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Economia Brasileira

De máquinas a calçados: quais setores vão falar nesta terça na audiência pública contra o tarifaço dos EUA

Publicado 07/07/2026 • 09:02 | Atualizado há 1 hora

KEY POINTS

  • Ex-diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC) Roberto Azevêdo vai sugerir diálogo bilateral entre os países.
  • Senador e pré-candidato à Presidência da República Flavio Bolsonaro vai pedir que adoção do tarifaço seja adiado.
  • Taurus, WEG, Klabin e setor da mineração e de calçados vão apresentar argumentos contra a adoção da tarifa extra de 25%.
Tarifaço

Pixabay

Nesta terça-feira (7), acontece o segundo e último dia da audiência pública em Washington sobre as sobretaxas americanas de 25% aplicadas a produtos brasileiros.

Para o dia de hoje, estão marcados os pronunciamentos do embaixador, ex-diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC) Roberto Azevêdo, e do senador e pré-candidato à presidência, Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Também se manifestarão representantes de empresários e de diversos setores produtivos, como os de calçados, máquinas e equipamentos.

Leia também: Coca-Cola, Tesla e eBay pedem que EUA não cobrem tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros

Roberto Azevêdo e Flávio Bolsonaro lideram os apelos à moderação

O embaixador Roberto Carvalho de Azevêdo, ex-diretor-geral da OMC, lidera os argumentos institucionais e setoriais como porta-voz da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e da Confederação Nacional da Indústria (CNI). Em sua fala, ele planeja apresentar a perspectiva técnica da indústria brasileira sobre a estrutura de tarifas do país, regimes especiais de importação e os esforços nacionais de combate ao desmatamento ilegal e de proteção à propriedade intelectual para propor um diálogo entre os países.

Atuando também como conselheiro sênior da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), o diplomata vai reforçar que o aço brasileiro já sofre as restrições da “Seção 232”. Azevêdo deve argumentar que novos encargos vão desestabilizar as cadeias de suprimento e afetar as indústrias de embalagens e manufaturas dependentes desse insumo nos EUA.

No campo político, o senador e pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), vai abrir as falas do dia. Ele deve adotar uma estratégia de distanciamento em relação ao atual governo brasileiro.

O foco de seu depoimento será assegurar às autoridades norte-americanas que a distância entre as exigências de Washington e uma “agenda reformista” no Brasil é estreita. Ele proporá a suspensão temporária das tarifas em troca da abertura imediata de um mecanismo bilateral de negociação.

Leia também: Setores brasileiros contestam sobretaxa de 25% dos EUA e defendem negociação no primeiro dia de audiência pública em Washington

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Quais as principais empresas e setores que vão se pronunciar

  • Defesa e Armamentos (Taurus / CBC USA / Magtech): o CEO da Taurus Holdings, Bret Vorhees, defenderá a exclusão de armas, munições e equipamentos de fabricação do pacote de sanções. As companhias alegam que a medida prejudica projetos bilionários de expansão de fábricas que possuem na Geórgia e em Oklahoma, argumentando que o setor de defesa não possui qualquer relação causal com os pontos investigados pelo USTR (Representante Comercial dos Estados Unidos).
  • Papel e Celulose (Klabin S.A.): a gigante do setor florestal argumentará que punir operadores certificados internacionalmente por preocupações com o desmatamento seria desproporcional e injusto. A empresa possui metas validadas cientificamente e vê as medidas como um custo injustificado para as cadeias de suprimentos norte-americanas.
  • Silvicultura e Produtos de Madeira (Ibá e ABIMCI): reforçando a defesa da cadeia florestal sustentável, a Indústria Brasileira de Árvores (Ibá) pedirá a isenção de papel, celulose, painéis de madeira e derivados de resina de pinus. A entidade ressalta que a matéria-prima provém de florestas plantadas e certificadas (FSC/PEFC), sem vínculo com o desmatamento ilegal. No mesmo segmento, a Associação Brasileira da Indústria de Madeira Processada Mecanicamente (ABIMCI), defenderá que as molduras e esquadrias de madeira brasileiras complementam a produção dos EUA, e que tarifas adicionais punirão diretamente os construtores de casas e os consumidores americanos.
  • Máquinas, Equipamentos e Autopeças (ABIMAQ e Engemasa): No segmento de bens de capital, a Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (ABIMAQ) enviará Wagner Parente (CEO da BMJ) para alertar que as tarifas afetarão redes de produção integradas (comércio intraempresa) e abrirão espaço para concorrentes da China. Complementando a cadeia metalmecânica, a Engemasa, pedirá a isenção de peças de fornos industriais e trocadores de calor de alta temperatura. Esses componentes são cruciais para refinarias e petroquímicas dos EUA e não possuem fornecedores domésticos equivalentes.
  • Eletromotores e Energia (WEG Electric Corp.): o presidente da subsidiária norte-americana, Peter N. Barry, pedirá a exclusão de motores elétricos de alta eficiência e geradores sob vários códigos tarifários. A WEG alega que seus produtos são indispensáveis para a infraestrutura de inteligência artificial e energia nos EUA e que as tarifas aumentariam custos sem trazer benefícios para a produção local.
  • Refrigeração Comercial (Tecumseh do Brasil): a subsidiária da multinacional americana Tecumseh argumenta que exporta compressores herméticos de sua planta paulista diretamente para sua matriz no Mississippi. Sem fabricantes equivalentes nos EUA, o imposto de 25% encarecerá os sistemas de refrigeração que abastecem a cadeia logística de alimentos, restaurantes, hotéis e aplicações de defesa.
  • Calçados (Abicalçados): o setor calçadista destacará a forte interdependência comercial com os EUA, que exportam couro americano para fabricar sapatos de alto valor agregado no Brasil. A entidade pontua que a produção dos EUA atende a apenas 1% do consumo local e que uma taxação apenas redirecionaria as compras para os fornecedores dominantes da Ásia.
  • Mineração e Infraestrutura (Brasil Minérios): focada na extração de vermiculita em Goiás, o CEO Wilton Jose Machado recorda que os EUA dependem de importações para suprir metade de sua demanda interna pelo mineral. Cerca de 50% dessas importações vêm da empresa, sendo o insumo crítico para a proteção contra incêndios em hospitais, escolas e data centers norte-americanos.
  • Rochas Ornamentais (Centrorochas): A Associação Brasileira de Rochas Ornamentais destaca que o Brasil exportou US$ 795 milhões em pedras naturais para os EUA em 2025. Com 99,9% dos envios formados por chapas semiacabadas (para pias e revestimentos), o setor sustenta milhares de pequenas empresas de marmoraria e distribuição no mercado imobiliário dos EUA.

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