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Novo tarifaço dos EUA ameaça exportações brasileiras e força empresas a buscar novos mercados
Publicado 25/07/2026 • 06:00 | Atualizado há 47 minutos
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Publicado 25/07/2026 • 06:00 | Atualizado há 47 minutos
KEY POINTS
Foto: AFP
Novo tarifaço dos EUA ameaça exportações brasileiras e força empresas a buscar novos mercados
A nova tarifa adicional anunciada pelos EUA sobre produtos brasileiros aumentou a preocupação entre empresas exportadoras e pode dificultar o acesso ao mercado americano. Em determinadas categorias, a cobrança extra de 12,5% se soma à tarifa anterior de 25%, elevando a sobretaxa para até 37,5%.
O impacto deve ser maior em setores como calçados, máquinas e equipamentos, madeira processada, etanol, plásticos, pneus, tabaco, confecções e produtos químicos não farmacêuticos.
Além disso, diante do novo cenário, empresas brasileiras avaliam alternativas para reduzir perdas, como a busca por novos mercados consumidores e a ampliação de acordos comerciais. Com isso, os exportadores tentam encontrar caminhos para manter a competitividade e minimizar os efeitos da sobretaxa americana.
Segundo o Estadão, apesar da pressão sobre os exportadores, representantes da indústria defendem que o Brasil priorize negociações com os Estados Unidos e evite uma retaliação imediata.
Leia também: “O que estava ruim, ficou pior”, diz Abicalçados sobre taxação dupla dos EUA que eleva tarifa a 37,5%
A nova cobrança foi anunciada pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) após uma investigação que analisou medidas adotadas por 60 economias para impedir a entrada de produtos que, segundo o governo americano, poderiam ter relação com trabalho forçado. Além disso, a decisão faz parte de uma série de medidas comerciais adotadas por Washington nos últimos meses.
A decisão veio após Washington aplicar uma tarifa de 25% contra produtos brasileiros em uma investigação baseada na seção 301 da legislação comercial americana. Além disso, na ocasião, os Estados Unidos citaram questões relacionadas ao comércio digital, à regulamentação do Pix, ao etanol e à propriedade intelectual como parte das justificativas apresentadas.
O governo brasileiro contestou as justificativas e informou que apresentou informações sobre a legislação nacional e as ações adotadas para combater a importação de produtos associados ao trabalho forçado.
A cobrança, porém, não será igual para todos os produtos. Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), itens como celulose e pescados terão apenas a tarifa adicional de 12,5%.
Já calçados, máquinas, equipamentos, peças, componentes, confecções e produtos químicos não farmacêuticos podem enfrentar a combinação das duas tarifas.
A mudança preocupa entidades empresariais, que avaliam que a sobretaxa pode reduzir a presença de produtos brasileiros no mercado americano.
Segundo a Amcham Brasil, 85,3% das exportações brasileiras afetadas pela medida, o equivalente a US$ 10,7 bilhões por ano, passarão a enfrentar a tarifa acumulada de 37,5%.
Além disso, para a entidade, o aumento das barreiras comerciais pode reduzir o fluxo de negócios entre Brasil e Estados Unidos, ao mesmo tempo em que pode afetar cadeias produtivas integradas e elevar custos para empresas e consumidores americanos. Dessa forma, a medida tende a ampliar os impactos econômicos da relação comercial entre os dois países.
No setor de máquinas e equipamentos, a Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) estima que a nova tarifa poderá provocar uma queda entre 10% e 11% nas exportações para os Estados Unidos. A avaliação é que os produtos brasileiros podem perder espaço diante de fornecedores internacionais.
Leia também: Tarifaço: exportações da indústria química para os EUA recuaram de US$ 2,2 bi para US$ 1,8 bi
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Siga o Times | CNBCO setor de calçados também calcula impactos negativos. Segundo a Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados), a nova cobrança agrava um cenário que já havia sido afetado pela tarifa anterior de 25%.
“O que já estava ruim piorou”, afirmou o presidente-executivo da entidade, Haroldo Ferreira.
A associação avalia que a tarifa acumulada pode favorecer concorrentes asiáticos, especialmente Vietnã, Indonésia e Camboja, que terão uma carga menor para acessar o mercado americano.
Com isso, empresas brasileiras podem perder participação em um dos principais destinos das exportações do setor. A entidade também defende medidas para reduzir os impactos, como a ampliação do Reintegra, programa que devolve parte dos tributos acumulados nas exportações.
Apesar das críticas à decisão americana, representantes do setor produtivo defendem que o Brasil mantenha o diálogo com Washington.
O presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Ricardo Alban, afirmou que a busca por uma solução negociada é o caminho defendido pela indústria. Segundo ele, uma resposta baseada em tarifas contra produtos americanos poderia aumentar as tensões comerciais.
A Abimaq e a Amcham Brasil também se posicionaram contra uma reação baseada na Lei da Reciprocidade Econômica. Para as entidades, uma disputa tarifária poderia prejudicar empresas dos dois países e dificultar novas negociações.
Além disso, a Abicalçados pediu a ampliação do Reintegra. Atualmente, o programa devolve o equivalente a 0,1% das receitas obtidas com exportações, mas a legislação permite elevar essa alíquota para até 5%.
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Diante das novas barreiras comerciais, especialistas apontam que a diversificação dos destinos das exportações será uma alternativa para reduzir a dependência do mercado americano.
Para Sandra Polónia Rios, economista e diretora do Centro de Estudos de Integração e Desenvolvimento (CINDES), o Brasil deve ampliar acordos comerciais, fortalecer as exportações e melhorar o ambiente de negócios.
Assim, enquanto empresas tentam negociar melhores condições com os EUA, a busca por novos compradores passa a ser uma estratégia para reduzir os impactos do tarifaço sobre as exportações brasileiras.
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