CNBC

CNBCBroadcom negocia captação de até US$ 80 bilhões para financiar chips de IA

Mundo

Setor privado de Cuba abre espaço para o Brasil, mas calote e sanções elevam riscos

Publicado 21/08/2026 • 15:50 | Atualizado há 54 minutos

KEY POINTS

  • A expansão inédita das empresas privadas cubanas pode abrir espaço para companhias brasileiras, especialmente no setor de alimentos.
  • Venda direta ao setor privado permitiria ampliar comércio com Cuba e reduzir exposição a possíveis sanções impostas pelos Estados Unidos.
  • Inadimplência cubana e escassez de divisas tornam avanço mais arriscado e podem exigir retomada de mecanismos de financiamento às exportações.

A abertura do setor privado em Cuba cria novas oportunidades para empresas brasileiras, principalmente na área de alimentos, mas a grave situação econômica da ilha, a escassez de divisas e o histórico de inadimplência tornam uma expansão comercial mais arriscada, segundo Fabiana de Oliveira, professora de Relações Internacionais e doutora em Ciências para a Integração da América Latina.

Em entrevista nesta sexta-feira (21) ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC, ela avaliou que negociar diretamente com empresas privadas cubanas pode permitir ao Brasil ampliar sua presença no país sem necessariamente elevar as tensões com os Estados Unidos.

A especialista explicou que as recentes mudanças na economia cubana ocorrem em um momento no qual o governo de Miguel Díaz-Canel tenta reduzir as tensões com a administração americana. “Do ponto de vista brasileiro, a gente observa um enorme potencial”, afirmou Fabiana, ao destacar que a expansão do setor privado abre uma alternativa diante das ameaças de sanções dos Estados Unidos contra fornecedores de recursos estratégicos para o Estado cubano.

Leia também: Governo Trump mira setores estratégicos de Cuba em nova rodada de sanções

Alimentos podem abrir caminho

Entre os setores com maior possibilidade de avanço brasileiro está o de alimentos, que já concentra parcela importante das relações comerciais entre os dois países. “O grosso do comércio exterior entre Brasil e Cuba está concentrado justamente nessa questão da exportação de alimentos”, explicou a professora, citando produtos processados, óleo de soja e embutidos.

A abertura pode, no futuro, ir além da simples venda de mercadorias brasileiras. Segundo Fabiana, “poderia haver aí nesta seara algumas oportunidades interessantes para empresas brasileiras, não apenas no sentido de exportar para Cuba, mas eventualmente no futuro de ter uma parte do processamento ou uma parte do beneficiamento desses produtos em Cuba”.

Esse cenário, porém, dependeria de uma recuperação econômica da ilha. A especialista ressaltou que a escassez de divisas e os problemas de infraestrutura ainda dificultam investimentos de maior porte. “É muito difícil operar a partir de Cuba hoje pela dificuldade de repatriar dólares e pela questão de infraestrutura”, pontuou.

Leia também: Cuba amplia abertura econômica e libera setor privado em combustíveis, portos e mineração

Times Brasil - CNBC

Siga o Times | CNBC no Google e receba as principais notícias do Brasil e do Mundo.

Siga o Times | CNBC

Risco de calote limita avanço

A capacidade de pagamento de Cuba aparece como um dos principais obstáculos para uma expansão mais acelerada dos negócios. Fabiana lembrou que o Brasil já utilizou mecanismos públicos de financiamento para sustentar as exportações ao país. “Num primeiro momento haveria riscos, sim, e dependeria necessariamente da reativação dos mecanismos de financiamento às exportações”, afirmou.

Segundo ela, com o Proex, o comércio bilateral chegou a aproximadamente US$ 650 milhões (R$ 3,35 bilhões) por volta de 2012, com saldo positivo superior a US$ 550 milhões (R$ 2,83 bilhões) para o Brasil. “Num curto, mediano prazo, eu diria que necessariamente haveria esse impositivo de que o Brasil voltasse com esses mecanismos de financiamento a essas exportações, com todos os riscos que isso produz”, explicou.

O histórico de inadimplência pesa nessa avaliação. “Afinal de contas, em 2018, justamente Cuba se tornou inadimplente com o Brasil e deixou de pagar esses empréstimos”, lembrou Fabiana. Uma eventual retomada do financiamento, portanto, significaria assumir riscos para tentar ampliar a presença brasileira em meio às transformações econômicas da ilha.

Leia também: Hoteleiras espanholas Meliá e Iberostar encerram operações em Cuba após pressão dos EUA

Empresas privadas viram alternativa

No curto prazo, Fabiana vê uma possibilidade mais concreta nas micro, pequenas e médias empresas privadas cubanas, conhecidas como MIPYMEs. De acordo com a professora, essas companhias já representam cerca de 15% do PIB de Cuba e empregam aproximadamente 30% da mão de obra do país.

“É um setor que não para de crescer; com essas novas reformas, tende a se expandir ainda mais”, ressaltou. Para ela, esse movimento cria uma possibilidade diferente para empresas brasileiras: negociar diretamente com companhias privadas em vez de depender exclusivamente do governo cubano.

“Ali a gente pode observar algumas oportunidades maiores no curto prazo, eu diria, no sentido de vender diretamente para essas empresas e não necessariamente para o Estado cubano”, concluiu Fabiana.

📌 ONDE ASSISTIR AO MAIOR CANAL DE NEGÓCIOS DO MUNDO NO BRASIL:


🔷 Canal 562 ClaroTV+ | Canal 562 Sky | Canal 592 Vivo | Canal 187 Oi | Operadoras regionais

🔷 TV SINAL ABERTO: parabólicas canal 562

🔷 ONLINE: www.timesbrasil.com.br | YouTube

🔷 FAST Channels: Samsung TV Plus, LG Channels, TCL Channels, Pluto TV, Roku, Soul TV, Zapping | Novos Streamings

Siga o Times Brasil - Licenciado Exclusivo CNBC no

MAIS EM Mundo