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11 de Setembro completa 25 anos com conta de US$ 8 trilhões para os EUA

Publicado 11/09/2026 • 20:31 | Atualizado há 51 minutos

KEY POINTS

  • A resposta emergencial em Nova York e os primeiros pacotes federais consumiram entre US$ 90 bilhões e US$ 100 bilhões, sem incluir as guerras.
  • O orçamento-base do Pentágono mais que dobrou entre 2001 e 2022, enquanto a segurança interna acumulou US$ 1,117 trilhão.
  • Os juros da dívida utilizada para financiar as guerras chegaram a US$ 1,087 trilhão até 2022 e podem alcançar US$ 7,9 trilhões até 2053.

Foto: Gary Hershorn | X

Homenagem com luzes em Nova York, na noite de quinta-feira (10), um dia antes do 25º aniversário dos ataques de 11 de setembro ao World Trade Center.

Os ataques ao World Trade Center completam 25 anos nesta sexta-feira (11) com um impacto econômico que se estendeu muito além da destruição das Torres Gêmeas.

Entre a resposta emergencial, a reconstrução de Nova York, o aumento permanente dos gastos de defesa e as guerras iniciadas após os atentados, os Estados Unidos acumularam uma conta estimada em cerca de US$ 8 trilhões.

O cálculo é do Costs of War Project, do Instituto Watson da Universidade Brown, e considera gastos já realizados e compromissos futuros relacionados principalmente aos veteranos.

Do choque financeiro à reconstrução

A Bolsa de Nova York (NYSE) permaneceu fechada por quatro pregões após os ataques, na maior interrupção desde a década de 1930. Na reabertura, em 17 de setembro de 2001, o Dow Jones caiu 685 pontos, recuo de 7,13%. Naquela semana, o índice acumulou baixa de 14,26%. O S&P 500 caiu 11,6% e o Nasdaq, 16%.

Em cinco pregões, as bolsas americanas perderam cerca de US$ 1,4 trilhão em valor de mercado.

Para evitar uma crise de liquidez, o Federal Reserve injetou US$ 100 bilhões por dia no sistema financeiro durante os três dias seguintes aos ataques.

A resposta fiscal começou quase imediatamente. Três dias depois, o Congresso aprovou o Emergency Supplemental Appropriations Act, liberando US$ 40 bilhões para reforçar a segurança dos aeroportos, financiar agentes federais armados a bordo de voos e iniciar as operações no Afeganistão.

Onze dias depois, o governo destinou aproximadamente US$ 15 bilhões à indústria aérea. Foram US$ 5 bilhões em ajuda direta e US$ 10 bilhões em garantias de empréstimos federais, além de compensações relacionadas ao aumento dos custos de seguros e à limitação de responsabilidade civil.

A legislação também criou o September 11th Victim Compensation Fund, que já pagou mais de US$ 38 bilhões em indenizações às vítimas e seus familiares.

Em Nova York, a limpeza do local em que as torres ficavam consumiu cerca de US$ 750 milhões. Foram retiradas 1,8 milhão de toneladas de entulho em uma operação que exigiu 3,1 milhões de horas de trabalho e terminou oficialmente em maio de 2002.

O Federal Reserve Bank of New York estimou ainda US$ 1,5 bilhão para a limpeza do local, US$ 16,4 bilhões para a reconstrução de edifícios destruídos ou danificados e US$ 3,7 bilhões para reparar a infraestrutura de transporte, energia e comunicações de Lower Manhattan.

As Torres Gêmeas originais haviam custado aproximadamente US$ 900 milhões na década de 1970, equivalente a cerca de US$ 5,5 bilhões em valores corrigidos pela inflação. Semanas antes dos ataques, Larry Silverstein havia fechado um contrato de arrendamento de 99 anos das torres, avaliado em US$ 3,2 bilhões.

A reconstrução do complexo levou mais de uma década. Inaugurado em 2014, o One World Trade Center custou cerca de US$ 3,9 bilhões. O novo complexo do World Trade Center já recebeu aproximadamente US$ 20 bilhões em investimentos, com projeção de alcançar US$ 26,2 bilhões quando os edifícios restantes forem concluídos.

O memorial e o museu do 11 de Setembro consumiram mais de US$ 700 milhões. A manutenção do complexo representa outro gasto recorrente, estimado em cerca de US$ 60 milhões por ano.

Um estudo da University of Southern California calculou as perdas decorrentes da interrupção dos negócios em pouco mais de US$ 100 bilhões, equivalente a cerca de 1% do PIB americano da época. O setor aéreo respondeu por aproximadamente US$ 35 bilhões, hotéis por US$ 22 bilhões e restaurantes por US$ 14 bilhões.

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De resposta emergencial a uma conta de US$ 8 trilhões

O impacto fiscal se tornou muito maior à medida que a resposta aos ataques passou a incluir operações militares prolongadas e uma nova estrutura de segurança nacional.

O orçamento-base do Pentágono, que era de US$ 329 bilhões em 2001, passou para US$ 351 bilhões em 2002. A proposta para 2003 chegou a US$ 396 bilhões, enquanto a projeção para 2007 alcançava US$ 470 bilhões.

Em 2002, os Estados Unidos também criaram o Department of Homeland Security (DHS), ampliando de forma permanente a estrutura federal dedicada à segurança interna.

Segundo o Congressional Research Service, entre os anos fiscais de 2003 e 2017, o governo federal destinou aproximadamente US$ 878 bilhões para prevenção de ataques, proteção de infraestrutura crítica e resposta a incidentes.

Até 2022, os gastos com segurança interna chegavam a US$ 1,117 trilhão, segundo o Costs of War Project.

O orçamento-base do Pentágono mais que dobrou entre os anos fiscais de 2001 e 2022. Desse aumento, US$ 884 bilhões são atribuídos diretamente às guerras iniciadas após os ataques. Os gastos com o programa de saúde militar também cresceram de US$ 13,5 bilhões para US$ 34,1 bilhões no período.

A principal transformação, porém, ocorreu com as operações militares no exterior. O Afeganistão e o Paquistão consumiram aproximadamente US$ 2,313 trilhões até 2022. Considerando compromissos futuros com veteranos, a estimativa chega a US$ 3,413 trilhões.

Iraque e Síria somaram US$ 2,058 trilhões, ou US$ 3,158 trilhões quando incluídas as obrigações futuras com veteranos. Outras operações, realizadas em mais de 80 países, representaram aproximadamente US$ 355 bilhões.

No Iraque, o gasto anual atingiu o pico em 2008, durante o chamado “surge”, com cerca de US$ 143 bilhões. No Afeganistão, o maior desembolso anual ocorreu em 2011, com US$ 119 bilhões.

Até o ano fiscal de 2022, o levantamento do Costs of War contabilizava US$ 2,101 trilhões em operações do Departamento de Defesa no exterior, US$ 189 bilhões do Departamento de Estado e da USAID, US$ 1,087 trilhão em juros sobre a dívida contraída para financiar as guerras, US$ 884 bilhões em aumento do orçamento-base do Pentágono atribuído aos conflitos, US$ 465 bilhões em saúde e invalidez de veteranos e US$ 1,117 trilhão em segurança interna.

Esse conjunto representava US$ 5,843 trilhões. A estimativa acrescentava aproximadamente US$ 2,2 trilhões em obrigações futuras relacionadas aos veteranos entre 2023 e 2050, levando a conta total para cerca de US$ 8 trilhões.

Os juros também se tornaram parte relevante da conta. Os Estados Unidos tinham orçamento equilibrado em 2001 e passaram a operar com déficit em 2002. Os juros associados à dívida usada para financiar as guerras somavam US$ 1,087 trilhão até 2022 e podem alcançar US$ 7,9 trilhões até 2053, segundo as projeções do estudo.

O Congressional Budget Office ressalta que não é possível determinar com precisão absoluta quanto foi gasto especificamente nas guerras do Iraque e do Afeganistão. Por isso, diferentes instituições apresentam estimativas distintas.

O Costs of War Project associa às operações entre 897 mil e 929 mil mortes diretas, considerando militares americanos e aliados, combatentes opositores, civis, jornalistas e trabalhadores humanitários. O levantamento não inclui mortes indiretas decorrentes de doenças, deslocamentos e falta de acesso a água e alimentos.

Em contraste com os trilhões de dólares gastos nas décadas seguintes, a execução dos ataques teve custo estimado de aproximadamente US$ 500 mil para a Al-Qaeda.

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