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Posição estratégica e arsenal bélico colocam Paquistão como ‘mediador ideal’ em conflito, diz especialista
Publicado 11/04/2026 • 08:53 | Atualizado há 2 meses
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Publicado 11/04/2026 • 08:53 | Atualizado há 2 meses
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A posição estratégica e o poderio militar do Paquistão o tornam o mediador ideal no conflito entre Estados Unidos e Irã, especialmente diante da necessidade global de estabilidade econômica, afirmou Danny Zahreddine, líder do grupo de estudos do Oriente Médio e Maghreb, em entrevista ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC.
Ele ressaltou que a relevância do país asiático se deve à sua localização privilegiada e ao seu arsenal bélico: “O Paquistão faz fronteira com o Irã, Afeganistão, Índia e China, o que lhe confere uma posição geográfica muito importante. É uma potência militar forte, com quase 80 armas nucleares, e que, apesar de depender do petróleo do Golfo Pérsico, cultiva boas relações tanto com o governo de Donald Trump quanto com Pequim, o que o coloca em uma posição central nessas negociações”.
Sobre a influência chinesa nos bastidores, o professor explicou que a China utiliza o Paquistão como uma ponte para exercer seu poder sem exposição direta. “A China sempre atuou atrás das cortinas e foi fundamental para forçar os Estados Unidos a aceitarem a proposta paquistanesa de cessar-fogo. Em um momento em que a liderança americana se fragiliza, os chineses ganham protagonismo ao buscar a reabertura do Estreito de Ormuz por meio da prosperidade econômica, em vez da força das armas”.
A aproximação entre Washington e Islamabade também foi analisada por Danny Zahreddine como uma ferramenta diplomática para influenciar a Índia. “A Índia hoje possui a maior população do mundo e um dos cinco maiores PIBs globais, mantendo-se como um ator não alinhado. O Paquistão pode ser utilizado pela chancelaria estadunidense para provocar ‘ciúmes’ na Índia e forçá-la a colaborar mais em questões tarifárias e geopolíticas, visto que americanos e chineses disputam para saber de qual lado Nova Delhi ficará”.
Ao tratar da complexidade do cessar-fogo, o especialista da PUC Minas alertou para a divergência de interesses entre os Estados Unidos e Israel. “Para o governo Trump, o acordo é essencial devido à pressão interna das eleições de novembro e aos choques na economia global após os 40 dias de guerra. Contudo, Israel não quer que o conflito acabe agora, pois busca enfraquecer ao máximo o Irã e desarmar o Hezbollah no Líbano, o que coloca em risco a estabilidade das negociações de paz que começam amanhã”.
Por fim, o professor destacou a fragilidade do Estado libanês diante da pressão militar israelense e do poder do Hezbollah. “O governo oficial do Líbano não tem força militar para desarmar o grupo sozinho, e quanto mais Israel bombardeia, maior é o risco de uma guerra civil no país. A solução dependeria de um compromisso claro das potências ocidentais para cessar as ações em território libanês, permitindo um processo de negociação que o Estado libanês, isoladamente, não consegue conduzir”, concluiu.
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