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O que os EUA consideram ‘práticas injustas’ no comércio brasileiro?

Publicado 02/06/2026 • 15:00 | Atualizado há 2 semanas

KEY POINTS

  • A investigação foi conduzida com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos.
  • A análise incluiu mais de 295 comentários e contribuições formais, além de depoimentos apresentados durante o processo.
  • O país adota práticas consideradas discriminatórias e restritivas ao comércio, o que teria motivado a abertura do processo e a recomendação das novas cobranças.

Infometrics / Creative Commons

Os Estados Unidos anunciaram, nesta segunda-feira (2), uma proposta para impor uma tarifa adicional de 25% sobre produtos importados do Brasil após a conclusão de uma investigação comercial conduzida pelo Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR).

Segundo o governo americano, o país adota práticas consideradas discriminatórias e restritivas ao comércio, o que teria motivado a abertura do processo e a recomendação das novas cobranças.

A medida foi divulgada em Washington e ainda passará por uma etapa de consulta pública antes de qualquer decisão definitiva.

A investigação foi conduzida com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos, instrumento utilizado para apurar ações de governos estrangeiros consideradas prejudiciais aos interesses comerciais americanos.

O que os EUA contestam no Brasil

No relatório divulgado pelo USTR, autoridades americanas afirmam que identificaram políticas e práticas brasileiras classificadas como “irracionais” ou “discriminatórias”.

Segundo o órgão, essas medidas criariam obstáculos para empresas dos Estados Unidos que atuam ou pretendem atuar no mercado brasileiro.

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O documento sustenta que determinadas regras regulatórias e comerciais adotadas pelo Brasil dificultariam a competição em igualdade de condições, aumentando custos e limitando oportunidades para companhias americanas.

Pix entra na lista de preocupações

Um dos pontos destacados pelos Estados Unidos envolve o sistema brasileiro de pagamentos instantâneos.

O governo americano afirma que medidas relacionadas ao ambiente de pagamentos eletrônicos favorecem soluções locais e acabam prejudicando prestadores estrangeiros de serviços financeiros.

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Na avaliação americana, determinadas características do modelo brasileiro poderiam criar um ambiente menos favorável para empresas estrangeiras que oferecem serviços semelhantes.

Investigação ouviu empresas e entidades

De acordo com o USTR, a conclusão da investigação ocorreu após ter recebido centenas de manifestações escritas e depoimentos de representantes de diferentes setores econômicos.

A análise incluiu mais de 295 comentários e contribuições formais, além de depoimentos apresentados durante o processo.

O governo americano argumenta que as informações reunidas reforçaram a percepção de que existem barreiras que afetam interesses comerciais dos Estados Unidos no Brasil.

Próximos passos

Antes da adoção de qualquer tarifa, o governo americano abrirá uma audiência pública para receber novas manifestações de empresas, entidades setoriais e demais interessados. O procedimento faz parte das etapas previstas pela legislação comercial dos Estados Unidos.

A proposta ainda poderá sofrer alterações após essa fase de consultas. Caso seja confirmada, a tarifa adicional de 25% poderá atingir uma ampla gama de produtos brasileiros exportados ao mercado americano.

PCC e CV não aparecem entre as justificativas

Apesar das recentes discussões envolvendo a classificação de organizações criminosas brasileiras por autoridades americanas, o comunicado sobre a investigação comercial não relaciona a proposta tarifária a esse tema.

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O documento dos EUA concentra suas justificativas sem mencionar diretamente o enquadramento do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) nas conclusões que embasam a medida.

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