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Payroll dos EUA e novas tarifas de Trump devem manter mercados sob pressão

Publicado 04/06/2026 • 22:00 | Atualizado há 1 hora

KEY POINTS

  • Segundo Lucas Saqueto, da GO Associados, o payroll é fundamental para as decisões do Federal Reserve, que considera tanto a inflação quanto o nível de emprego na definição dos juros.
  • O economista avalia que a inteligência artificial ainda não representa uma ameaça imediata ao emprego nos EUA e que seus impactos mais relevantes devem surgir apenas nos próximos anos.
  • Novas tarifas anunciadas pelos Estados Unidos, as tensões no Oriente Médio e o avanço do ciclo eleitoral brasileiro devem aumentar a volatilidade dos mercados e influenciar o desempenho da bolsa e do câmbio nos próximos meses.

A divulgação do payroll dos Estados Unidos, prevista para a próxima sexta-feira (5), deve ser um dos principais eventos para os mercados globais nesta semana. Segundo Lucas Saqueto, economista da GO Associados, a expectativa é de criação entre 65 mil e 85 mil vagas de trabalho em maio, abaixo das 115 mil registradas em abril.

Se confirmado, o resultado indicará que o mercado de trabalho americano continua gerando empregos, mas em ritmo menor. A taxa de desemprego, segundo as projeções, deve permanecer em 4,3%.

Em entrevista ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC, Saqueto afirmou que o dado será acompanhado de perto pelo Federal Reserve (Fed), já que o banco central americano tem um duplo mandato. Além de controlar a inflação, a instituição também precisa zelar pelo nível de emprego nos Estados Unidos.

De acordo com o economista, uma desaceleração mais forte do que a esperada pode reforçar os debates sobre futuros cortes de juros. Ainda assim, ele considera improvável uma redução da taxa na próxima reunião, diante do cenário de inflação ainda elevada.

Saqueto também comentou as preocupações sobre os impactos da inteligência artificial no mercado de trabalho americano. Para ele, o tema é relevante, mas ainda representa um desafio de médio prazo.

Segundo o economista, a tecnologia tem contribuído para aumentar a produtividade em diversas atividades, mas continua funcionando mais como complemento do que substituto da mão de obra humana. Ele avalia que eventuais impactos mais significativos sobre o emprego devem ocorrer apenas nos próximos anos.

No campo comercial, Saqueto afirmou que o mercado acompanha com cautela a escalada das tensões entre Brasil e Estados Unidos após os novos anúncios tarifários do presidente Donald Trump.

Segundo ele, a instabilidade se tornou uma característica recorrente da política econômica americana. Embora alguns setores tenham sido poupados das novas tarifas, o economista avalia que medidas protecionistas e mudanças frequentes de direção aumentam a insegurança para empresas e investidores.

Para Saqueto, os Estados Unidos continuam sendo um dos principais parceiros comerciais do Brasil ao lado da China, e qualquer dificuldade adicional de acesso ao mercado americano pode gerar efeitos negativos para a economia brasileira.

Ele também avaliou positivamente a estratégia adotada pelo governo brasileiro até agora, baseada na negociação diplomática para tentar reduzir ou reverter as medidas anunciadas por Washington.

Em relação aos mercados financeiros, o economista destacou que a volatilidade deve continuar elevada nos próximos meses. Entre os fatores externos, ele apontou os desdobramentos das tarifas americanas e a evolução do conflito envolvendo Irã, Estados Unidos e seus aliados.

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No cenário doméstico, Saqueto acredita que o processo eleitoral brasileiro começará a exercer influência crescente sobre os ativos financeiros à medida que pesquisas e candidaturas ganhem definição.

Após a forte valorização registrada ao longo dos últimos meses, o economista avalia que a bolsa brasileira deverá atravessar um período marcado por oscilações mais intensas, sem espaço para excesso de otimismo nem para pessimismo exagerado por parte dos investidores.

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