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Tarifas do Trump

Impacto inflacionário do tarifaço nos EUA pode ser a prova que o Brasil precisa

Publicado 06/07/2026 • 15:18 | Atualizado há 56 minutos

KEY POINTS

  • A audiência pública que debate as taxas aos produtos importados do Brasil teve início com a participação do USTR, empresários brasileiros e representantes dos governos dos países.
  • Os produtos brasileiros são amplamente e historicamente consumidos pelo mercado americano, a exemplo da carne bovina, do café e do suco de laranja.
  • O especialista pontua que a experiência da primeira rodada de tarifaço já demonstrou que o aumento de preços nesses setores gera pressão inflacionária real na economia dos EUA.

A semana é decisiva para as negociações comerciais entre Brasil e Estados Unidos. No centro da pauta está a ameaça de um novo tarifaço americano contra produtos brasileiros, que pode chegar a 37,5%. O patamar é considerado por analistas como um dos mais severos já discutidos entre os dois países. A audiência pública que debate o tema teve início na manhã desta segunda-feira, 6, com a participação do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), empresários brasileiros e representantes dos governos de ambos os países.

Em entrevista ao Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC, o economista e professor de Relações Internacionais da USP, Leandro Piquet Carneiro, trouxe uma leitura detalhada sobre as negociações e analisou os possíveis desdobramentos dessa disputa.

Questionado sobre até que ponto os argumentos técnicos apresentados pela USTR realmente pesam na decisão final, o professor pontuou que o cerne da disputa está na tentativa dos Estados Unidos de defender setores econômicos específicos e o mercado de trabalho.

“O que está em jogo, basicamente, é essa tentativa de trazer sempre algum tipo de proteção tarifária na expectativa de gerar reserva de mercado, empregos. Isso na perspectiva norte-americana”, afirma.

Do lado brasileiro, no entanto, o especialista destaca que o país chega a essa rodada de negociação com argumentos tecnicamente robustos, centrados sobretudo no impacto direto que essas tarifas teriam na própria estrutura de preços dos Estados Unidos.

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Os produtos brasileiros são ampla e historicamente consumidos pelo mercado americano, a exemplo da carne bovina, do café e do suco de laranja. São produtos que carregam forte apelo simbólico e prático no dia a dia do consumidor dos Estados Unidos. Indo além, há insumos estratégicos como aço para a indústria automotiva e aeronáutica.

Segundo Piquet Carneiro, a experiência da primeira rodada de tarifaço já demonstrou que o aumento de preços nesses setores gera pressão inflacionária real na economia americana e que isso tende a se repetir nessa nova etapa. Para o especialista, esse é um comportamento que fortalece a posição negociadora do Brasil.

“Na primeira tentativa de tarifar os produtos brasileiros, houve, rapidamente, uma revisão de tarifas em vários setores. Acho que a grande vantagem do Brasil nessa negociação é demonstrar o impacto que essas tarifas terão no cenário de preços domésticos norte-americanos, em setores importantes do consumo que pressionam efetivamente a inflação”, afirmou.

Com a possível aplicação das tarifas a partir de 15 de julho, produtos perecíveis brasileiros, como carne, suco de laranja e itens in natura, tendem a esgotar os estoques nos supermercados americanos entre agosto e setembro, elevando os preços justamente às vésperas das eleições legislativas de novembro nos Estados Unidos.
Sobre o possível desgaste político do presidente americano, Piquet Carneiro pondera que o cenário tarifário é apenas um entre vários fatores que compõem a avaliação pública de Trump.

“O conjunto da obra, eu diria, envolve os conflitos internacionais, a guerra com o Irã. A própria política externa norte-americana quase coloca os Estados Unidos numa posição inédita em termos de isolamento, de hostilidade a potências democráticas do Ocidente”, finaliza.

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