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CNBCCom o colapso das negociações comerciais entre EUA e Canadá, Carney afirma que as tarifas retaliatórias entrarão em vigor em 8 de setembro

Tarifas do Trump

Conversa entre Lula e Trump abre espaço para tarifas, mas entraves comerciais persistem

Publicado 22/08/2026 • 13:45 | Atualizado há 1 hora

KEY POINTS

  • Diálogo entre Lula e Trump representa avanço diplomático, mas ainda é cedo para considerar que Brasil e Estados Unidos retomaram efetivamente as negociações.
  • Etanol, big techs e acesso a minerais críticos e terras raras permanecem entre os principais pontos de interesse dos Estados Unidos nas conversas.
  • Flexibilização temporária das cotas para carne pode beneficiar exportadores brasileiros, mas prazo de 90 dias limita possíveis efeitos sobre os preços.

A conversa entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump representa um avanço na tentativa de reabrir o diálogo comercial entre Brasil e Estados Unidos, mas ainda não significa que as negociações sobre as tarifas tenham entrado em uma nova fase efetiva, segundo Vito Villar, coordenador na BMJ Consultoria. Em entrevista nesta sexta-feira (21) ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC, ele afirmou que questões como etanol, big techs, minerais críticos e terras raras continuam no centro dos interesses americanos.

Para Villar, a diplomacia brasileira conseguiu alcançar um objetivo perseguido desde a interrupção das negociações. “Esse passo é importante”, afirmou, ao avaliar que o Itamaraty tenta repetir a aproximação direta entre os presidentes que, segundo ele, ajudou a reduzir tensões comerciais em 2025. Apesar do saldo positivo da conversa, ponderou: “É uma ação positiva, mas não é um caminho aberto, na minha opinião”.

Entraves vão além das tarifas

Entre as questões ainda pendentes está o acesso ao mercado brasileiro de etanol. Villar lembrou que os Estados Unidos estão entre os maiores produtores mundiais do combustível e têm interesse nas condições oferecidas pelo Brasil às importações.

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Outro ponto envolve as empresas americanas de tecnologia e as regras às quais estão submetidas no país. Segundo Villar, o governo brasileiro entende que parte dessas decisões “não é uma prerrogativa de governo, é uma prerrogativa do STF”, enquanto também existem discussões no Congresso relacionadas ao mercado digital.

Mas o maior interesse estratégico estaria nos minerais críticos e nas terras raras brasileiras. Villar classificou o tema como “a joia da coroa, a cereja do bolo” das negociações, diante da importância desses recursos para microchips, microprocessadores, data centers e tecnologias estratégicas.

“O Brasil hoje não tem um acordo preferencial nem com a China, nem com os Estados Unidos, e os Estados Unidos querem assegurar esse mercado brasileiro e fazem essa pressão também muito por isso”, explicou Villar.

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Carne pode ganhar espaço nos EUA

A flexibilização temporária das cotas americanas para importação de carne bovina pode representar uma oportunidade para os exportadores brasileiros, embora Villar não acredite que a decisão tenha sido tomada especificamente pensando no Brasil.

“Eu acredito que pode ser um passo interessante, mas eu duvido que tenha sido pensado no Brasil quando foi levantado esse limite das cotas”, afirmou. Segundo ele, o país é o segundo maior exportador de carne moída para os Estados Unidos, produto diretamente relacionado ao consumo de hambúrgueres no mercado americano.

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O coordenador da BMJ Consultoria, porém, considera 90 dias um período curto para que a medida produza efeitos significativos para os consumidores. “Dificilmente vai ter um resultado prático, é mais uma sinalização política de fato”, avaliou.

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Ainda há dúvidas sobre a abrangência da flexibilização. Villar ressaltou que não foram indicados quais países serão alcançados pela mudança, nem se a alteração valerá para todos os fornecedores. “Então é uma coisa que a gente tem que observar nas próximas horas”, pontuou.

Itamaraty aposta no diálogo direto

Na avaliação de Villar, há diferentes forças atuando dentro do governo americano quando o assunto é a relação com o Brasil. Ele destacou especialmente a atuação do Departamento de Estado e do secretário de Estado, Marco Rubio, em relação aos países latino-americanos.

“O Marco Rubio é de descendência latino-americana, cubana particularmente, e tem esse projeto ideológico na mente dele de trazer a América Latina de volta ao guarda-chuva político e ideológico dos Estados Unidos, tirar boa parte da influência chinesa, especialmente no continente”, afirmou.

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O Brasil, entretanto, teria uma dimensão econômica e política que dificulta uma mudança de rumo provocada apenas pela pressão externa. “O Brasil é um monstro político, comercial e econômico por si só, então ele não vai ser influenciado diretamente por uma decisão desse tipo ou simplesmente pelo estalar dos dedos da economia norte-americana”, avaliou.

Por isso, segundo Villar, a estratégia brasileira passa pela interlocução direta com Donald Trump. “A aposta do Itamaraty, a aposta do Brasil, é na indicação direta com o presidente Donald Trump”, disse, acrescentando que o republicano teria uma postura mais personalista nas relações internacionais.

Até as eleições, coordenador da BMJ Consultoria considera possível que surjam novos episódios de pressão sobre o Brasil, ao mesmo tempo em que podem ocorrer movimentos de aproximação semelhantes à conversa entre os dois presidentes. “Eu acredito que até as eleições a gente deve ter novos fatos acontecendo, especialmente partindo da parte mais do deep state dos Estados Unidos”, afirmou, acrescentando que também podem surgir “algumas indicações positivas, como essa própria ligação demonstrou”.

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