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Tarifas dos EUA podem ser revertidas; argumentos americanos são frágeis, afirma especialista
Publicado 06/07/2026 • 11:48 | Atualizado há 4 meses
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Publicado 06/07/2026 • 11:48 | Atualizado há 4 meses
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As chances de o Brasil evitar ou reduzir eventuais tarifas dos Estados Unidos são consideradas relevantes, diante dos argumentos apresentados pelos americanos, segundo Jackson Campos, especialista em comércio exterior. Em entrevista ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC, nesta segunda-feira (6), o especialista afirmou que os argumentos apresentados pelos EUA são frágeis, enquanto a defesa brasileira tem apresentado fundamentos técnicos consistentes.
“Existe chance, sim, de a gente conseguir sanar essas tributações, essas taxações, porque os argumentos dos Estados Unidos são fracos. A nossa embaixada e as nossas relações exteriores estão fazendo um trabalho bastante bom, apresentando várias argumentações técnicas“, disse.
O processo conduzido pelo governo americano começa com uma audiência pública para discutir questionamentos sobre políticas comerciais brasileiras, incluindo temas como Pix, comércio digital, etanol, desmatamento e regras regulatórias. Segundo Campos, nenhuma decisão será tomada nesta etapa, que servirá apenas para ouvir os argumentos das partes.
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De acordo com o especialista, o primeiro dia da audiência será predominantemente técnico, enquanto o segundo deve ganhar um caráter mais político, com participação de representantes da indústria, entidades empresariais e integrantes da política brasileira.
“Infelizmente amanhã vai ser um tom um pouco mais político, mas hoje o debate é bastante técnico”, afirmou.
Para Campos, apesar da politização esperada, governo e oposição brasileiros compartilham o interesse de minimizar os impactos de eventuais sanções comerciais.
O especialista também destacou que 43 entidades e empresas americanas apresentaram manifestações técnicas apontando que as tarifas também prejudicariam a economia dos próprios Estados Unidos. “O próprio mercado americano perde muito com essas tarifas. Os nossos argumentos são muito fortes, os argumentos deles são fracos“, afirmou.
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Segundo ele, embora tenha havido falhas na interlocução política entre os dois países, ainda há espaço para o Brasil convencer as autoridades americanas durante o processo conduzido pelo USTR.
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Siga o Times | CNBCNa avaliação de Campos, a investigação vai além das tarifas comerciais e incorpora temas ligados à tecnologia e à política doméstica americana. “Foi colocada na mesa uma agenda muito mais tecnológica do que, de fato, de tarifas“, afirmou.
Ele acredita que as eleições legislativas de meio de mandato nos Estados Unidos podem influenciar o ambiente político, mas ressaltou que o USTR atua com perfil técnico e deverá basear sua decisão nas evidências apresentadas durante a audiência.
Entre os segmentos brasileiros, Campos avalia que aviação, terras raras e parte do agronegócio têm boas chances de escapar de eventuais restrições, por serem estratégicos para o mercado americano.
Já calçados, vestuário e máquinas aparecem entre os mais vulneráveis. “Os Estados Unidos precisam tentar manter a indústria deles funcionando lá, mas esses produtos brasileiros têm mais dificuldade de encontrar novos mercados caso as tarifas sejam aplicadas”, explicou.
O especialista acrescentou que produtos do agronegócio tendem a encontrar compradores em outros países com maior facilidade, especialmente com o avanço do acordo entre Mercosul e União Europeia, enquanto produtos manufaturados voltados ao mercado americano enfrentariam maiores dificuldades de redirecionamento.
Sobre a inclusão da madeira nas discussões comerciais, Campos afirmou que o Itamaraty já apresentou argumentos técnicos para rebater as críticas relacionadas ao desmatamento.
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Segundo ele, o Brasil demonstrou que houve melhora nos indicadores ambientais e que a produção madeireira nacional é rastreável e sustentável, embora reconheça que o tema continue sendo sensível para as autoridades americanas.
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