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CNBCEXCLUSIVO: Tarifas de Trump derrubadas – veja os setores que ainda enfrentam taxas altas

Tarifas do Trump

Tarifas do Trump: Especialistas analisam impactos aos EUA após derrota na Suprema Corte

Publicado 21/02/2026 • 11:43 | Atualizado há 2 horas

KEY POINTS

  • Precedente reforça separação de poderes e legalidade tributária nos EUA
  • Exportadores brasileiros ganham previsibilidade em ambiente menos volátil
  • Crédito estruturado surge como ferramenta para proteger fluxo de caixa
O presidente dos EUA, Donald Trump, discursa sobre tarifas no Jardim das Rosas da Casa Branca, em Washington, DC, EUA, em 2 de abril de 2025

Carlos Barria / Reuters

Advogados e economistas analisam impacto bilionário aos EUA após queda das Tarifas do Trump

A decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos que declarou ilegal o uso de poderes emergenciais para impor as chamadas Tarifas do Trump pode gerar um impacto fiscal expressivo: o governo americano poderá ter de devolver até US$ 175 bilhões a importadores que busquem ressarcimento judicial.

O julgamento, aprovado por seis votos a três, limitou a utilização da Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA) como fundamento para a imposição unilateral de tarifas comerciais. A Corte entendeu que houve invasão de competência do Congresso, responsável constitucionalmente pela política comercial.

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Passivo fiscal e precedente jurídico

Para Mary Elbe Queiroz, advogada tributarista, presidente do Cenapret e sócia do Queiroz Advogados, o alcance da decisão vai além da política comercial.

“A decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos, tomada por 6 votos a 3, não apenas declarou ilegal o uso da lei utilizada para justificar tarifas com base em emergência, como também abriu espaço para uma consequência fiscal relevante: o governo americano pode ter de devolver até US$ 175 bilhões a importadores que se considerem prejudicados e busquem reembolso judicial”, afirma.

Segundo a especialista, tarifas são tributos sobre importação e exigem fundamento legal estrito. “Ao entender que o presidente invadiu prerrogativas do Congresso, a Corte reforça o princípio da legalidade tributária e da separação de poderes.”

Ela destaca ainda o impacto internacional do precedente. “Esse precedente é relevante para o comércio internacional, pois sinaliza que medidas fiscais adotadas fora dos limites institucionais podem gerar passivos bilionários e insegurança jurídica para empresas e cadeias globais.”

Impacto sobre exportações e mercado de capitais

No campo econômico, a reversão das Tarifas do Trump tende a reduzir incertezas.

Peterson Rizzo, gerente de Relações com Investidores da Multiplike, avalia que o movimento pode beneficiar exportadores brasileiros.

“A decisão tende a beneficiar as exportações brasileiras ao reduzir incertezas e enfraquecer barreiras comerciais impostas de forma unilateral. Esse movimento diminui a pressão sobre o mercado de capitais, ao melhorar a previsibilidade, aliviar o câmbio e reduzir a aversão ao risco.”

Para ele, embora as tarifas não desapareçam automaticamente, o enfraquecimento da base legal reduz o risco de mudanças abruptas nas regras. “Para as empresas, o cenário favorece planejamento, investimentos e acesso a financiamento.”

Segurança jurídica e crédito estruturado

A decisão também altera o ambiente de risco para contratos internacionais.

Gustavo Assis, CEO da Asset Bank, afirma que a Suprema Corte reforçou a segurança jurídica ao limitar a imposição unilateral de tarifas.

“A redução do risco de decisões abruptas melhora a previsibilidade para exportadores brasileiros, mas não elimina a necessidade de estrutura financeira robusta.”

Ele aponta instrumentos financeiros que ganham relevância nesse contexto. “Alternativas como antecipação de recebíveis, FIDCs, securitização de contratos de exportação e linhas estruturadas em moeda estrangeira ajudam a proteger fluxo de caixa e reduzir exposição cambial.”

Segundo Assis, em ambiente de juros elevados e volatilidade global, gestão ativa de risco e acesso a crédito estruturado são decisivos para manter competitividade.

Planejamento de longo prazo e expansão internacional

Edgar Araújo, CEO da Azumi Investimentos, reforça que o limite imposto ao Executivo americano amplia a previsibilidade institucional.

“Para exportadoras brasileiras, isso reduz o risco de rupturas inesperadas em contratos e cadeias de fornecimento, permitindo planejamento mais consistente.”

Ele destaca que previsibilidade jurídica, por si só, não garante expansão. “Estruturas como FIDCs e operações customizadas ajudam empresas a transformar previsibilidade jurídica em capacidade real de expansão.”

Araújo afirma que disciplina financeira e acesso inteligente a crédito são determinantes para capturar oportunidades externas em cenário ainda volátil.

O que muda após a derrota das Tarifas do Trump

A decisão da Suprema Corte não elimina o uso de tarifas como instrumento de política comercial, mas estabelece limites claros para sua adoção sem autorização legislativa.

O possível ressarcimento bilionário adiciona dimensão fiscal ao debate e reforça que políticas tributárias adotadas fora dos parâmetros constitucionais podem gerar custos elevados ao Estado.

Para empresas e investidores, o efeito imediato é a redução da incerteza institucional. Para o governo americano, abre-se a necessidade de reorganizar sua estratégia comercial dentro dos limites estabelecidos pelo Judiciário.

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