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FMI alerta para riscos institucionais, desaceleração do comércio e revisa crescimento global
Publicado 19/01/2026 • 10:40 | Atualizado há 2 meses
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Publicado 19/01/2026 • 10:40 | Atualizado há 2 meses
KEY POINTS
Olivier DOULIERY/AFP
Uma vista externa do prédio do Fundo Monetário Internacional (FMI), com o logotipo do FMI, em 27 de março de 2020, em Washington, D.C. A pandemia do coronavírus levou a economia global a uma recessão que exigirá um financiamento maciço para ajudar os países em desenvolvimento, disse a diretora do FMI, Kristalina Georgieva, em 27 de março de 2020.
O Fundo Monetário Internacional (FMI) alertou que a interferência política em instituições econômicas pode ampliar riscos para a economia global em 2026, ao mesmo tempo em que projetou desaceleração do comércio internacional e revisou as estimativas de crescimento do PIB das principais economias, segundo a atualização trimestral das Perspectivas Econômicas Globais, divulgada nesta segunda-feira (19).
O Fundo Monetário Internacional (FMI) listou o risco de interferências políticas em instituições econômicas como um dos principais riscos para a economia global neste ano, em sua atualização trimestral das Perspectivas Econômicas Globais da instituição, divulgada nesta segunda-feira (19). “A interferência política em instituições econômicas independentes pode aumentar o risco de erros políticos, erodindo a confiança pública”, frisou.
No documento, o Fundo destacou como as investigações abertas pelo Departamento de Justiça do governo Trump contra o presidente do Federal Reserve (Fed), Jerome Powell, tiveram efeitos negativos para a recuperação do dólar. O relatório apontou que a independência dos bancos centrais é primordial para a estabilidade macroeconômica e crescimento dos países. “Preservar a independência dos BCs, jurídica e operacional, é crítica para evitar a dominância fiscal, ancorar expectativas de inflação e permitir que alcancem seus mandatos”, declarou.
Nesse contexto, o FMI ponderou que autoridades monetárias enfrentam a árdua tarefa de conciliar disparidades nas dinâmicas de atividade econômica e de preços, além da explosão em investimentos de tecnologia, que tem elevado o nível dos juros neutros e, por consequência, os requisitos para flexibilizar os juros. Segundo o relatório, este é o caso dos EUA.
As escolhas dos banqueiros centrais são “múltiplas”, conforme o FMI, podendo variar entre cortes para apoiar impactos negativos em suas respectivas economias ou mais cautela na leitura de dados para determinar os próximos passos. O relatório projeta que as taxas de juros devem continuar em declínio nos EUA e no Reino Unido, mas em velocidades variadas, enquanto o Banco Central Europeu (BCE) deixará sua política inalterada. No Japão, os juros devem subir gradualmente.
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Do lado fiscal, o Fundo espera políticas mais expansivas na Alemanha, Japão e EUA no curto prazo. Contudo, o documento ressalva que a emissão “pesada” e o apetite dos investidores estão remodelando os mercados de dívida rumo a vencimentos de curto prazo, citando como exemplo mudanças de compradores no Reino Unido, nos EUA e em fundos de pensão da Holanda. “A dívida soberana global deve ultrapassar 100% do PIB até o fim da década”, aponta.
Para o FMI, esse movimento tem ajudado a segurar o ímpeto de rendimentos mais longos, mas está provocando saltos e ampla volatilidade na ponta curta, impulsionando o uso de liquidez dos BCs. Nesse ambiente, o Fundo alertou que a inadimplência de empresas ligadas ao mercado de crédito está expondo vulnerabilidades importantes — como estruturas financeiras opacas e governança fraca —, que podem se agravar caso o apetite dos investidores desapareça.
Além dos riscos institucionais e fiscais, o FMI também revisou suas projeções para o comércio internacional. O Fundo prevê uma desaceleração acentuada no volume de comércio global, de 4,1% em 2025 para 2,6% neste ano. Apesar disso, o resultado representa uma elevação em comparação às projeções de outubro, de 3,6% e 2,3%, respectivamente. Para 2027, é esperada uma aceleração a 3,1%, previsão inalterada.
O FMI avalia que o comércio global continua relativamente robusto, com expansão em exportações de tecnologia contrabalançando a perda em outras categorias. A instituição destaca que o desempenho no ano passado também reflete o adiantamento a tarifas dos EUA, que ampliou a estocagem de produtos em vários países, além dos ajustes no fluxo de comércio com as novas políticas.
“No médio prazo, pacotes fiscais expansionistas em economias com superávit de contas correntes devem contribuir para o declínio de desequilíbrios globais, junto à força do salto de investimentos em negócios ligados à tecnologia”, aponta o relatório, acrescentando que os EUA devem ser os maiores beneficiários dos novos fluxos de capital, mesmo com alguma moderação no futuro.
As estimativas do FMI incluem apenas dados do período encerrado em dezembro de 2025, assumindo que as políticas em vigor na época seriam permanentes. Assim, os cálculos não incluem mudanças feitas posteriormente, como o recente acordo comercial entre EUA e Taiwan ou a imposição de tarifas a países relacionados ao Irã ou à Groenlândia.
Em dezembro, a taxa efetiva de tarifas dos EUA era estimada em 18,5%, abaixo das projeções de 18,7% feitas em outubro pelo FMI. Já a taxa efetiva de tarifas correspondente do restante do mundo permaneceu inalterada em 3,5%.
No campo da atividade econômica, o Fundo Monetário Internacional (FMI) elevou sua previsão para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) das duas maiores economias do mundo em 2026, mas reduziu as estimativas para 2027, citando fatores domésticos. Segundo o FMI, o crescimento econômico dos EUA deve acelerar de 2,1% no ano passado para 2,4% em 2026, ambas as estimativas acima do previsto no relatório de outubro, quando a instituição previa alta de 2% e de 2,1%, respectivamente. Em 2027, no entanto, o desempenho deve desacelerar a 1,9%.
No caso da economia americana, o relatório apontou que investimentos e gastos em tecnologia adicionaram 0,3 ponto porcentual à média anualizada do PIB dos três primeiros trimestres de 2025, compensando parte dos efeitos do shutdown no quarto trimestre. Para o próximo ano, os incentivos fiscais da “Big Beautiful Bill” devem oferecer suporte no curto prazo, junto a gastos mais moderados de tecnologia, se sobrepondo à redução na imigração e no consumo.
Já a economia da China deve desacelerar a 4,5% neste ano e a 4% no próximo, ante avanço de 5% em 2025. Em outubro, as estimativas eram de 4,2% para 2026 e 2027, com alta de 4,8% em 2025. Pequim continua enfrentando demanda doméstica fraca e problemas no setor imobiliário, equilibrados em parte por exportações resilientes. O FMI ponderou que essas dificuldades devem se ajustar no próximo ano, ao mesmo tempo em que a inflação ganha tração.
Para as economias desenvolvidas, o Fundo projetou avanço de 1,8% em 2026 e 1,7% em 2027. Na zona do euro, o PIB deve crescer 1,3% neste ano, ante projeção anterior de 1,2%, e acelerar a 1,4% em 2027. No Japão, o PIB teve previsão elevada a 0,7% em 2026, mas a projeção de desaceleração a 0,6% em 2027 foi mantida, assim como as estimativas de moderação da inflação neste ano e convergência para a meta de 2% no próximo.
O FMI destacou ainda que o aumento de gastos com defesa, devido a tensões geopolíticas, teve poucas repercussões claras no último ano e deve se materializar apenas nos próximos anos, em ritmo gradual até 2035. Na Europa, gastos públicos da Alemanha e o desempenho forte da atividade na Irlanda e na Espanha devem acelerar o crescimento econômico a partir de 2027.
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