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Sócio da Goldman Sachs teme que IA prejudique formação de nova geração de banqueiros
Publicado 24/08/2026 • 21:58 | Atualizado há 1 hora
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Publicado 24/08/2026 • 21:58 | Atualizado há 1 hora
KEY POINTS
Um sócio do Goldman Sachs responsável por um dos principais projetos de inteligência artificial do banco alertou que a disseminação da IA em Wall Street corre o risco de prejudicar a capacidade de raciocínio da próxima geração de profissionais do mercado financeiro.
“Há um enorme perigo de que, na era da IA, terceirizemos nosso raciocínio para esses modelos e soframos uma atrofia cognitiva que nos impeça de raciocinar por conta própria a partir de princípios fundamentais”, afirmou Chris Churchman, responsável pela Marquee, plataforma digital do Goldman para clientes institucionais.
Os comentários foram feitos durante o episódio mais recente do podcast “Exchanges”, da instituição, segundo uma transcrição fornecida com exclusividade à CNBC.
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Assim como as pessoas perderam habilidades de navegação e memorização com as invenções modernas, os banqueiros correm o risco de perder capacidades analíticas se os algoritmos assumirem todo o trabalho mais complexo, afirmou Churchman.
“O raciocínio ainda é importante”, disse. “Você ainda precisa raciocinar sobre [problemas] e estruturá-los em um argumento, e agora estamos delegando o raciocínio.”
O esforço de Wall Street para incorporar a IA a todos os seus processos de negociação e atividades bancárias pode ser uma espécie de pacto com o diabo: pode tornar o setor mais lucrativo hoje e, ao mesmo tempo, potencialmente comprometer os talentos de que precisará amanhã. Com a IA assumindo uma parcela maior do trabalho rotineiro que tradicionalmente ensinava jovens banqueiros e operadores a pensar e tomar decisões, as instituições correm o risco de sacrificar a cultura que transforma funcionários iniciantes em profissionais experientes de Wall Street.
Isso poderia até mesmo reduzir, desde o início, a necessidade de banqueiros em cargos de nível júnior. No ano passado, a CNBC informou que instituições de Wall Street estavam analisando maneiras de usar IA para reduzir a proporção de banqueiros juniores em relação aos funcionários mais experientes.
Os bancos precisam encontrar um equilíbrio entre o uso da IA e a preservação da cultura de aprendizado de Wall Street, afirmou Churchman, que comandou as operações de câmbio do UBS antes de ingressar no Goldman, em 2021.
“Você aprende fazendo, e muito do conhecimento é tácito, nunca foi colocado no papel”, afirmou.
O Goldman precisa “garantir que não percamos esse conhecimento tácito e intuitivo que alguns dos nossos melhores profissionais têm hoje [e] assegurar que a próxima geração também o tenha”, disse Churchman.
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Siga o Times | CNBCPor exemplo, operadores juniores aprendem ao atender solicitações de preços feitas por clientes sob a supervisão de profissionais experientes na tomada de riscos, explicou Churchman.
“Podemos absolutamente automatizar isso”, afirmou, “mas então teremos operadores seniores que realmente entendem?”
Os sistemas precisam ser projetados de forma que os funcionários continuem tomando as decisões em situações de alto risco e grande incerteza, em vez de se tornarem operadores passivos, afirmou Churchman.
Nem mesmo o Goldman, um dos maiores bancos de investimento do mundo, ainda “descobriu” como administrará a transição que a empresa já iniciou, disse Churchman, que também é copresidente do grupo de trabalho de IA da divisão de Global Banking and Markets da instituição.
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Também durante a entrevista ao podcast, Churchman compartilhou aprendizados obtidos com a implementação da IA na Marquee, usada por fundos de hedge e outros clientes institucionais para acessar dados de mercado, pesquisas, análises de risco e serviços de execução de operações do Goldman.
A plataforma Marquee AI, por enquanto, está disponível apenas para funcionários do Goldman, afirmou.
O desafio mais difícil, do ponto de vista técnico, é garantir que as respostas da IA sejam 100% factuais e possam ser auditadas, disse. Embora chatbots de IA voltados aos consumidores alertem os usuários sobre possíveis erros, no mercado financeiro de alto nível a tolerância a falhas é baixa.
Churchman afirmou que, durante o desenvolvimento da plataforma de IA da instituição para clientes, o software fez uma admissão surpreendente.
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“Quando o pressionamos bastante, pelo menos ele foi honesto”, afirmou Churchman. “Foi algo como: ‘Olha, no fim das contas, sou melhor em parecer minucioso do que em realmente ser minucioso’.”
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Este conteúdo foi fornecido pela CNBC Internacional e a responsabilidade exclusiva pela tradução para o português é do Times Brasil.
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