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Oposição da Venezuela é excluída dos planos de Trump; entenda por que

Publicado 07/01/2026 • 15:24 | Atualizado há 1 dia

AFP

KEY POINTS

  • A líder opositora María Corina Machado renovou rapidamente sua promessa de retornar à Venezuela, de onde fugiu após meses de clandestinidade.
  • Contudo, assumir o poder é um cenário descartado por enquanto.
  • A oposição tem, além disso, seus principais dirigentes no exílio, na clandestinidade ou na prisão.

Bel Pedrosa / Wikimedia Commons

A líder opositora María Corina Machado

Desapareceu das ruas, seus líderes estão no exílio e Donald Trump perdeu o interesse: a oposição foi deixada de lado nos planos dos Estados Unidos para a Venezuela pós-Maduro.

Maduro foi capturado por tropas americanas junto com sua esposa, Cilia Flores, durante um bombardeio em Caracas. Ambos enfrentam agora um julgamento por narcotráfico em Nova York. Vê-los com uniformes de presidiários, algemados diante de um juiz, é o sonho de muitos na oposição.

A líder opositora María Corina Machado renovou rapidamente sua promessa de retornar à Venezuela, de onde fugiu após meses de clandestinidade em uma operação mirabolante para receber seu prêmio Nobel da Paz em Oslo, em dezembro.

Contudo, assumir o poder é um cenário descartado por enquanto. Delcy Rodríguez, a número dois de Maduro, assumiu como presidente interina com o aval de Trump, que tem repetido estar “no comando” do país. O apoio de Washington às denúncias de fraude de Machado e a reivindicação da vitória de Edmundo González Urrutia ficaram para trás.

Em princípio, tudo se resume a “uma questão de controle”, explica o analista Ricardo Ríos à AFP.

Sem Trump

Washington impulsionou a saída de Maduro por anos com uma série de sanções econômicas e, desde 2019, com um embargo petrolífero. Trump estava então em seu primeiro mandato. Apoiou e entregou recursos ao chamado “governo interino” de Juan Guaidó, que acabou se esvaziando sem resultados.

Em seu retorno ao poder, seus planos contra Maduro excluíram Machado, apesar da vertiginosa popularidade da dirigente opositora. “Seria muito difícil para ela liderar o país”, declarou ele após a surpreendente operação para capturar Maduro em 3 de janeiro. “Não inspira respeito”, considerou.

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O jornal The New York Times relatou que assessores o convenceram a não entregar o poder à oposição para evitar desestabilizar ainda mais o país e não precisar enviar tropas ao terreno. “A oposição não possui uma estrutura institucional nem influência sobre o governo que lhe permita administrar a transição”, aponta Ríos.

Machado apoiou desde o início a pressão militar americana sobre a Venezuela. Agradeceu incansavelmente a Trump, com quem diz não falar desde 10 de outubro. Naquele dia, foi anunciado o prêmio Nobel da Paz, que se tornou a maçã da discórdia.

Trump o cobiçava e minimizou o reconhecimento à opositora de 58 anos, que em 10 de outubro o dedicou a ele. Na terça-feira, Machado voltou a oferecê-lo, embora o Comitê do Nobel tenha informado que o prêmio é intransferível. Silêncio total em Washington.

Sem militares

A oposição faz apelos constantes aos militares. Pede que respeitem a Constituição e acatem o “mandato” das eleições presidenciais de 28 de julho de 2024, quando a oposição insiste ter vencido Maduro com 70% dos votos.

Mas a Força Armada se declara abertamente “chavista” e jurou sempre “lealdade absoluta” a Maduro. Agora, deram seu apoio a Rodríguez. “O que Trump faz é ‘hackear’ o governo e colocá-lo para trabalhar para ele”, afirma Ríos. O republicano disse estar “no comando” da Venezuela e indicou que foi decisão sua deixar Rodríguez à frente.

“Era o lógico, visto que precisavam entregar [o poder] a atores do governismo”, pondera Ríos.

Os militares sempre tiveram poder na Venezuela, embora este tenha se multiplicado em 27 anos de chavismo. Controlam, além das armas, empresas de mineração, petróleo e distribuição de alimentos, assim como as alfândegas e ministérios importantes. Foram o sustentáculo de Maduro e agora de Rodríguez.

Sem rua

O governismo marcha diariamente desde o ataque. “Maduro, amigo, o povo está contigo”, gritavam seus apoiadores na terça-feira em Caracas. A oposição, que poucos anos atrás lotava avenidas e rodovias, guarda silêncio.

Ao medo instalado após as milhares de prisões que se seguiram aos protestos pela questionada reeleição de Maduro em 2024, somou-se agora um decreto de estado de exceção que pune com prisão qualquer celebração da operação americana.

A oposição tem, além disso, seus principais dirigentes no exílio, na clandestinidade ou na prisão. Tanto Machado quanto González Urrutia estão fora da Venezuela. Existe uma pequena representação na nova Assembleia Nacional, que se distanciou de Machado e possui baixíssima popularidade.

A liderança “não pode continuar apostando todas as suas esperanças em uma solução decidida em Washington”, afirma à AFP o advogado Mariano de Alba, especialista em geopolítica. “Se o objetivo é construir um país democrático onde o interesse da maioria seja relevante e as minorias sejam respeitadas, a iniciativa e a organização interna continuam sendo cruciais”, concluiu.

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