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Abicalçados leva ao USTR argumento de que Brasil reduz dependência dos EUA da Ásia em calçados
Publicado 07/07/2026 • 13:48 | Atualizado há 41 minutos
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Unsplash.
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A Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados) levou ao Escritório de Representação Comercial dos Estados Unidos (USTR) o argumento de que o Brasil reduz a dependência americana da Ásia no fornecimento de calçados.
A participação da Abicalçados aconteceu na manhã de terça-feira (7), no escritório do U.S. International Trade Commission (ITC), em Washington, durante audiência sobre a aplicação de novas tarifas às exportações brasileiras.
Leia também: De máquinas a calçados: quais setores vão falar nesta terça na audiência pública contra o tarifaço dos EUA
A entidade foi representada pela gerente de Relacionamento e Negócios, Letícia Sperb Masselli. Também argumentaram contra a imposição de novas tarifas representantes de entidades locais, entre eles Matt Priest, da Footwear Distributors & Retailers of America (FDRA); Beth Hughes, da American Apparel & Footwear Association; e Julia K. Hughes, da United States Fashion Industry Association. Participaram ainda varejistas norte americanos, representados por Peter Grueterich, do JPT Group LLC Bernardo Footwear, e Lauren Gray, da Dillard’s Inc.
Segundo Letícia, a argumentação da Abicalçados, da indústria, do varejo, de importadores e de distribuidores norte-americanos seguiu de forma técnica e organizada.
“As explanações das partes locais foram todas favoráveis ao Brasil, apontando, sobretudo, o impacto tarifário no país, que não possui produção significativa de calçados”, disse a gerente.
Na argumentação, Letícia ressaltou que os Estados Unidos têm sido, historicamente, o principal destino das exportações de calçados brasileiros. “Este fluxo comercial beneficia não apenas os exportadores brasileiros, mas também importadores, marcas, varejistas e consumidores dos Estados Unidos, dada a interdependência produtiva e comercial entre os dois países, o que torna o Brasil um fornecedor estratégico em um mercado estruturalmente dependente de importações”, afirmou.
Ainda segundo a gerente, o Brasil desempenha papel complementar na cadeia de suprimentos de calçados dos Estados Unidos. “A indústria calçadista brasileira trabalha em cooperação com importadores, marcas e varejistas locais no desenvolvimento de produtos e coleções, especialmente em segmentos que exigem menor escala, maior variedade de modelos, prazos de entrega mais curtos, particularmente devido à maior proximidade logística, e maior capacidade de resposta à demanda”, destacou Letícia.
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Siga o Times | CNBCConforme a gerente, o Brasil representa também alternativa com escala produtiva no Hemisfério Ocidental, apoiando esforços dos Estados Unidos para diversificar o fornecimento e construir uma cadeia de suprimentos mais próxima geograficamente. O país é o quinto maior produtor de calçados do mundo e o maior produtor fora da Ásia, com 847 milhões de pares produzidos em 2025.
Apesar disso, a oferta de calçados aos Estados Unidos segue concentrada na Ásia. Em volume, a China detém a maior fatia, com 48%, seguida por Vietnã, com 28%, e Indonésia, com 10%.
Para Letícia, uma tarifa adicional sobre os calçados brasileiros reduziria a competitividade de uma fonte de abastecimento ocidental e formal. A medida afetaria importadores, marcas e, especialmente, pequenos e médios varejistas locais, cujos modelos de negócio dependem de pedidos fragmentados e ciclos de produção mais curtos. Os Estados Unidos consomem mais de 2 bilhões de pares de calçados por ano e produzem cerca de 20 milhões de pares, o equivalente a 1% do consumo doméstico.
“Por essas razões, uma tarifa adicional sobre os calçados brasileiros não ajudaria a tratar dos atos sob investigação. Pelo contrário, tenderia a aumentar custos, reduzir a diversidade de fornecimento e reforçar a concentração das fontes de abastecimento dos Estados Unidos em origens já dominantes, indo na contramão dos interesses norte americanos em diversificação, resiliência e segurança da cadeia de suprimentos”, concluiu Letícia.
Dados da Abicalçados mostram que, no primeiro semestre de 2026, foram exportados aos Estados Unidos 5,6 milhões de pares de calçados, por US$ 82,25 milhões. Os números representam queda de 3,6% em volume e de 23,6% em receita na comparação com o mesmo período do ano passado.
O USTR publicou, na quarta-feira (1), uma recomendação para tarifa adicional de 25% sobre as exportações brasileiras aos Estados Unidos, no âmbito de investigação sob a Seção 301. A decisão é passível de reversão.
A proposta foi submetida a consulta pública até quarta-feira (1º de julho) e, em segunda-feira (6) e terça-feira (7), reuniu depoimentos de autoridades, indústrias brasileiras e norte americanas, além de importadores e varejistas dos Estados Unidos. O USTR tem até quarta-feira (15) para concluir a investigação e publicar a decisão final.
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