias, hipótese que poderá oferecer mais tempo para que Netanyahu tente concluir a votação dos projetos considerados essenciais para sua coalizão.

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