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Novo presidente do Fed deve endurecer combate à inflação e pressionar mercados globais

Publicado 22/05/2026 • 20:45 | Atualizado há 1 hora

KEY POINTS

  • Segundo o economista César Bergo, o novo comando do Fed deve priorizar o combate à inflação, mesmo diante das pressões políticas de Donald Trump.
  • A expectativa de juros elevados por mais tempo nos EUA tende a fortalecer o dólar globalmente e aumentar a pressão sobre bolsas e economias emergentes, incluindo o Brasil.
  • O cenário geopolítico envolvendo Irã e Estados Unidos e a alta nos preços da energia reforçam a percepção de que o Fed deverá manter postura conservadora nos próximos meses.

A troca de comando no Federal Reserve reacendeu os debates sobre os rumos da política monetária americana e os possíveis impactos globais sobre juros, dólar e mercados emergentes. A chegada de Kevin Warsh à presidência do Fed ocorre em meio à persistência da inflação nos Estados Unidos e ao agravamento das tensões geopolíticas no Oriente Médio.

Em entrevista ao Times Brasil – Licenciado Exlcusivo CNBC, o economista e professor da Universidade de Brasília, César Bergo, afirmou que o novo presidente do banco central americano deve adotar uma postura mais rígida no combate à inflação, reduzindo as expectativas de cortes de juros no curto prazo.

Segundo Bergo, Warsh possui um histórico mais ortodoxo na condução da política monetária. O economista lembrou que o novo presidente do Fed já integrou a instituição durante a gestão de Ben Bernanke e participou da condução da crise financeira do subprime em 2008.

“Ele chega com uma postura claramente voltada ao combate da inflação. Isso pode significar uma política monetária mais firme e juros elevados por mais tempo”, afirmou.

O professor destacou ainda que o cenário internacional dificulta qualquer flexibilização monetária nos Estados Unidos. Além da inflação persistente, o mercado acompanha os impactos econômicos do conflito envolvendo Irã e Estados Unidos, especialmente sobre os preços do petróleo.

Na avaliação de Bergo, uma postura mais conservadora do Fed tende a fortalecer o dólar globalmente e pressionar os mercados acionários, principalmente em economias emergentes. “O dólar deve se valorizar e isso pode gerar desvalorização de bolsas ao redor do mundo. O ambiente geopolítico aumenta ainda mais essa cautela”, disse.

A mudança no comando do Fed também ocorre após meses de críticas do presidente Donald Trump ao ex-presidente da autoridade monetária, Jerome Powell. Trump vinha cobrando cortes mais rápidos nos juros americanos e chegou a tentar antecipar o fim do mandato de Powell.

Para Bergo, no entanto, Warsh deve preservar a independência institucional do Fed, apesar das pressões políticas da Casa Branca. “Se observarmos o currículo dele, fica claro que não vai comprometer sua reputação técnica. O mercado está justamente esperando para ver se ele manterá essa independência”, afirmou.

O economista também acredita que o estilo de comunicação do novo presidente será diferente do adotado por Powell, conhecido por sinalizar previamente ao mercado os rumos da política monetária. “Warsh parece ser mais discreto. O mercado provavelmente sentirá essa mudança na comunicação do Fed”, avaliou.

Segundo Bergo, a inflação se tornou hoje o principal fator de desgaste político para Trump, impactando diretamente o custo de vida da população americana, especialmente nos preços de combustíveis e alimentos. “O que está pesando no bolso do americano é a inflação. Isso tem afetado fortemente a popularidade de Trump”, disse.

No Brasil, o reflexo de uma política monetária mais restritiva nos Estados Unidos tende a dificultar cortes de juros pelo Banco Central do Brasil. Bergo afirmou que juros elevados nos EUA pressionam o fluxo de capitais globais e obrigam países emergentes a adotarem postura mais cautelosa na condução monetária.

“Se os Estados Unidos mantiverem juros altos por mais tempo, o Banco Central brasileiro também terá dificuldade para reduzir a Selic”, explicou.

O professor acrescentou que a persistência das tensões geopolíticas no Oriente Médio e os impactos sobre o petróleo reforçam a necessidade de cautela por parte do Fed nos próximos meses. “Enquanto houver incerteza sobre o conflito e pressão inflacionária vinda da energia, a tendência é de uma postura conservadora do banco central americano”, concluiu.

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