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O que se sabe sobre a morte de Ali Khamenei, líder supremo do Irã

Publicado 08/03/2026 • 15:30 | Atualizado há 23 horas

AFP

KEY POINTS

  • O líder supremo do Irã, Ali Khamenei, foi morto em 28 de fevereiro após bombardeio israelense em Teerã, que teria usado imagens de câmeras de vigilância hackeadas para localizar o alvo.
  • O ataque atingiu o complexo residencial de Khamenei durante reunião de autoridades de segurança, iniciando a guerra entre Israel, Estados Unidos e Irã e matando generais e oficiais iranianos.
  • Analistas divergem: alguns veem uma operação militar de precisão histórica, enquanto outros dizem que Khamenei não estava escondido e era um alvo relativamente fácil.

O ataque que matou o líder supremo do Irã, Ali Khamenei, em 28 de fevereiro, aparentemente após invasão de câmeras de vigilância em Teerã, pode vir a ser estudado em escolas militares de todo o mundo, segundo alguns analistas que consideram a operação um exemplo de precisão militar. Outros especialistas, porém, destacam que Khamenei não estava escondido, o que faria dele um alvo relativamente fácil.

O bombardeio israelense inesperado atingiu o complexo residencial do aiatolá em Teerã, onde estava prestes a ocorrer uma reunião de altos funcionários da segurança iraniana. O ataque marcou o início da guerra conduzida por Israel e Estados Unidos contra o Irã e provocou forte abalo no aparato de poder iraniano, ao matar Khamenei e um número ainda não determinado de generais e autoridades de segurança.

A morte do líder supremo amplia a longa lista de operações atribuídas ao Mossad, o serviço de inteligência de Israel, embora muitos detalhes da operação ainda permaneçam desconhecidos.

Uma lista crescente

A morte de Ali Khamenei “em seu bunker em Teerã” coloca Israel em uma posição de superioridade sem precedentes, escreveu o especialista militar Yossi Yehoshua, no jornal Yedioth Ahronoth. Segundo ele, nos últimos meses os serviços de inteligência militar ampliaram suas capacidades de realizar “decapitações seletivas”.

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Desde o ataque do Hamas contra Israel em 7 de outubro de 2023, que desencadeou a guerra em Gaza, a lista de líderes eliminados em operações militares israelenses vem crescendo. Entre eles estão dirigentes do Hamas, o chefe do governo dos huthis no Iêmen e membros do Hezbollah no Líbano, aliado do Irã.

Em alguns casos, centenas de militantes morreram após a explosão simultânea de pagers utilizados pelo grupo, ampliando o impacto das operações.

Também foram atingidos integrantes do alto comando militar iraniano durante a guerra entre Israel e Irã em junho de 2025.

Segundo Yehoshua, essas operações começaram no Líbano, continuaram com o conflito com o Irã em 2025, foram aperfeiçoadas no Iêmen e atingiram, com o ataque de 28 de fevereiro, “um nível de excelência sem precedentes”, descrito por ele como uma “arte do assassinato seletivo”.

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“Muito cedo para falar”

Outros analistas pedem cautela antes de classificar a operação como um marco militar histórico. “Quando os detalhes de seu assassinato forem conhecidos, o mundo inteiro ficará boquiaberto”, escreveu o colunista Ben Caspit, no jornal Maariv.

Segundo ele, “o fato de Israel ter obtido uma foto do corpo de Khamenei é simplesmente inconcebível”, acrescentando que o ataque poderá ser estudado durante anos em escolas militares de todo o mundo.

De acordo com imprensa israelense, uma fotografia do corpo do líder iraniano teria sido mostrada ao primeiro-ministro Benjamin Netanyahu e ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que anunciou a morte do “diabólico Khamenei”.

Mesmo assim, como as operações militares continuam, especialistas afirmam que “ainda é muito cedo para falar” sobre o papel exato dos agentes do Mossad dentro do Irã.

Câmeras e vigilância

Alguns detalhes começaram a surgir em reportagens do The New York Times e do Financial Times. Segundo o NYT, citando fontes anônimas, a CIA forneceu a Israel informações de “grande confiabilidade” sobre a localização de Khamenei na madrugada do ataque.

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Por volta de 9h40 no horário iraniano, generais e altos funcionários da segurança estavam reunidos em um dos edifícios do complexo, enquanto Khamenei se encontrava em outro prédio.

O Financial Times relatou que grande parte das câmeras de vigilância rodoviária de Teerã foi hackeada anos atrás. Uma delas tinha visão direta do complexo do líder supremo na rua Louis Pasteur, no centro da capital, permitindo monitorar movimentos, identificar pessoas e analisar os hábitos dos guarda-costas.

Conhecíamos Teerã como conhecemos Jerusalém”, afirmou ao jornal britânico um alto funcionário da inteligência israelense.

Segundo o FT, também foi assumido o controle remoto de dezenas de telefones celulares na área minutos antes do ataque, para impedir qualquer reação da equipe de segurança. O jornal menciona ainda uma misteriosa “fonte humana” que teria alertado sobre a reunião no complexo.

Um alvo visível

Apesar das revelações, especialistas lembram que muitas informações vêm de fontes anônimas israelenses ou americanas. Khamenei “não estava escondido”, embora tomasse precauções, observa o Financial Times.

O jornalista israelense Ronen Bergman ironizou nas redes sociais: “É como ter um cartaz na porta: aqui vive a feliz família Khamenei”.

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Na tradição da República Islâmica, marcada pelo simbolismo do martírio, a permanência do líder em Teerã mesmo diante da ameaça de ataque pode ter sido uma decisão deliberada. Khamenei costumava dizer: “Minha vida vale pouco”.

Segundo o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmail Baghaei, “o líder supremo permaneceu em seu posto, no coração de Teerã, mesmo quando todos diziam que um ataque era iminente. Ele se sacrificou pelo Irã”.

Para um analista francês, os detalhes da operação são “muito difíceis de conhecer”, mas a mensagem parece clara: uma ação “limpa, clara e sem erros”, capaz de decapitar rapidamente um regime e alterar o equilíbrio estratégico.

Ainda assim, ele ressalta que a guerra está longe de terminar. “Não estamos jogando pôquer. Não estamos em Las Vegas. Estamos jogando xadrez — e a perda de uma peça importante não é o fim da partida”, conclui.

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