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Tarifas do Trump

Abicalçados leva ao USTR argumento de que Brasil reduz dependência dos EUA da Ásia em calçados

Publicado 07/07/2026 • 13:48 | Atualizado há 41 minutos

KEY POINTS

  • Abicalçados participa de audiência do USTR contra tarifa de 25% sobre calçados brasileiros.
  • Exportação de calçados para os EUA cai 3,6% em volume e 23,6% em receita no semestre.
  • Brasil é quinto maior produtor de calçados do mundo e maior fora da Ásia, diz entidade.
setor de calçados vê lista de Trump com otimismo e espera solução até o fim do ano

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A Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados) levou ao Escritório de Representação Comercial dos Estados Unidos (USTR) o argumento de que o Brasil reduz a dependência americana da Ásia no fornecimento de calçados.

A participação da Abicalçados aconteceu na manhã de terça-feira (7), no escritório do U.S. International Trade Commission (ITC), em Washington, durante audiência sobre a aplicação de novas tarifas às exportações brasileiras.

Leia também: De máquinas a calçados: quais setores vão falar nesta terça na audiência pública contra o tarifaço dos EUA

A entidade foi representada pela gerente de Relacionamento e Negócios, Letícia Sperb Masselli. Também argumentaram contra a imposição de novas tarifas representantes de entidades locais, entre eles Matt Priest, da Footwear Distributors & Retailers of America (FDRA); Beth Hughes, da American Apparel & Footwear Association; e Julia K. Hughes, da United States Fashion Industry Association. Participaram ainda varejistas norte americanos, representados por Peter Grueterich, do JPT Group LLC Bernardo Footwear, e Lauren Gray, da Dillard’s Inc.

Segundo Letícia, a argumentação da Abicalçados, da indústria, do varejo, de importadores e de distribuidores norte-americanos seguiu de forma técnica e organizada.

“As explanações das partes locais foram todas favoráveis ao Brasil, apontando, sobretudo, o impacto tarifário no país, que não possui produção significativa de calçados”, disse a gerente.

Estados Unidos como principal destino das exportações

Na argumentação, Letícia ressaltou que os Estados Unidos têm sido, historicamente, o principal destino das exportações de calçados brasileiros. “Este fluxo comercial beneficia não apenas os exportadores brasileiros, mas também importadores, marcas, varejistas e consumidores dos Estados Unidos, dada a interdependência produtiva e comercial entre os dois países, o que torna o Brasil um fornecedor estratégico em um mercado estruturalmente dependente de importações”, afirmou.

Ainda segundo a gerente, o Brasil desempenha papel complementar na cadeia de suprimentos de calçados dos Estados Unidos. “A indústria calçadista brasileira trabalha em cooperação com importadores, marcas e varejistas locais no desenvolvimento de produtos e coleções, especialmente em segmentos que exigem menor escala, maior variedade de modelos, prazos de entrega mais curtos, particularmente devido à maior proximidade logística, e maior capacidade de resposta à demanda”, destacou Letícia.

Brasil se posiciona como alternativa à concentração na Ásia

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Conforme a gerente, o Brasil representa também alternativa com escala produtiva no Hemisfério Ocidental, apoiando esforços dos Estados Unidos para diversificar o fornecimento e construir uma cadeia de suprimentos mais próxima geograficamente. O país é o quinto maior produtor de calçados do mundo e o maior produtor fora da Ásia, com 847 milhões de pares produzidos em 2025.

Apesar disso, a oferta de calçados aos Estados Unidos segue concentrada na Ásia. Em volume, a China detém a maior fatia, com 48%, seguida por Vietnã, com 28%, e Indonésia, com 10%.

Tarifa adicional afetaria pequenos varejistas dos EUA

Para Letícia, uma tarifa adicional sobre os calçados brasileiros reduziria a competitividade de uma fonte de abastecimento ocidental e formal. A medida afetaria importadores, marcas e, especialmente, pequenos e médios varejistas locais, cujos modelos de negócio dependem de pedidos fragmentados e ciclos de produção mais curtos. Os Estados Unidos consomem mais de 2 bilhões de pares de calçados por ano e produzem cerca de 20 milhões de pares, o equivalente a 1% do consumo doméstico.

“Por essas razões, uma tarifa adicional sobre os calçados brasileiros não ajudaria a tratar dos atos sob investigação. Pelo contrário, tenderia a aumentar custos, reduzir a diversidade de fornecimento e reforçar a concentração das fontes de abastecimento dos Estados Unidos em origens já dominantes, indo na contramão dos interesses norte americanos em diversificação, resiliência e segurança da cadeia de suprimentos”, concluiu Letícia.

Exportações já recuam antes da decisão final

Dados da Abicalçados mostram que, no primeiro semestre de 2026, foram exportados aos Estados Unidos 5,6 milhões de pares de calçados, por US$ 82,25 milhões. Os números representam queda de 3,6% em volume e de 23,6% em receita na comparação com o mesmo período do ano passado.

O USTR publicou, na quarta-feira (1), uma recomendação para tarifa adicional de 25% sobre as exportações brasileiras aos Estados Unidos, no âmbito de investigação sob a Seção 301. A decisão é passível de reversão.

A proposta foi submetida a consulta pública até quarta-feira (1º de julho) e, em segunda-feira (6) e terça-feira (7), reuniu depoimentos de autoridades, indústrias brasileiras e norte americanas, além de importadores e varejistas dos Estados Unidos. O USTR tem até quarta-feira (15) para concluir a investigação e publicar a decisão final.

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