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Acordo entre Netflix e Warner Bros. pode ser mais complexo do que parece, entenda
Publicado 05/12/2025 • 21:26 | Atualizado há 3 meses
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Publicado 05/12/2025 • 21:26 | Atualizado há 3 meses
KEY POINTS
Studio Warner Bros e
A Netflix movimentou a indústria de mídia nesta sexta-feira (5) ao anunciar a compra do estúdio de cinema Warner Bros. e do serviço de streaming HBO Max por US$ 72 bilhões. Embora o fechamento da negociação tenha ocorrido rapidamente, o processo regulatório tende a ser bem mais demorado.
A fusão reuniria duas plataformas com grande alcance global. A Netflix registrava 300 milhões de assinantes no fim de 2024, enquanto o HBO Max somava 128 milhões no encerramento de setembro. Dados da Sensor Tower mostram que a Netflix detém 46% dos usuários ativos mensais de aplicativos móveis no mercado global de streaming. Com a integração da HBO Max, esse índice subiria para 56%.
“Este acordo consolida a posição da Netflix como principal serviço de streaming de conteúdo original”, afirmaram analistas da William Blair em relatório divulgado na sexta-feira.
A dimensão do negócio levanta preocupações entre especialistas e legisladores. O governo Trump recebeu a notícia com “forte ceticismo”, conforme informou a CNBC. A senadora Elizabeth Warren pediu imediatamente uma investigação antitruste.
“Este acordo parece um pesadelo antimonopolista”, disse Warren. Segundo ela, a fusão criaria um conglomerado capaz de controlar quase metade do mercado de streaming, com risco de elevar preços, reduzir opções para consumidores e afetar trabalhadores do setor.
A aquisição também colocaria a Netflix no comando do estúdio Warner Bros., reforçando seu alcance no cinema e alimentando receios sobre a redução no número de lançamentos ou na janela de exibição.
Após anúncios de grande porte, é comum que grupos de interesse, concorrentes e parlamentares levantem questionamentos baseados em leis antitruste. O Departamento de Justiça tende a analisar fusões desse porte, e a avaliação pode levar meses ou mais de um ano.
Leia mais:
Governo Trump vê acordo Netflix–Warner Bros. com ‘forte ceticismo’, diz autoridade
A Netflix diz esperar concluir a operação em 12 a 18 meses, após a WBD concluir a cisão de seus canais a cabo e criar a Discovery Global.
Durante uma teleconferência com investidores, o co-CEO Ted Sarandos afirmou que a empresa está “altamente confiante” na aprovação do acordo.
“Este acordo é pró-consumidor, pró-inovação, pró-trabalhador, pró-criador e pró-crescimento”, declarou.
Sarandos acrescentou que a empresa trabalhará diretamente com reguladores de todos os mercados afetados. Pelo contrato, a Netflix concordou em pagar uma multa de US$ 5,8 bilhões caso o governo bloqueie o negócio.
A proposta superou as ofertas concorrentes da Paramount Skydance e da Comcast. Analistas do Deutsche Bank e da William Blair consideram possível a aprovação, embora destaquem que o resultado dependerá das informações analisadas pelo Departamento de Justiça e do juiz responsável pelo caso.
A Paramount tem intensificado a disputa. Em carta enviada à WBD esta semana, seus advogados alegaram que o processo foi conduzido de forma a favorecer a Netflix. O Wall Street Journal relatou que, em outra carta, a Paramount sustentou que o acordo com a Netflix provavelmente “nunca se concretizaria” devido a entraves regulatórios.
A empresa foi a única candidata interessada em adquirir também o portfólio de canais de TV paga da WBD e tende a continuar pressionando no processo.
Especialistas do setor lembram que o segundo mandato do presidente Trump havia alimentado expectativas de aceleração em fusões e aquisições, mas incertezas econômicas e barreiras regulatórias limitaram esse movimento.
Warren, em comunicado, voltou a criticar a atual abordagem antitruste da administração Trump. “O processo tornou-se um antro de favoritismo político e corrupção”, afirmou, defendendo uma revisão imparcial da fusão.
A própria Paramount viveu um longo processo regulatório. Sua fusão com a Skydance ficou congelada por mais de um ano antes da aprovação federal em julho. A FCC — que provavelmente não terá papel direto na fusão Netflix-WBD, já que não envolve emissoras — autorizou outra operação da Paramount após a empresa pagar US$ 16 milhões para encerrar um processo relacionado ao programa 60 Minutes e suspender políticas de diversidade.
Em setembro, a nova Paramount Skydance, comandada por David Ellison, voltou sua atenção para a WBD e avalia se apresentará uma oferta direta aos acionistas, potencialmente superior à proposta atual da Netflix. Larry Ellison, cofundador da Oracle e pai de David, é próximo do presidente Trump.
A avaliação regulatória deve se concentrar sobretudo em dois pontos: impacto sobre preços ao consumidor e definição de mercado relevante. O aumento recente de tarifas de assinatura em várias plataformas tem sido acompanhado de mudanças na estratégia das empresas — inclusive a adoção de planos com anúncios pela Netflix e pela Disney.
A Netflix, que transformou a indústria ao abandonar o aluguel de DVDs e apostar no streaming, argumenta que seu mercado competitivo inclui TV aberta, cabo, modelos por assinatura com e sem anúncios e plataformas como YouTube.
O YouTube lidera a audiência televisiva nos EUA, segundo a Nielsen. A Netflix aparece em sexto lugar, seguida pela WBD. Redes tradicionais, como Disney, NBCUniversal, Fox e a própria Paramount, ficam nas posições intermediárias.
Segundo Jeff Goldstein, da AlixPartners, críticos tentarão delimitar o mercado de forma mais estreita para evidenciar maior concentração. John Malone, influente executivo do setor, declarou em entrevista à CNBC que a definição de “mercado de streaming” ainda é controversa e deverá ser examinada com rigor.
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Este conteúdo foi fornecido pela CNBC Internacional e a responsabilidade exclusiva pela tradução para o português é do Times Brasil.
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