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Ex-CEO do Hurb é preso no Ceará com documento falso e tornozeleira descarregada

Publicado 06/01/2026 • 12:27 | Atualizado há 2 semanas

KEY POINTS

  • Reincidência criminal e descumprimento de medidas cautelares ampliam a exposição legal do ex-executivo.
  • Histórico de processos e sanções reforça o escrutínio sobre a governança ligada ao caso Hurb.
  • Novos episódios reacendem alertas no setor de turismo e defesa do consumidor.

Reprodução/Redes Sociais

João Ricardo Rangel Mendes, ex-CEO da Hurb

João Ricardo Rangel Mendes, ex-CEO da Hurb, foi preso na noite de segunda-feira (5) no Aeroporto Regional de Jericoacoara, no litoral do Ceará, ao tentar embarcar em um voo com destino a Guarulhos (SP). Segundo a Polícia Militar do Ceará, o empresário utilizava um documento falso no momento do embarque e descumpria medidas judiciais, agravando sua situação criminal.

Funcionários da companhia aérea identificaram irregularidades nos documentos apresentados e acionaram a polícia. Durante a abordagem, os agentes constataram que Mendes usava tornozeleira eletrônica descarregada, condição que viola determinações judiciais anteriores. Ele foi encaminhado à Delegacia Regional de Acaraú e autuado em flagrante por uso de documento falso.

Leia também: Quem é João Ricardo Mendes, ex-CEO do Hurb, antigo Hotel Urbano

O que aconteceu

De acordo com a Polícia Militar do Ceará, João Ricardo tentava embarcar para São Paulo utilizando documentação falsa. A suspeita surgiu ainda no balcão de atendimento da companhia aérea.

Além disso, os policiais verificaram que o empresário estava com a tornozeleira eletrônica sem carga, o que caracteriza descumprimento direto das medidas impostas pela Justiça após sua soltura em 2025.

João Ricardo Mendes, ex-CEO da Hurb, havia sido solto após passar 88 dias preso preventivamente na Penitenciária Evaristo de Moraes, no Rio de Janeiro, depois de ser preso por furto qualificado, após ser flagrado roubando obras de arte e objetos em um shopping e um hotel na Barra da Tijuca. 

Relembre o caso Hurb

O Hurb, antigo Hotel Urbano, ganhou popularidade no Brasil ao oferecer pacotes de viagem com preços muito abaixo do mercado, condições facilitadas de pagamento e a promessa de férias acessíveis. Para dezenas de milhares de consumidores, porém, o que deveria ser uma experiência turística terminou em frustração: não houve viagem, nem reembolso, nem solução efetiva.

Diante do impasse, parte dos clientes buscou a Justiça. No entanto, decisões favoráveis, bloqueios judiciais e ordens de pagamento passaram a se mostrar ineficazes. Mesmo com sentenças, execuções e liminares, a empresa deixou de cumprir determinações judiciais de forma recorrente.

A situação levou ao colapso de milhares de processos. Em junho de 2024, o Segundo Juizado Especial Cível da Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, determinou o encerramento de mais de 400 ações contra a empresa devido à impossibilidade prática de execução das condenações, que somavam quase R$ 4 milhões.

O caso chegou à Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon), órgão vinculado ao Ministério da Justiça. Após cerca de 12 meses de tentativas de negociação, a Senacon concluiu que a empresa não apresentava viabilidade operacional, técnica ou financeira para cumprir os contratos assumidos com os consumidores.

Em abril de 2025, quatro dias após o encerramento formal das negociações com a empresa, o Ministério do Turismo cancelou o cadastro da Hurb – Hotel Urbano Viagens e Turismo S.A. no Cadastur, retirando da companhia a autorização para atuar formalmente no setor turístico.

Além da exclusão do Cadastur, a Hurb está proibida de comercializar pacotes de viagem com datas flexíveis, mês fixo ou modalidades semelhantes, enquanto não comprovar capacidade econômico-financeira para honrar os contratos já firmados. O descumprimento da medida pode resultar em multa diária de R$ 80 mil.

Apesar de afirmar publicamente que não está sem recursos e que trabalha para normalizar suas operações, a empresa não esclareceu por que descumpriu decisões judiciais nem por que deixou de pagar indenizações determinadas pela Justiça.

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