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Por que o suposto avanço tecnológico da China na fabricação de semicondutores gera grandes ressalvas
Publicado 28/07/2026 • 09:21 | Atualizado há 48 minutos
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Publicado 28/07/2026 • 09:21 | Atualizado há 48 minutos
KEY POINTS
Foto: Unsplash
As ações da ASML caíram na terça-feira após a divulgação de uma reportagem informando que a China está produzindo em massa uma ferramenta crítica sobre a qual a gigante tecnológica holandesa tem o monopólio há muito tempo.
A queda ocorreu em meio a uma forte onda de vendas de ações globais do setor de semicondutores, à medida que os investidores continuam a lidar com incertezas sobre o setor. A ASML registrava queda de 1,8% nas últimas negociações, mas a ação acumula alta de mais de 123% este ano.
Analistas disseram à CNBC que, embora as notícias sobre a entrada da China em um mercado dominado pela ASML possam gerar certa preocupação, os desdobramentos dificilmente abalarão a dominância da empresa holandesa, acrescentando que há grandes ressalvas a essa história.
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“Eu receberia essa notícia com um pé atrás, já que o que [a China faz] pode se limitar ao segmento de entrada [tecnologia mais básica]”, disse à CNBC Stephane Houri, chefe de pesquisa de ações da ODDO BHF.
O site The Information noticiou na segunda-feira que uma empresa chinesa anônima começou a fabricar uma máquina de litografia ultravioleta profunda de imersão (DUV, na sigla em inglês), citando fontes familiarizadas com o assunto.
A expectativa é que as ferramentas sejam entregues este ano aos maiores fabricantes de chips da China, incluindo a Semiconductor Manufacturing International Corp. (SMIC) e a Changxin Memory Technologies (CXMT), que abriu seu capital nesta semana.
Os investidores estão preocupados com o fato de que, se a China continuar a desenvolver sua própria tecnologia de semicondutores nacional, isso poderá isolar algumas das maiores empresas dos EUA, da Europa e de outras regiões da Ásia desse enorme mercado.
Uma máquina DUV de imersão é um instrumento usado para gravar padrões de circuitos em wafers de silício. Trata-se de uma parte crítica do processo de fabricação de semicondutores, adquirida por fundições como a Taiwan Semiconductor Manufacturing Co. (TSMC) e a Intel.
No entanto, ela é utilizada para chips menos avançados. Em contrapartida, uma máquina de litografia ultravioleta extrema (EUV) é empregada para os chips mais avançados da atualidade, como os projetados por Apple e Nvidia.
A ASML domina o mercado de ferramentas de litografia DUV e EUV. Nenhuma outra empresa conseguiu replicar o que a ASML faz, razão pela cual é um grande marco o fato de uma firma chinesa supostamente ter conseguido. No entanto, permanecem dúvidas sobre o impacto real dos últimos acontecimentos na empresa.
Quando se trata do desempenho das máquinas DUV da China, os fabricantes de semicondutores concentram-se em um termo conhecido como “rendimento” (yield), que se refere ao número de chips utilizáveis que saem do processo. Todas as fundições visam ao rendimento máximo.
Atualmente, não está claro se um fabricante chinês que utilize a máquina DUV nacional conseguirá um rendimento de chips próximo ou superior ao de uma máquina da ASML. Se o rendimento não se equiparar ao que as máquinas da ASML fornecem, isso poderá dificultar a adoção do equipamento chinês.
“Eles precisam alcançar pelo menos a paridade de rendimento, e não apenas ter uma ferramenta funcional”, afirmou à CNBC Nick Patience, líder de IA no Futurum Group.
Patience disse que as máquinas DUV importadas usadas pela SMIC, a maior fabricante de chips da China, “ainda são muito piores do que as da TSMC” em Taiwan.
“Qualquer máquina construída por uma empresa desconhecida apoiada pelo Estado parte de um patamar muito inferior. A confiabilidade exige anos de testes e iteração em campo, algo que a ASML possui [e] que a China ainda precisa alcançar”, acrescentou Patience.
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Siga o Times | CNBCOutro desafio para a China é a escalabilidade dessas máquinas. O The Information noticiou que a empresa chinesa que desenvolve a ferramenta DUV tem como meta produzir cinco unidades este ano e cerca de 20 em 2027.
Em comparação, a ASML declarou que planeja uma capacidade de cerca de 130 máquinas DUV de imersão em 2026, com planos de adicionar 30% em 2027.
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“O desempenho da ferramenta, a escalabilidade da produção da própria máquina, o desempenho da frota, o ecossistema ao redor e a desvantagem econômica em relação às máquinas da ASML totalmente depreciadas pesam contra a DUV chinesa”, disse uma equipe de analistas da SemiAnalysis à CNBC.
“A escalabilidade da produção da própria máquina [é] a parte mais subestimada.”
As ações da ASML despencaram até 8% na segunda-feira após a notícia levantar preocupações de que sua participação de mercado na China pudesse ser corroída.
A China representou 14% das vendas líquidas de sistemas da ASML, que totalizaram 6,6 bilhões de euros (7,5 bilhões de dólares) no segundo trimestre do ano. Isso equivale a cerca de 924 milhões de euros (aproximadamente 1 bilhão de dólares).
Analistas disseram à CNBC que é improvável que isso afete a ASML de maneira significativa na China ou globalmente.
Devido a restrições de exportação, a ASML já está impedida de vender algumas ferramentas DUV de imersão para empresas chinesas. Portanto, as ferramentas DUV que a China está produzindo “substituem receitas que a ASML já havia perdido devido aos controles de exportação”, afirmaram os analistas da SemiAnalysis, acrescentando que a ASML está expandindo sua capacidade para atender à demanda.
“Uma ferramenta que a ASML não pode fornecer legal ou fisicamente ser construída localmente não subtrai nada de uma carteira de pedidos esgotada”, observaram os analistas da SemiAnalysis.
Qualquer desafio à ASML “exigiria que a empresa chinesa produzisse máquinas confiáveis em série e desse suporte a elas em uma variedade de ambientes de fábricas (fabs) globalmente, o que no momento parece algo bastante improvável”, disse à CNBC Paul Triolo, parceiro do DGA Albright Stonebridge Group.
“Fornecer um pequeno número de máquinas DUV minimamente capazes no mercado interno é uma coisa; dar suporte a uma frota global que represente uma concorrência real para a ASML é algo completamente diferente.”
A Reuters noticiou no ano passado que a China concluiu um protótipo funcional de uma máquina EUV, outra ferramenta que apenas a ASML é capaz de produzir. No entanto, analistas apontam que o progresso na DUV não significa necessariamente que a China conseguirá dominar a EUV.
A ASML precisou de “aproximadamente duas décadas”, cerca de 10 bilhões de dólares em pesquisa e desenvolvimento, além de co-investimentos de empresas como Intel, TSMC e Samsung para tornar a tecnologia EUV comercialmente viável, destacou a SemiAnalysis. A tecnologia EUV só se tornou lucrativa em escala por volta de 2018 a 2019.
“Alguns avanços na litografia de imersão DUV são aplicáveis a tecnologias EUV mais avançadas, mas muitos não são. A fonte de luz e a tecnologia óptica da EUV são muito mais avançadas e complexas do que na DUV”, afirmou Triolo, do DGA Albright Stonebridge Group. Haverá algum aprendizado, mas há muitos outros obstáculos tecnológicos que precisariam ser superados para alcançar um sistema EUV totalmente funcional, acrescentou.
“Acho que a EUV está fora de alcance. Nunca diga nunca, especialmente quando se trata dos chineses, mas é uma tecnologia completamente diferente”, completou Houri, da ODDO BHF.
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Este conteúdo foi fornecido pela CNBC Internacional e a responsabilidade exclusiva pela tradução para o português é do Times Brasil.
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