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Petróleo alto limita início de Kevin Warsh no Fed e pressiona juros nos EUA

Publicado 22/05/2026 • 23:59 | Atualizado há 1 hora

KEY POINTS

  • Economista diz que o Fed tem pouco controle sobre a inflação provocada pela alta do petróleo.
  • Segundo Mirsky, manutenção ou alta dos juros nos EUA voltou ao radar com combustíveis pressionados.
  • Para ele, Selic deve terminar o ano próxima dos níveis atuais, sem queda forte como se esperava no início do ano.

A disparada do petróleo e a alta dos combustíveis nos Estados Unidos reduzem o espaço para cortes de juros no início da gestão de Kevin Warsh no Federal Reserve, afirmou André Mirsky, economista e consultor financeiro.

Em entrevista ao Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC, Mirsky disse que o Fed tem pouca margem para conter uma inflação provocada por choques no preço do petróleo, já que o valor dos combustíveis nos Estados Unidos segue majoritariamente a lógica de mercado.

“É o preço do petróleo que dita as regras. E ele não tem controle sobre isso. O Fed não tem controle sobre o preço do petróleo”, afirmou.

Leia também: Diretor do Fed defende manutenção dos juros até haver mais clareza sobre inflação

Segundo o economista, a pressão dos combustíveis dificulta uma eventual tentativa de Warsh de adotar uma postura mais favorável à queda dos juros, como desejava o presidente Donald Trump.

Mirsky afirmou que o novo presidente do Fed assume em um cenário diferente daquele enfrentado por Jerome Powell um ano antes, com inflação mais resistente e gasolina mais cara para o consumidor americano.

“Ele não tem uma inflação controlada, muito pelo contrário. A gasolina subiu cerca de 60% de janeiro até agora para o consumidor americano”, disse.

Na avaliação do economista, o mercado já discute não apenas a manutenção dos juros nos Estados Unidos, mas também a possibilidade de novas altas ainda neste ano.

“Hoje em dia já se fala inclusive da manutenção da taxa de juros nos Estados Unidos, inclusive da possibilidade do aumento das taxas de juros dos Estados Unidos, talvez ainda esse ano”, afirmou.

Mirsky disse que o risco de estagflação voltou ao radar, não apenas nos Estados Unidos, mas também na economia global. Segundo ele, o petróleo está na base da pressão inflacionária atual, em um momento em que a atividade econômica perde força e os juros seguem elevados.

“Nós temos o petróleo subindo, a inflação subindo, a economia mundial e americana principalmente desacelerando com inflação alta, com juros altos. É um cenário de estagflação que vai acontecer não só nos Estados Unidos, como no mundo inteiro”, afirmou.

Para o Brasil, Mirsky avaliou que juros americanos elevados ainda não representam um problema imediato, porque a renda fixa brasileira continua oferecendo retorno superior e atraindo capital estrangeiro.

Segundo ele, esse diferencial ajuda a explicar a valorização da bolsa brasileira e o aumento de fluxo para países emergentes.

“Na renda fixa brasileira, nós conseguimos ter uma maior rentabilidade que os Estados Unidos na renda fixa deles. Por isso é que nós temos visto nossa bolsa muito bem valorizada, um aumento de capital estrangeiro no Brasil e em boa parte dos países emergentes”, disse.

O economista ponderou, porém, que o cenário poderia piorar se os juros americanos subissem muito enquanto o Brasil entrasse em um ciclo mais forte de queda. Para ele, esse quadro é pouco provável, já que o Brasil também sofre influência das mesmas pressões inflacionárias globais.

Mirsky disse que a Selic deve terminar o ano próxima dos níveis atuais, sem queda acentuada.

“Provavelmente próxima dos níveis que nós temos hoje, não muito abaixo dos 13%, que é aquilo que o consenso do mercado já fala”, afirmou.

Segundo ele, o conflito envolvendo o Irã alterou as condições esperadas no início do ano, ao pressionar o petróleo e trazer novamente a inflação para o centro das preocupações.

“Nós tivemos uma alteração das condições, sim. A guerra, o conflito do Irã modificou todo o preço do petróleo e o fantasma da inflação veio de novo assombrar os nossos dias”, disse.

Sobre o cenário fiscal brasileiro, Mirsky afirmou que um ajuste nas contas públicas em 2027 será obrigatório, independentemente de quem vencer a eleição presidencial.,

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Para o economista, o Brasil ainda se beneficia de uma estratégia global de desvalorização do dólar, mas precisa controlar o crescimento dos gastos públicos para reduzir riscos de médio e longo prazo.

“Nós temos que fazer o nosso dever de casa urgentemente. Os gastos públicos aumentam cada vez mais. Nós não temos um controle sobre isso”, afirmou.

Mirsky disse que os juros reais elevados no Brasil também refletem a falta de controle sobre as contas públicas e a necessidade de financiamento do governo.

“Esse financiamento que o governo necessita fazer no mercado para bancar as suas contas e os seus programas sociais tem que ser revisto urgentemente, sob pena de que o governo e o próprio país entrem em colapso a médio e longo prazo”, afirmou.

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