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Crescimento desordenado da energia solar e eólica pressiona operação do sistema elétrico
Publicado 14/10/2025 • 16:03 | Atualizado há 2 meses
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Painéis de energia solar.
O avanço acelerado da energia solar e eólica está mudando o mapa da eletricidade no Brasil — e colocando o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) diante de um desafio inédito: monitorar e equilibrar uma rede que já produz mais energia fora do seu controle direto.
A geração distribuída (GD), que reúne milhões de painéis solares em telhados e pequenos sistemas conectados à rede, ultrapassou 37 GW de potência instalada, segundo dados da Aneel. Essa energia flui para o sistema de forma descentralizada, sem passar pelo despacho centralizado do ONS — o que torna mais difícil prever oscilações de oferta e demanda ao longo do dia.
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Em documentos técnicos publicados neste ano, o ONS reconhece falhas na qualidade e na disponibilidade de dados meteorológicos usados para prever a geração solar e eólica.
Na Nota Técnica DOP 0022/2025, o operador explica que a ausência de informações válidas sobre vento e irradiância compromete o cálculo da geração de referência das usinas renováveis.
“Na ausência de dados válidos, a geração de referência é considerada nula”, registra o texto, destacando que dados “inválidos ou congelados por seis minutos consecutivos” reduzem a confiabilidade dos modelos usados na operação.
Já o relatório RT DGL-ONS 0189/2025, elaborado pelo Grupo de Trabalho de Curtailment, mostra que há divergências entre os modelos matemáticos informados pelos agentes e o comportamento real das usinas em campo — o que afeta o planejamento do despacho e pode levar à redução forçada da produção.
“Na ausência de informações que permitissem o diagnóstico prévio da inconsistência dos modelos, a modelagem oficial foi utilizada para tomada de decisões, implicando em redução da capacidade de escoamento e aumento do curtailment”, afirma o documento.
Os números da Aneel mostram que a micro e a minigeração distribuída cresceram mais de 30 % em um ano, somando mais de 3,3 milhões de sistemas solares conectados à rede. A maior parte está em residências e pequenos comércios, ligados diretamente às distribuidoras e fora da coordenação operacional do ONS.
Com isso, o sistema enfrenta um paradoxo: excesso de energia durante o dia, quando a geração solar atinge o pico, e queda abrupta à noite, quando o consumo aumenta e as placas deixam de produzir. Essa variação exige respostas rápidas do operador — como acionar usinas hidrelétricas, reduzir geração eólica ou limitar a produção de algumas plantas conectadas ao SIN.
A Abeeólica (Associação Brasileira de Energia Eólica e Novas Tecnologias) reforça que a operação com fontes variáveis exige melhor integração de dados e sistemas de previsão mais refinados.
Em estudo técnico sobre estabilidade do sistema, a entidade afirma que o ONS “verificou a necessidade de investir cada vez mais na qualidade da previsão da geração de fonte eólica para o tempo real”, especialmente no Nordeste, onde o vento responde por parcela significativa da matriz elétrica.
Segundo a associação, o Brasil já ultrapassou 31 GW de potência instalada em energia eólica, distribuídos em mais de mil parques. O uso de modelos meteorológicos de alta resolução e a transmissão de dados em tempo real são considerados essenciais para reduzir cortes de geração e evitar desequilíbrios no sistema.
Diante da rápida descentralização da matriz, o ONS tem adotado novas metodologias de gestão de excedentes energéticos e busca padronizar o envio de informações pelos agentes de geração. Já a Aneel trabalha na padronização dos dados de GD e em mecanismos de integração desses sistemas ao despacho nacional.
O consenso entre especialistas do setor é que o avanço das fontes renováveis é irreversível — mas exige mudanças estruturais na forma de operar o sistema elétrico.
“A integração da geração distribuída e das fontes intermitentes exigirá não apenas tecnologia, mas uma revisão da arquitetura operacional e regulatória do setor elétrico brasileiro”, conclui o relatório do ONS.
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