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Tarifas do Trump

Setores brasileiros contestam tarifa de 25% dos EUA e defendem negociação no primeiro dia de audiência pública em Washington 

Publicado 06/07/2026 • 21:20 | Atualizado há 57 minutos

KEY POINTS

  • UNICA e Bioenergia Brasil afirmam que a tarifa brasileira sobre etanol importado segue a regra do Mercosul e não mira os Estados Unidos.
  • Abemel diz que a sobretaxa sobre o mel brasileiro pode afetar abastecimento, preços e produtores no Brasil.
  • Abimci defende que a madeira processada brasileira é sustentável e complementar ao mercado norte-americano.
  • Amcham Brasil avalia que novas tarifas podem elevar custos para empresas e consumidores dos Estados Unidos.

Foto: Pexels

Entidades brasileiras contestaram nesta segunda-feira (6) a proposta dos Estados Unidos de aplicar sobretaxas de até 25% sobre determinados produtos do Brasil. As manifestações ocorreram em meio à audiência pública do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), em Washington, que discute medidas comerciais contra o país.

Os setores de etanol, mel, madeira processada e comércio bilateral defenderam que a aplicação de novas tarifas pode prejudicar cadeias produtivas brasileiras e também elevar custos para empresas e consumidores norte-americanos.

Etanol brasileiro contesta acusação dos EUA

A União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (UNICA) e a Bioenergia Brasil afirmaram que a tarifa cobrada pelo Brasil sobre o etanol importado segue a Tarifa Externa Comum do Mercosul e não é uma medida direcionada aos Estados Unidos.

A manifestação responde ao questionamento do USTR sobre o acesso do etanol americano ao mercado brasileiro.

As entidades também disseram que os Estados Unidos mantêm há décadas barreiras ao açúcar brasileiro, com tarifas consideradas proibitivas e cotas que limitam o acesso do produto ao mercado norte-americano. Segundo a UNICA e a Bioenergia Brasil, o volume autorizado pelos EUA representa menos de 1% das exportações totais de açúcar do Brasil.

As organizações defenderam ainda o etanol brasileiro como alternativa para descarbonização dos transportes, com baixa intensidade de carbono, critérios auditáveis de sustentabilidade e contribuição para a redução de emissões de gases de efeito estufa.

Mel brasileiro tenta sair da lista

A Associação Brasileira dos Exportadores de Mel (Abemel) também criticou a tarifa adicional de 25% sobre o mel brasileiro no âmbito da Seção 301.

A entidade afirmou que o setor apícola construiu uma relação sólida com o mercado dos Estados Unidos, um dos principais destinos do produto brasileiro. Segundo a Abemel, a cadeia gera renda para milhares de produtores, muitos deles ligados à agricultura familiar, e cumpre exigências sanitárias e de rastreabilidade internacionais.

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A associação disse que mantém diálogo com o governo federal para buscar, por canais institucionais e diplomáticos, a revisão da decisão e a retirada do mel brasileiro da lista de produtos afetados.

A Abemel também afirmou que o mel orgânico brasileiro tem posição estratégica nos Estados Unidos e não possui substituto imediato no mercado norte-americano nem em países fornecedores próximos com escala semelhante. Para a entidade, a manutenção da tarifa pode afetar a cadeia de abastecimento, com impacto sobre preços e disponibilidade do produto nos EUA.

Amcham vê risco de custo maior nos EUA

A Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham Brasil) afirmou que a aplicação de sobretaxas pode elevar custos para a indústria e para consumidores norte-americanos.

Segundo a entidade, as importações dos Estados Unidos vindas do Brasil são concentradas em insumos industriais, bens intermediários, componentes de máquinas, químicos, produtos de energia, metais e minerais.

Madeira processada defende complementaridade

A Associação Brasileira da Indústria de Madeira Processada Mecanicamente (Abimci) também participa da audiência pública do USTR, realizada nos dias 6 e 7 de julho, em Washington.

A entidade afirma que pretende defender o setor brasileiro diante da possibilidade de novas tarifas, destacando o uso de florestas plantadas como principal fonte de suprimento, além de mecanismos de controle, rastreabilidade da cadeia produtiva e cumprimento da legislação ambiental.

“Nosso objetivo é demonstrar que a indústria brasileira de madeira processada é sustentável, segue rigorosamente os regramentos ambientais nacionais, atende às exigências internacionais e é estratégica para o mercado norte-americano. Os produtos brasileiros complementam a produção e a demanda dos Estados Unidos, não representam concorrência e são fundamentais para diversos segmentos da economia americana”, afirmou Paulo Pupo, superintendente da Abimci.

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