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André Mendonça alerta Lula sobre risco de obstrução em caso de remoção de delegados no STF
Publicado 06/07/2026 • 08:39 | Atualizado há 3 meses
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Publicado 06/07/2026 • 08:39 | Atualizado há 3 meses
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Carlos Moura / SCO / STF
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça alertou o governo Lula, nos bastidores, sobre o risco de a remoção de delegados da Polícia Federal cedidos à Corte configurar como tentativa de obstrução de Justiça.
O aviso partiu de um movimento do Ministério da Justiça que determinou o retorno de mais de cem policiais cedidos a órgãos da administração pública.
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Mendonça é o relator das duas investigações mais delicadas em andamento na Corte: o caso Banco Master e os desvios em aposentadorias do INSS, que atingem parlamentares de partidos diferentes e outros ministros do STF. As informações são do blog de Malu Gaspar, no site do jornal O Globo.
Ex-ministro da Justiça no governo Bolsonaro, Mendonça avalia que os dois temas vão dominar o debate das eleições presidenciais. A leitura provoca desconforto tanto no entorno de Lula quanto no de Flávio Bolsonaro.
Atualmente, quatro delegados da PF auxiliam ministros do STF. Dois integram o gabinete do próprio Mendonça, um trabalha com Luiz Fux e outro compõe a equipe de Alexandre de Moraes, relator do inquérito das fake news e da ação penal da trama golpista.
Mais de 50 órgãos da administração pública já foram notificados da ordem do Ministério da Justiça. O STF, até aqui, foi poupado da medida e não recebeu o ofício, o que permitiu que os delegados seguissem no exercício regular de suas funções no tribunal.
Ainda assim, a versão oficial do governo é a de que o movimento reforça os quadros de segurança no combate ao crime organizado. No Supremo, porém, o argumento não convenceu. A leitura interna é a de que a medida poderia abrir caminho para o Palácio do Planalto interferir no andamento das investigações a menos de três meses das eleições presidenciais.
Um integrante da Polícia Federal, ouvido reservadamente, resumiu a desconfiança em declaração direta. “Esse motivo do governo não é verdadeiro. É como jogar um copo d’água no Rio Tietê e dizer que isso vai melhorar a qualidade da água”, disse a fonte.
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Siga o Times | CNBCDurante café da manhã com jornalistas na última sexta-feira (3), o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, afirmou que o Ministério da Justiça ainda avalia a necessidade do retorno dos delegados cedidos pela corporação ao Supremo.
“É uma avaliação que o ministério está fazendo ainda. Por enquanto não há essa definição, até porque há uma necessidade de fazer uma análise da posição estratégica”, afirmou Rodrigues na ocasião. Procurado, o gabinete de Mendonça não se manifestou.
Enquanto a disputa em torno dos delegados avança, o governo Lula também pressiona pelo arquivamento da investigação contra o empresário Fábio Luís Lula da Silva no caso INSS. Ele é filho mais velho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva com a ex-primeira-dama Marisa Letícia.
A peça-chave do caso é a empresária Roberta Luchsinger, alvo de busca e apreensão na investigação das fraudes no INSS. Roberta também teve o sigilo bancário quebrado por decisão do ministro André Mendonça.
Amiga de Lulinha e herdeira de um ex-acionista do banco Credit Suisse, Roberta disputou em 2018 uma vaga de deputada estadual por São Paulo pelo PT. Teve 14,1 mil votos e não se elegeu. À época, declarou à Justiça Eleitoral um único bem, um apartamento avaliado em R$ 1,5 milhão.
Uma das linhas de investigação da Polícia Federal é se Roberta atuou como intermediária entre o filho do presidente da República e Antônio Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS. No fim do ano passado, a PF informou ao Supremo que apurava citações a Lulinha no inquérito.
🔍 Sócio oculto é o termo usado para descrever alguém que participa dos lucros e das decisões de um negócio sem constar formalmente nos documentos societários.
Na representação, os investigadores registraram que ele, em tese, poderia atuar como sócio oculto do Careca do INSS, hipótese negada pelo filho do presidente.
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