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Por que Trump quer a Groenlândia e o que a torna tão importante para a segurança nacional
Publicado 07/01/2026 • 07:38 | Atualizado há 22 horas
Publicado 07/01/2026 • 07:38 | Atualizado há 22 horas
KEY POINTS
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, está determinado a assumir o controle da Groenlândia, uma ilha vasta, pouco povoada e rica em minerais, situada entre o Oceano Ártico e o Oceano Atlântico Norte.
“É extremamente estratégica”, disse Trump a repórteres a bordo do Air Force One no domingo. “Neste momento, a Groenlândia está coberta por navios russos e chineses por toda parte. Precisamos da Groenlândia do ponto de vista da segurança nacional.”
Seus comentários, feitos logo após uma ousada operação militar na Venezuela, soaram o alerta em toda a Europa, com a Dinamarca advertindo que uma tomada americana da Groenlândia marcaria o fim da aliança militar da Otan.
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O presidente dos EUA, no entanto, não deu sinais de recuo. Pelo contrário: a Casa Branca elevou ainda mais as tensões transatlânticas na terça-feira, ao afirmar que Trump e sua equipe estão considerando “uma série de opções” para tornar o território autônomo dinamarquês parte dos Estados Unidos — incluindo o “uso das Forças Armadas dos EUA”.
Situada entre os Estados Unidos e a Rússia, a Groenlândia há muito tempo é vista como uma área de grande importância estratégica, especialmente no que diz respeito à segurança no Ártico.
O território, com cerca de 57 mil habitantes, está próximo de rotas emergentes de navegação no Ártico, já que o rápido derretimento do gelo vem criando oportunidades para reduzir substancialmente o tempo de viagem entre a Ásia e a Europa em comparação com o Canal de Suez.
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A Groenlândia também se localiza no chamado “gap GIUK”, um ponto de estrangulamento naval entre a Groenlândia, a Islândia e o Reino Unido, que conecta o Ártico ao Oceano Atlântico.
Além de sua posição geopolítica estratégica, a Groenlândia é conhecida por uma abundância de matérias-primas ainda não exploradas, que vão de reservas de petróleo e gás a depósitos de minerais críticos e um vasto conjunto de elementos de terras raras.
Esses minerais críticos e elementos de terras raras são componentes essenciais de tecnologias emergentes, como turbinas eólicas, veículos elétricos, tecnologias de armazenamento de energia e aplicações ligadas à segurança nacional. No ano passado, a China tentou repetidamente usar sua quase hegemonia sobre as terras raras para pressionar os Estados Unidos.
“Trump é um empresário do setor imobiliário”, disse Clayton Allen, chefe de prática da Eurasia Group, consultoria de risco político, em entrevista por videoconferência à CNBC.
“A Groenlândia está assentada sobre alguns dos imóveis mais valiosos do mundo em termos de vantagem econômica e defesa estratégica para as próximas três a cinco décadas.”
Vale destacar que os Estados Unidos já mantêm presença na Groenlândia. A Base Espacial de Pituffik, anteriormente conhecida como Base Aérea de Thule, está localizada no noroeste da Groenlândia, do outro lado da Baía de Baffin, em frente a Nunavut, no Canadá.
Estima-se que cerca de 150 militares americanos estejam permanentemente estacionados no local, número bem inferior aos cerca de 6 mil durante a Guerra Fria.
“Por bons motivos, os EUA mantêm uma base aérea de alerta antecipado no noroeste da Groenlândia, porque a rota mais curta para um míssil balístico russo atingir o território continental dos Estados Unidos passa pela Groenlândia e pelo Polo Norte”, afirmou Otto Svendsen, pesquisador associado do Programa Europa, Rússia e Eurásia do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS), um think tank sediado em Washington.
A base, que também conta com um aeródromo ativo e abriga o porto de águas profundas mais ao norte do mundo, tem sido tradicionalmente fundamental para o monitoramento de submarinos russos que atravessam o gap GIUK, segundo Svendsen.
“Uma ameaça ou fator mais recente e emergente é o fato de a Groenlândia estar situada entre duas possíveis rotas de navegação pelo Ártico: a Passagem do Noroeste e a Rota Marítima Transpolar”, disse Svendsen à CNBC por telefone.
“E, à medida que as mudanças climáticas tornam essas rotas mais viáveis, surgem também interesses comerciais que aumentam o valor da ilha para a segurança nacional”, acrescentou.
Pesquisas de opinião já mostraram que os groenlandeses se opõem de forma contundente ao controle dos EUA, enquanto uma ampla maioria apoia a independência em relação à Dinamarca.
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Analistas afirmam que a Groenlândia poderia ser útil aos Estados Unidos como base para uma presença defensiva ampliada e como local para a instalação de interceptadores de mísseis americanos — especialmente no contexto de uma das principais políticas do governo Trump: o sistema de defesa antimísseis conhecido como “Domo Dourado”.
A iniciativa multibilionária, lançada em maio do ano passado e frequentemente comparada ao sistema israelense “Domo de Ferro”, é um plano ambicioso concebido para proteger os Estados Unidos contra todos os tipos de ataques com mísseis.
“Os Estados Unidos precisam de acesso ao Ártico e hoje não têm tanto acesso direto assim. A Groenlândia oferece isso em grande escala. Os EUA precisam posicionar defesas aéreas cada vez mais próximas da Rússia para enfrentar armas de nova geração que não podem ser neutralizadas com os sistemas atuais. A Groenlândia oferece essa possibilidade”, disse Allen, da Eurasia Group.
“Trump quer construir um ‘Domo Dourado’ sobre os Estados Unidos”, continuou. “Parte disso vai necessariamente depender da Groenlândia.”
Leia também: Primeiro-ministro da Groenlândia reage após a nova ameaça de anexação de Trump: “Já chega!”
Para alguns analistas, a afirmação de Trump de que a anexação da Groenlândia é uma peça central da segurança nacional dos EUA causou estranhamento. A declaração representa uma mudança significativa de tom em relação a quase um ano atrás, quando o então presidente eleito citava a “segurança econômica” como fator principal para a anexação da ilha.
Marion Messmer, diretora do Programa de Segurança Internacional do think tank Chatham House, de Londres, reconheceu que tanto a Rússia quanto a China ampliaram suas atividades militares no Ártico nos últimos anos — e que, caso Moscou lançasse mísseis contra os EUA, eles provavelmente sobrevoariam a Groenlândia.
“No entanto, o que não está claro é por que Washington precisaria de controle total sobre a Groenlândia para se defender”, afirmou Messmer em uma análise escrita publicada na terça-feira.
Ela citou o fato de que os Estados Unidos já mantêm presença na Base Espacial de Pituffik, além de um acordo de defesa com a Dinamarca, firmado há décadas, que permite a Washington continuar utilizando a instalação.
“Durante a Guerra Fria, os EUA chegaram a manter até 6 mil tropas em diversos acampamentos espalhados pela ilha”, disse Messmer. “Em tese, poderiam novamente ampliar a presença militar se considerassem necessário — sem contestar a soberania dinamarquesa.”
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Este conteúdo foi fornecido pela CNBC Internacional e a responsabilidade exclusiva pela tradução para o português é do Times Brasil.
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