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Ministério Público investiga ligações entre a Equatorial e o escândalo do Banco Master na privatização da Sabesp
Publicado 20/05/2026 • 06:00 | Atualizado há 12 minutos
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Publicado 20/05/2026 • 06:00 | Atualizado há 12 minutos
KEY POINTS
A Promotoria de Justiça do Patrimônio Público do MP-SP analisa uma representação que aponta conexões entre o escândalo do Banco Master e as privatizações da Empresa Metropolitana de Águas e Energia (EMAE) e da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), realizadas entre abril e julho de 2024, que teria beneficiado a Equatorial Energia, que arrematou a Sabesp com deságio estimado em 44% abaixo do preço de mercado, em processo no qual a concorrência foi praticamente inexistente.
O documento foi protocolado no dia 20 de março de 2026 pelo deputado estadual Antônio Donato (PT-SP), líder da oposição na Assembleia Legislativa do Estado, e está sendo analisado para verificar possíveis semelhanças com outro procedimento já atribuído à 5ª Promotoria de Patrimônio Público.
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A figura que atravessa toda a estrutura descrita na representação é Carlos Piani. Segundo o documento, ele presidiu o Conselho de Administração da Ambipar entre março de 2023 e setembro de 2024, período que coincide com a valorização superior a 800% das ações da empresa, utilizadas como lastro do Fundo Phoenix no leilão da EMAE. Entre junho e julho de 2024, acumulou também a presidência do Conselho de Administração da Equatorial, exatamente durante o processo de venda do controle da Sabesp pelo governo estadual. Em outubro de 2024, assumiu a presidência da Sabesp privatizada.
Sob sua gestão à frente da Sabesp, a companhia adquiriu o controle da EMAE em outubro de 2025, encerrando um ciclo no qual o ativo retornou ao ambiente societário de um agente que havia participado da fase anterior da estruturação financeira, segundo a representação.
🔍 EMAE é a Empresa Metropolitana de Águas e Energia, responsável pela gestão das represas Billings e Guarapiranga e pelo fluxo do Rio Pinheiros para geração de energia elétrica em quatro usinas, incluindo a Henry Borden.
Em julho de 2024, o governo paulista abriu mão do controle acionário da Sabesp. À época, a companhia era avaliada em mais de R$ 56,2 bilhões e suas ações eram negociadas a R$ 82,00. O preço negociado pelo bloco de controle, correspondente a 15% das ações, foi de R$ 67,00 por papel, totalizando R$ 6,9 bilhões, com a Equatorial como única concorrente.
Especialistas do Observatório Nacional das Águas, da Agência Reguladora dos Serviços Públicos do Estado e da Associação dos Profissionais Universitários da Sabesp avaliaram o desconto em 44% abaixo do preço de mercado. Em fevereiro de 2026, as ações da Sabesp eram negociadas a R$ 152,50.
A representação aponta ainda que o BTG Pactual coordenou a oferta pública de outros 17% das ações ao mesmo preço de R$ 67,00, com demanda registrada superior a R$ 200 bilhões para uma oferta de apenas R$ 7,9 bilhões. Outros bancos participantes, como Itaú BBA e Citi, teriam sido excluídos das decisões estratégicas. A representação levanta suspeitas de favorecimento a clientes específicos nessa alocação.
Durante o processo de privatização, Karla Bertocco presidia o Conselho de Administração da Sabesp e ocupava simultaneamente cargo no Conselho da Equatorial, a única empresa interessada na compra do bloco de controle.
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A representação descreve o Banco Master, controlado por Daniel Vorcaro, como peça central na estruturação financeira das duas operações. Segundo o documento, o banco atuou na estruturação e no financiamento de grupos empresariais interessados na aquisição dos ativos públicos, por meio de intermediações financeiras cruzadas e instrumentos societários que, segundo Donato, serviriam para ocultar a real cadeia de comando econômico.
O pagamento da aquisição da EMAE foi viabilizado pelo Banco Master, via Trustee DTVM, em parceria com Nelson Tanure e Tércio Borlenghi Junior, fundador da Ambipar, por meio de uma emissão privada de debêntures da Phoenix S.A. no valor de R$ 520,15 milhões, conforme parecer técnico da Superintendência de Registro de Emissores da CVM obtido pelo deputado.
Após assumir o controle da EMAE, o grupo liderado por Tanure aplicou aproximadamente R$ 160 milhões do caixa da companhia em CDBs emitidos pelo Letsbank, controlado pelo Banco Master, e adquiriu cerca de R$ 300 milhões em debêntures da Light, empresa também sob controle de Tanure.
Há ainda um personagem citado na representação com papel político relevante: Fabiano Zettel, pastor, cunhado de Daniel Vorcaro e colaborador do Grupo Master. Segundo a representação, Zettel atuou como uma das peças do Banco Master na parceria para aquisição da EMAE.
Tanure, Zettel, a REAG gestora de fundos e a Trustee DTVM são investigados no âmbito das Operações Carbono Oculto e Compliance Zero por suspeitas de lavagem de dinheiro e fraudes financeiras, segundo a representação.
O leilão da EMAE ocorreu no dia 19 de abril de 2024 na Bolsa de São Paulo. O Fundo Phoenix venceu a disputa com uma proposta de aproximadamente R$ 1,04 bilhão, superando a oferta da EDF. O detalhe que chama atenção na representação, no entanto, é a data de constituição do fundo: 20 de março de 2024, menos de um mês antes do certame.
Segundo investigação concluída pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) em maio de 2025 e referenciada no documento com número de processo, a Ambipar lançou em março de 2024 um programa de recompra de ações que concentrou cerca de 70% dos papéis em circulação. Na sequência, fundos vinculados ao Banco Master e à gestora Reag adquiriram um volume significativo dessas ações, com participação da Trustee DTVM na administração operacional, em um circuito financeiro no qual recursos retornavam sucessivamente a fundos sob influência do mesmo núcleo empresarial.
Esse mecanismo produziu valorização superior a 800% nas ações da Ambipar entre abril e outubro de 2024. A representação aponta que a dinâmica apresenta características típicas de formação artificial de preço e simulação de liquidez, condutas que podem se enquadrar no artigo 27-C da Lei 6.385/76, que tipifica a manipulação de mercado.
🔍 Fundo de Participações em Infraestrutura (FIP) é um veículo de investimento fechado utilizado para financiar projetos de longa maturação, como concessões e privatizações. No caso do Fundo Phoenix, a representação aponta que as ações da Ambipar, usadas como principal lastro patrimonial, teriam sido artificialmente valorizadas antes de servirem de base para a habilitação financeira no leilão da EMAE.
A representação foi inicialmente encaminhada à Subprocuradoria-Geral de Justiça, que a remeteu à Promotoria de Patrimônio Público por entender que os envolvidos não têm foro privilegiado estadual. O MP informou ao gabinete do deputado que o caso está sendo analisado para verificar possíveis semelhanças com outro procedimento já atribuído à 5ª Promotoria de Patrimônio Público.
O documento pede a instauração de inquérito civil, a apuração de eventual improbidade administrativa, o compartilhamento de informações com o Ministério Público Federal e a Polícia Federal em caso de indícios de ilícitos de competência da União, e a eventual propositura de Ação Civil Pública.
🔍 Inquérito Civil é um procedimento investigatório conduzido pelo Ministério Público para apurar fatos que possam configurar dano ao patrimônio público, ao meio ambiente ou a interesses coletivos. Não tem caráter criminal, mas pode subsidiar a propositura de Ação Civil Pública ou ser encaminhado à esfera penal se houver indícios de crime.
O Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC enviou perguntas à Equatorial Energia, que respondeu com uma nota, veja:
“O Grupo Equatorial esclarece que todo o processo de desestatização da Sabesp ocorreu no âmbito de uma oferta pública estruturada e conduzida com o apoio de assessores e instituições experientes, obedecendo ampla divulgação, legalidade e transparência.”
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