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Trump e Xi buscam estabilidade comercial e acordos, mas IA, tarifas e Irã seguem no radar; veja o que observar em reunião
Publicado 22/09/2026 • 11:24 | Atualizado há 1 hora
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Publicado 22/09/2026 • 11:24 | Atualizado há 1 hora
KEY POINTS
Daniel Torok / The White House
Donald Trump e Xi Jinping se cumprimentam durante cerimônia de boas-vindas em Pequim. Os dois líderes voltam a se encontrar nesta semana, em Washington, com comércio, inteligência artificial, tarifas e Irã na agenda.
O presidente Donald Trump e o líder chinês Xi Jinping pretendem reforçar a estabilidade comercial e fechar acordos econômicos, mas esses objetivos podem ser afetados pelo debate em torno da inteligência artificial, pelas mudanças nas tarifas dos Estados Unidos e por uma operação de sanções relacionada à guerra no Irã.
Os dois líderes devem buscar formas de fortalecer a frágil trégua comercial quando se reunirem em Washington para a segunda cúpula presencial entre eles neste ano.
Apesar dos gestos de boa vontade antes do encontro, ambos os lados continuam a trocar acusações e a adotar medidas comerciais de retaliação.
Em entrevista ao programa “Squawk Box”, da CNBC, na segunda-feira, o secretário do Tesouro, Scott Bessent, afirmou que o “grande respeito” entre Trump e Xi se reflete nas negociações mais amplas entre os Estados Unidos e a China.
Em seguida, acrescentou que “houve alguns compromissos que não foram totalmente cumpridos” pela China como parte do acordo comercial alcançado por Trump e Xi em Busan, na Coreia do Sul, há quase um ano.
Alguns analistas especializados em China demonstram preocupação com o caráter incomumente centralizado da relação diplomática entre as duas maiores economias do mundo.
“Uma série de posições contraditórias parece estar disputando espaço”, enquanto Trump define “a abordagem geral” em relação à China, “ao mesmo tempo em que permite que ações mais negativas ocorram nas margens”, afirmou Claire Reade, pesquisadora sênior associada à cátedra de negócios e economia chineses do Center for Strategic and International Studies.
A cúpula ocorre a menos de seis semanas de uma eleição nos Estados Unidos marcada principalmente pelas preocupações dos americanos com o custo de vida. Trump, cuja avaliação nesse tema central caiu para novos mínimos, tem ainda mais incentivo para sair do encontro com Xi anunciando algum tipo de acordo econômico.
Veja como está a relação comercial entre os Estados Unidos e a China e o que está em jogo no encontro entre Trump e Xi.
Leia também: Bolsas asiáticas avançam com queda do petróleo e expectativa por encontro entre Trump e Xi
A intensa guerra comercial do ano passado levou as duas maiores economias do mundo a elevar as tarifas sobre os produtos umas das outras a níveis extremos. As tarifas dos Estados Unidos sobre as importações chinesas chegaram a 145% no auge da disputa, enquanto as tarifas retaliatórias de Pequim alcançaram 125%.
Essas tarifas foram reduzidas em maio de 2025, após negociadores comerciais chegarem a um acordo temporário na Suíça, posteriormente prorrogado em meados de agosto. Trump e Xi então fecharam um acordo em Busan, que levou os dois países a reduzir ainda mais suas medidas comerciais de retaliação.
Como parte do acordo, a China concordou em suspender controles de exportação sobre terras raras e comprar produtos agrícolas dos Estados Unidos, enquanto Washington reduziu algumas tarifas e suspendeu outras medidas de retaliação comercial. O acordo foi estabelecido por um ano e expira em 10 de novembro, uma semana depois da eleição nos EUA, caso não seja prorrogado.
Apesar da redução das tensões, os dois países continuam impondo tarifas elevadas sobre os produtos um do outro, segundo diferentes análises. Em julho, a tarifa efetiva de 22,8% sobre produtos chineses era a mais alta entre os principais parceiros comerciais dos Estados Unidos, com aço e alumínio sujeitos às maiores taxas, segundo o Penn Wharton Budget Model, da Universidade da Pensilvânia.
A estimativa do Congressional Research Service é ainda maior. O órgão calculou a tarifa média americana sobre produtos chineses em cerca de 36,5% em julho, ante uma tarifa média de 31% aplicada por Pequim sobre produtos dos Estados Unidos.
O comércio entre Estados Unidos e China caiu acentuadamente em 2025, com o comércio total de bens recuando quase 30% em relação ao ano anterior. Os primeiros sete meses de 2026 mostram uma nova queda, segundo dados do Censo dos Estados Unidos. Ainda assim, Pequim continua sendo um importante parceiro econômico de Washington, atrás apenas de México e Canadá. Em 2019, a China ainda era o maior parceiro comercial dos Estados Unidos.
Trump há muito critica os grandes déficits comerciais dos Estados Unidos com outros países, incluindo a China, ao mesmo tempo em que defende a retomada da produção industrial doméstica. Embora o déficit comercial americano em bens com a China neste ano esteja abaixo do registrado no mesmo período de 2025, ele continua entre os maiores do mundo, em aproximadamente US$ 91,2 bilhões.
Trump e Xi se reuniram pela última vez em um jantar de Estado em Pequim, em meados de maio. A cúpula teve forte peso cerimonial, mas acabou produzindo poucos resultados concretos.
Muitos analistas de China esperam um desfecho semelhante desta vez.
Uma extensão de um ano da trégua comercial é “nosso cenário-base”, escreveram analistas de China do Bank of America Global Research em nota a clientes na semana passada. A prorrogação manteria o status quo sobre tarifas e impediria novos controles de exportação, um dos principais pontos de atrito antes da reunião de Busan.
A China também poderia concordar em ampliar as compras de produtos americanos, “possivelmente incluindo mais aeronaves da Boeing”, escreveram os analistas. Após a reunião em Pequim, os países confirmaram que a China compraria 200 aviões da Boeing, número inferior ao que alguns investidores esperavam.
“Esperamos avanços limitados em outras áreas”, incluindo a possibilidade de ampliar o acesso a semicondutores avançados ou alterar os controles de exportação que continuam em vigor, afirmaram os analistas do banco.
Outros especialistas em China concordaram.
Trump e Xi “parecem estar administrando a relação em busca de pequenos ganhos e para evitar conflitos”, afirmou Ryan Hass, diretor do John L. Thornton China Center, da Brookings Institution, à CNBC por e-mail.
“O equilíbrio desconfortável se mantém porque cumpre duas funções para os dois líderes”, explicou Hass. “Primeiro, permite que ambos sinalizem à população de seus países que têm sob controle a situação com seu principal rival geopolítico. Segundo, dá tempo e espaço para que os dois reduzam suas dependências e vulnerabilidades em relação ao outro.”
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Siga o Times | CNBCBessent pareceu confirmar algumas dessas expectativas na manhã de segunda-feira, ao dizer à CNBC: “Acho que vamos manter” a trégua tarifária.
“Esse foi um dos principais pontos” das conversas realizadas no fim de semana com o vice-primeiro-ministro chinês He Lifeng, afirmou Bessent. “Temos tido grande estabilidade na relação desde o outono passado”, acrescentou.
Bessent também indicou que houve avanço em uma proposta de redução recíproca de tarifas de US$ 30 bilhões, apresentada por Pequim no início deste mês.
Segundo ele, o representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, já “operacionalizou” a proposta, que Bessent chamou de acordo comercial “30 por 30” para bens não críticos.
Do lado americano, o acordo envolveria vendas de produtos agrícolas, energia e outros itens, como equipamentos médicos. A China, por sua vez, “traria mais produtos de uso cotidiano”, disse Bessent à CNBC.
Reade, do CSIS, afirmou à CNBC que os Estados Unidos podem querer apenas uma extensão limitada da trégua comercial.
Segundo ela, a trégua é uma importante fonte de poder de negociação para Washington, e o governo americano “não vai querer abrir mão dessa vantagem”, o que permite que ela seja prorrogada por um período excessivamente longo.
Bessent afirmou que a inteligência artificial estará entre os principais temas da agenda de Trump e Xi. E há muito a discutir.
Estados Unidos e China são líderes concorrentes nesse setor ainda emergente, mas cada vez mais central para a economia mundial. Trump considera a liderança em IA diretamente ligada à superioridade econômica dos Estados Unidos e tem defendido fortemente a expansão da infraestrutura do setor com interferência regulatória mínima.
“Há uma conspiração DOENTIA acontecendo contra a IA e os data centers, e o único país feliz com isso é a China”, escreveu Trump no Truth Social na semana passada. “QUEM VENCER NA IA, VENCE! Estamos à frente da China e de todos os outros, e continuaremos assim.”
Alguns executivos de empresas americanas de IA, porém, têm alertado sobre riscos potencialmente catastróficos caso modelos avançados se desenvolvam rápido demais.
Esses alertas já foram criticados por Trump. Mas, em uma publicação no Truth Social na segunda-feira, o presidente disse que o governo “vai colocar as coisas sob controle se for preciso”, sinalizando uma possível mudança, ainda que pequena, em relação à postura mais liberal que vinha adotando e que pode aparecer nas conversas com Xi.
Bessent afirmou no domingo que ele e representantes chineses discutiram a criação de um canal de diálogo que permitiria aos dois países avisar um ao outro sobre incidentes envolvendo inteligência artificial.
As medidas mais recentes de Trump na guerra contra o Irã também podem pesar sobre a visita de Xi.
No mês passado, os Estados Unidos iniciaram uma ofensiva para aumentar a pressão econômica sobre o Irã, com foco em agentes financeiros que apoiam o país. A estratégia colocou imediatamente a China, principal parceira comercial de Teerã, no centro das atenções.
O governo Trump afirmou que nenhum país está isento de possíveis sanções, mas, até agora, não atingiu diretamente Pequim.
Bessent disse à CNBC na segunda-feira que o tema foi discutido na reunião do fim de semana com autoridades chinesas.
“Ter conversas discretas nos bastidores é melhor do que fazer uma demonstração pública”, afirmou Bessent, acrescentando que as autoridades financeiras chinesas “têm participado ativamente do processo”.
Assim como ocorreu em Pequim, vários dos principais executivos do mundo empresarial também participarão dos eventos.
Uma autoridade sênior dos Estados Unidos disse a jornalistas na semana passada que estarão no jantar de Estado de quinta-feira Jeff Bezos, da Amazon; Elon Musk, da Tesla e da SpaceX; Sundar Pichai, do Google; Michael Dell, da Dell; e o presidente do conselho executivo da Apple, Tim Cook.
A CNBC já havia informado que também devem participar o CEO do JPMorgan Chase, Jamie Dimon; a CEO do Citigroup, Jane Fraser; o CEO da Nvidia, Jensen Huang; e Sam Altman, da OpenAI.
Outros sinais indicam que Trump prepara uma recepção grandiosa para o líder chinês. Segundo relatos, o gabinete da primeira-dama Melania Trump informou que a cerimônia para Xi incluirá uma salva presidencial dos fuzileiros navais no gramado sul da Casa Branca, seguida de uma revista militar no Rose Garden, com trompetes de cerimônia tocados do alto do prédio e encerramento com um sobrevoo de várias aeronaves.
Na semana passada, a primeira-dama publicou um vídeo destacando os preparativos para o jantar de Estado. O próprio presidente receberá Xi na pista de pouso da Base Conjunta Andrews, em Maryland.
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Este conteúdo foi fornecido pela CNBC Internacional e a responsabilidade exclusiva pela tradução para o português é do Times Brasil.
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