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Trump cria comitê para investigar Lisa Cook; demissão do Fed está em análise
Publicado 09/10/2026 • 17:36 | Atualizado há 46 minutos
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Publicado 09/10/2026 • 17:36 | Atualizado há 46 minutos
KEY POINTS
Foto: Divulgação / Fed
A diretora do Federal Reserve (Fed), Lisa Cook
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, criou formalmente um “comitê de investigação” para apurar acusações de que a diretora do Federal Reserve (Fed), Lisa Cook, teria prestado declarações falsas relacionadas a “um ou mais contratos de financiamento imobiliário”. O anúncio foi feito pela Casa Branca nesta sexta-feira (9).
A decisão representa o mais recente capítulo da tentativa de Trump de demitir Lisa Cook, indicada ao conselho do banco central pelo ex-presidente Joe Biden. Trump, que frequentemente pressiona o Fed a reduzir os juros, afirmou recentemente que a incapacidade de seu presidente escolhido, Kevin Warsh, de promover cortes é culpa de um conselho “hostil”.
Leia também: Trump retoma esforços para demitir Lisa Cook, do Fed
O comitê reúne três autoridades do Poder Executivo, incluindo Kevin Hassett, principal assessor econômico de Trump e um dos maiores defensores do desempenho econômico do governo. A composição consta de um memorando presidencial publicado no site da Casa Branca e compartilhado nesta sexta-feira nas redes sociais.
Os outros dois integrantes são Keith Sonderling, secretário do Trabalho e chefe interino do Escritório de Ética Governamental, e Andrea Lucas, presidente da Comissão de Igualdade de Oportunidades de Emprego, segundo o documento, datado de quarta-feira (7). Não há menção à participação de representantes externos ou independentes.
A medida, altamente incomum e sem utilização há quase um século, deve alimentar novas acusações de que Trump e seus assessores estão enfraquecendo a independência do Fed, mantida há décadas, enquanto voltam a utilizar o poder do governo contra adversários do presidente. Democratas no Congresso criticaram rapidamente o anúncio, enquanto os advogados de Cook manifestaram profundo ceticismo sobre a legitimidade do comitê.
Não existe precedente moderno para um comitê desse tipo, embora presidentes anteriores tenham convocado grupos semelhantes. Em 1912, William Taft nomeou um comitê para investigar o Conselho de Avaliadores Gerais dos Estados Unidos. Em 1931, Herbert Hoover adotou a mesma medida para apurar declarações do presidente da Liga Naval.
Leia também: Tentativa de Trump de dominar o Fed e os riscos de quebrar a estabilidade financeira dos EUA
A Suprema Corte citou o comitê criado por Taft em sua decisão de junho, que bloqueou temporariamente a primeira tentativa de Trump de demitir Cook.
O comitê de Trump e Lisa Cook deverão participar de uma audiência presencial na Casa Branca em 5 de novembro, dois dias depois das eleições legislativas de meio de mandato, segundo o memorando. Os integrantes poderão consultar o Departamento de Justiça e outras agências para auxiliar na investigação.
Os advogados de Cook, Abbe Lowell e Norm Eisen, questionaram duramente a legitimidade do procedimento, mas afirmaram que a diretora “recebe com satisfação a oportunidade de apresentar os fatos para que possa limpar seu nome”.
Leia também: Advogados de Lisa Cook dizem à Suprema Corte que Trump destruiria a independência do Fed se a demitisse
“Diante das repetidas declarações do presidente de que já decidiu demitir a diretora Cook – independentemente dos fatos e das provas –, temos sérias dúvidas de que essa ‘audiência’ seja legítima e esteja em conformidade com a lei”, disseram os advogados em comunicado à CNBC.
“Mas, se for minimamente objetiva, a conclusão será de que a diretora Cook não cometeu fraude em financiamento imobiliário, não havendo, portanto, motivo para removê-la do Conselho do Federal Reserve”, acrescentaram.
Leia também: Tentativa de Trump de demitir diretora do Fed enfrenta ceticismo na Suprema Corte
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Siga o Times | CNBC“Estamos em contato com a Casa Branca para avaliar se o processo proposto tem alguma possibilidade de ser genuíno, e não apenas um exercício de cumprimento de formalidades. A diretora Cook recebe com satisfação a oportunidade de apresentar os fatos, para que possa limpar seu nome e demonstrar que não existe fundamento legal para sua demissão”, afirmaram Lowell e Eisen.
Trump tentou demitir Cook pela primeira vez em 2025, depois que integrantes de seu governo levantaram acusações de que ela teria feito declarações falsas em pelo menos um documento relacionado a financiamento imobiliário.
Cook negou categoricamente qualquer irregularidade e entrou com uma ação judicial para impedir sua demissão. Um tribunal federal proibiu temporariamente Trump de afastá-la, e a Suprema Corte manteve essa decisão por uma margem estreita, em junho.
A decisão, porém, não impediu Trump de apresentar uma nova tentativa de afastamento. Os ministros rejeitaram a primeira iniciativa porque Cook não recebeu as garantias legais adequadas e determinaram que qualquer novo procedimento exigiria etapas adicionais. Pela Lei do Federal Reserve, o presidente só pode destituir um integrante do conselho “por justa causa”.
Leia também: Lei do Fed é vaga sobre critérios para demissão de diretores
Em agosto, o assessor da Casa Branca Dan Scavino informou Cook, por carta, que Trump estava novamente “considerando” demiti-la em razão das acusações relacionadas aos financiamentos imobiliários.
“Como presidente, é meu dever garantir que as leis sejam fielmente cumpridas, inclusive por meio da demissão de subordinados em quem não se pode confiar para dizer a verdade e cumprir a lei”, afirmou Trump no memorando que criou o comitê, dirigido ao procurador-geral Todd Blanche.
“Para me ajudar a cumprir essa responsabilidade, o comitê deverá investigar as acusações contra a diretora Cook e me informar se existe ‘justa causa’ para sua remoção”, nos termos definidos pela Suprema Corte, acrescenta o documento.
Leia também: Mercados não seriam afetados se Trump demitir Lisa Cook, afirma Departamento de Justiça à Suprema Corte
O Federal Reserve não apresentou comentários sobre a iniciativa e encaminhou a CNBC aos advogados de Cook.
A senadora democrata Elizabeth Warren, de Massachusetts, acusou Trump, em comunicado divulgado na manhã de sexta-feira, de “organizar um julgamento de fachada ilegítimo em sua perigosa tentativa de assumir ilegalmente o controle do banco central do país”.
“Em vez de agir como juiz em um tribunal de fachada criado por ele próprio, Trump deveria encerrar a guerra no Irã e cancelar suas tarifas caóticas”, afirmou Warren, principal representante democrata no Comitê de Bancos, Habitação e Assuntos Urbanos do Senado.
Leia também: Hassett defende manutenção ou corte de juros nos EUA
O líder da minoria democrata no Senado, Chuck Schumer, de Nova York, declarou que Trump “está intensificando sua campanha de difamação contra Lisa Cook enquanto transforma a Presidência em um caixa eletrônico pessoal: esquemas com criptomoedas, anúncios de propaganda financiados pelos contribuintes, dinheiro para sua família — a lista poderia continuar indefinidamente”.
“Isso não tem nada a ver com ‘preocupações éticas’. Trata-se de Trump tentando assumir o controle do Fed, algo que significaria ainda mais caos econômico para as famílias americanas”, escreveu Schumer em uma publicação na rede social X.
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Este conteúdo foi fornecido pela CNBC Internacional e a responsabilidade exclusiva pela tradução para o português é do Times Brasil.
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